INCLUSÃO
Da Redação
30 de abril de 2026 às 18:32 ▪ Atualizado há 1 hora
De acordo com o Censo do IBGE de 2022, o Piauí registra uma taxa de analfabetismo de 38,78% entre pessoas com deficiência de 15 anos ou mais, o maior índice entre todos os estados brasileiros. Enquanto isso, a taxa de analfabetismo entre pessoas sem deficiência no estado é de 12,64%. Essa disparidade acendeu o alerta na Universidade Federal do Piauí (UFPI), que está trabalhando em parceria com a Secretaria de Estado para Inclusão das Pessoas com Deficiência (Seid) para lançar o Observatório Piauiense de Pessoa com Deficiência. O núcleo será destinado a realizar estudos, diagnósticos e monitoramento da trajetória acadêmica desse público. A iniciativa é inédita no estado por sua abordagem qualitativa dos dados até então disponíveis apenas de forma bruta.
Os dados do Censo 2022 mostram que o Piauí tem a segunda maior proporção de pessoas com deficiência no país (9,3% da população), atrás apenas de Alagoas, e 12 dos 50 municípios brasileiros com maior concentração desse público estão no estado, casos de São José do Peixe (16,5%) e Canavieira (16,3%).

O observatório tem como foco prioritário identificar as causas do elevado índice de analfabetismo entre as pessoas com deficiência, analisar os processos de ingresso e permanência em ambientes escolares e avaliar as políticas públicas de acessibilidade já existentes. “Este observatório tem a pretensão de fazer um diagnóstico a partir dos dados brutos que nós já temos do IBGE, fazer uma qualificação desses dados, mapeando de acordo com a nossa região. Assim podemos fazer um levantamento local mais concreto e elaborar propostas aos gestores de municípios e ao Governo do Estado para que, a médio e longo prazo, nós possamos diminuir essa taxa de analfabetismo em pessoas com deficiência”, explicou Fábio Passos, coordenador de Inclusão, Diversidade, Equidade e Acessibilidade da UFPI.
A secretária de Estado para Inclusão das Pessoas com Deficiência (Seid), Helena de Lima, celebrou a parceria. “Este observatório é de grande alcance e estamos muito felizes em fazer parceria com a UFPI nessa missão de melhorar a vida das pessoas com deficiência. Vejo que o observatório trará resultados, principalmente na área da educação, alcançando pessoas com deficiência que ainda não tiveram a oportunidade de se alfabetizarem e crescerem por meio da educação”, afirmou.
Na prática, a criação do observatório representa um esforço conjunto de diferentes instituições. Entram como cooperadores na construção do projeto a Seid e, como parceiros, o Ministério Público do Piauí (MPPI), o Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PI), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí (Fapepi) e o próprio IBGE. A coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Promoção da Cidadania e Inclusão Social do MPPI, Marlúcia Gomes, ressaltou a importância dessa união. “Eu acredito que a união de forças dessas entidades em prol de um trabalho para a pessoa com deficiência vai ser boa para o estado do Piauí, principalmente quando a UFPI quer trabalhar na inclusão escolar. Se a pessoa com deficiência não tiver acesso à educação, é difícil que ela consiga ter acesso a outras políticas públicas”, ponderou.

O chefe da Seção de Disseminação de Informações do IBGE no Piauí, Eyder Mendes Vilanova, falou da contribuição prática do instituto. “O IBGE pode contribuir bastante para o observatório trazendo informações que serão matéria-prima para que todas as instituições possam discutir qual é a realidade das pessoas com deficiência no estado. Podemos compartilhar dados em relação à alfabetização, inclusive em nível municipal, para trazer suas reflexões em cima desse material.”
Além de qualificar os dados, o observatório deverá elaborar recomendações concretas para a melhoria das políticas de inclusão escolar, um passo necessário para reverter os alarmantes índices registrados no Censo 2022. A próxima etapa do projeto consiste em novas reuniões entre as instituições parceiras para definir o cronograma de trabalho e os primeiros diagnósticos a serem realizados.
Fonte: UFPI
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