Política

MPF E OITIVA A POVOS INDÍGENA

MPF cobra Assembleia do Piauí sobre oitiva a povos indígenas no zoneamento

Documentos sugerem adiamento da votação e realização de audiência pública

Teresinha Ferreira

04 de setembro de 2026 às 18:13 ▪ Atualizado há 15 minutos

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  • O MPF solicitou que a Alepi consulte povos indígenas e comunidades tradicionais antes de votar o projeto de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Cerrado.
  • A votação estava prevista para 8 de novembro; o MPF pediu adiamento e audiência pública.
  • A consulta prévia é exigida pela Convenção 169 da OIT, assegurando o direito das comunidades de serem ouvidas em medidas que as afetem.
  • O ZEE impacta 55 municípios e 64 territórios indígenas, quilombolas e tradicionais no Piauí.
  • O MPF considera as consultas realizadas pelo projeto vagas e insuficientes.
  • A falta de consulta pode comprometer a validade do zoneamento, essencial para decisões ambientais e de uso do solo.
  • Há falha significativa na ausência da Convenção 169 no parecer da CCJ.
  • Audiência pública não substitui a consulta, mas ajuda a entender melhor as preocupações das comunidades.
  • A decisão da Alepi sobre as sugestões do MPF influenciará o respeito aos direitos das comunidades.

Ministério Público Federal (MPF) Oitiva a povos indígenas no zoneamento
Oitiva a povos indígenas no zoneamento

O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) que consulte povos indígenas e comunidades tradicionais antes de votar o projeto de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) do Cerrado. A votação está prevista para terça-feira (8), mas o MPF enviou, na sexta-feira (4), ofícios pedindo audiência pública e adiamento da votação.

Conforme a nota técnica, enviada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a consulta é exigida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), garantindo o direito dessas comunidades de serem prévia e devidamente ouvidas sobre medidas que as afetem. A nota sugere que o projeto seja retirado da pauta enquanto o relator analisa as emendas apresentadas por deputados.

O ZEE proposto abrange 55 municípios no sul e sudoeste do Piauí, afetando 64 territórios de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O MPF destacou que, embora o projeto afirme ter consultado essas comunidades, as evidências de participação são vagas e insuficientes.

A falta de consulta prévia pode comprometer a validade do zoneamento, uma vez que este orientará, pelas próximas décadas, decisões sobre licenciamento ambiental e uso do solo. Além disso, a ausência de menção à Convenção 169 no parecer da CCJ é vista como uma falha significativa.

Patrício Noé da Fonseca, procurador regional dos direitos do cidadão no Piauí, ressaltou que a audiência pública não substitui a consulta, mas permite que a Assembleia entenda melhor as preocupações das comunidades. Ele destacou que a solicitação está respaldada pelo regimento interno da Assembleia, que prevê mecanismos de audiência pública para aprimorar o processo legislativo.

A Assembleia do Piauí terá que decidir se acata as sugestões do MPF e garante que os direitos das comunidades sejam respeitados antes de prosseguir com a votação do ZEE. Leia a íntegra da Nota Técnica nº 3/2026/PRDC/PR-PI.

Fonte: Ministério Público Federal (MPF)