Política

TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO

PF exonera Wladimir Soares, condenado por planejar assassinato de Lula e Moraes

Decisão ocorre após condenação definitiva no STF e reforça desdobramentos das investigações sobre tentativa de golpe de Estado

Da Redação

Terça - 31/03/2026 às 10:52



Foto: Reprodução / Pragmatismo Político Wladimir Matos Soares
Wladimir Matos Soares

A Polícia Federal exonerou, nesta terça-feira (30), o agente Wladimir Matos Soares, condenado por participação em uma trama golpista que previa o assassinato de autoridades brasileiras, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Soares foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento em ações que buscavam impedir a consolidação do resultado das eleições de 2022 e promover uma ruptura institucional. Ele integrava um dos núcleos investigados por articular medidas para sustentar um golpe de Estado.

Áudios revelam ameaças e planejamento violento

As investigações da Polícia Federal reuniram áudios periciados que indicam a gravidade das intenções do grupo. Em uma das gravações, o então agente defende explicitamente a execução do ministro do STF, além de sugerir o uso de força letal contra adversários políticos.

O Alexandre de Moraes realmente tinha que ter tido a cabeça cortada quando ele impediu o presidente [Jair Bolsonaro] de colocar um diretor da Polícia Federal, o Alexandre Ramagem. Tinha que ter cortado a cabeça dele era aqui.

Nos registros, Soares também menciona a possibilidade de “matar meio mundo”, evidenciando o nível de radicalização e discutido entre os envolvidos.

Além disso, ele teria repassado informações sensíveis sobre a segurança presidencial a pessoas ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que agravou sua situação nas investigações.

Vazamento de informações e atuação em núcleo tático

Segundo a Polícia Federal, Soares fazia parte da equipe responsável pela segurança de autoridades durante a transição de governo em 2022. No entanto, ele teria utilizado essa posição para vazar dados estratégicos ao grupo investigado.

O ex-agente é apontado como integrante do chamado “núcleo 3” da trama golpista, formado majoritariamente por militares com treinamento especial, conhecidos como “kids pretos”. Esse grupo seria responsável pela execução tática do plano, incluindo ações como o monitoramento de autoridades e a possível eliminação de alvos.

Entre os nomes mencionados como possíveis alvos estava também o vice-presidente Geraldo Alckmin.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, uma tentativa de atentado contra Alexandre de Moraes chegou a ser cogitada, mas acabou não sendo levada adiante por falta de apoio do comando do Exército.

Não ia ter posse, cara. Nós não íamos deixar, mas aconteceu. E Bolsonaro faltou um pulso pra dizer: ‘não tenho general, tenho coronel, então vamos com os coronéis’. Era o que a tropa toda queria.

Defesa e contradições

Durante interrogatório, Soares negou as acusações e afirmou ser admirador do próprio ministro que teria ameaçado. Ele também criticou sua prisão, realizada no âmbito da Operação Contragolpe, em novembro de 2024.

Apesar da negativa, as provas reunidas — incluindo áudios e documentos — foram consideradas suficientes para a condenação.

Exoneração após decisão definitiva

A exoneração foi oficializada após o trânsito em julgado do processo, quando não há mais possibilidade de recurso. Com isso, Soares perde definitivamente o vínculo com a Polícia Federal.

Segundo os investigadores, o grupo discutia medidas extremas, como assassinatos, uso de explosivos e ataques armados, dentro de uma estratégia mais ampla de desestabilização institucional. As apurações também indicam a participação de agentes públicos e militares, além da disseminação de desinformação como parte do plano.

A exoneração do agente é mais um desdobramento dessas decisões e reforça o endurecimento das medidas contra servidores públicos que atuam contra o Estado Democrático de Direito.

Fonte: UOL e Metrópolis

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