INVESTIGAÇÃO EM PICOS
Teresinha Ferreira
25 de julho de 2026 às 09:05 ▪ Atualizado há 1 hora
A Polícia Civil do Piauí indiciou o ex-prefeito de Picos Gil Marques de Medeiros, conhecido como Gil Paraibano, por suspeitas de irregularidades em contratações realizadas diretamente pela administração municipal, sem o procedimento licitatório considerado necessário pelos investigadores.
A ex-secretária municipal de Saúde Hildegardes Gomes de Medeiros Borges também foi indiciada. O caso envolve contratos para serviços de assessoria jurídica, lavagem de veículos da frota pública e locação de imóveis.
O indiciamento consta no relatório de um inquérito policial assinado em 5 de maio de 2026. A investigação foi conduzida pela delegada Bernadete Santana Gonçalves e reuniu documentos e depoimentos relacionados às contratações realizadas durante a passagem de Gil Paraibano pelo comando da Prefeitura de Picos.
Polícia aponta indícios de favorecimento
De acordo com as conclusões da investigação, algumas contratações teriam beneficiado pessoas pertencentes ao núcleo familiar de agentes públicos. A Polícia Civil também apontou a ausência de procedimento administrativo formal ou de justificativa legal suficiente para a escolha dos contratados.
Para os investigadores, o conjunto de informações levantado no inquérito apresenta indícios de direcionamento e favorecimento. Gil Paraibano e Hildegardes Borges foram enquadrados, no relatório policial, na conduta prevista no artigo 89 da antiga Lei nº 8.666/1993, que tratava da dispensa ou inexigibilidade indevida de licitação.
A antiga Lei de Licitações foi substituída pela Lei nº 14.133/2021. No entanto, a apuração considera a legislação aplicável ao período em que os fatos teriam ocorrido. O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade. A medida não equivale a uma condenação e também não significa, por si só, que os investigados se tornarão réus.
Após a conclusão da investigação, caberá ao Ministério Público analisar os elementos reunidos e decidir se oferece denúncia, pede novas diligências ou solicita o arquivamento do procedimento.
Ex-prefeito nega conhecimento de irregularidades
Em depoimento prestado durante a investigação, Gil Paraibano confirmou que exerceu o cargo de prefeito de Picos entre 2005 e 2012 e, novamente, entre 2021 e 2024. Questionado sobre os serviços de lavagem dos veículos municipais, o ex-prefeito declarou não se lembrar com precisão dos detalhes das contratações. Ele sustentou, no entanto, que os serviços foram prestados e que os procedimentos teriam ocorrido dentro da legalidade.
Gil Paraibano também negou ter conhecimento de eventual ligação entre empresas contratadas e familiares de agentes públicos. O ex-gestor afirmou desconhecer coincidências de endereços identificadas na investigação, assim como detalhes sobre a formalização dos contratos, fiscalização dos serviços e elaboração de relatórios. Sobre a locação de um imóvel supostamente utilizado pela Secretaria Municipal de Saúde, o ex-prefeito disse não se recordar das circunstâncias específicas. Acrescentou que, se a contratação foi realizada, teria ocorrido para atender a uma necessidade da administração pública.
O Piauí Hoje mantém o espaço aberto para manifestações atualizadas de Gil Paraibano, de Hildegardes Gomes de Medeiros Borges e de suas respectivas defesas.
Gil Paraibano governou Picos em quatro mandatos
Gil Paraibano comandou a Prefeitura de Picos em quatro mandatos. Em sua última eleição vitoriosa, realizada em 2020, recebeu 21.531 votos, correspondentes a 51,96% dos votos válidos. O político do Progressistas administrou o município até dezembro de 2024. Naquele ano, tentou conquistar um novo mandato, mas foi derrotado pelo médico Pablo Santos, do MDB.
Fonte: Policia Civil
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