Política

ENTREVISTA

Madalena Nunes, do PSOL, quer levar ao Senado a luta sindical e feminista no Piauí

Servidora pública e militante histórica, Madalena defende auditoria da dívida, fim do orçamento secreto e denuncia estrutura machista que exclui mulheres da política

Por Luiz Brandão

01 de setembro de 2026 às 15:35 ▪ Atualizado há 49 minutos

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  • A sub-representação feminina é preocupante na política do Piauí, com apenas duas mulheres entre 20 candidatos ao Senado em 2026.
  • Madalena Nunes, candidata pelo PSOL, critica a estrutura machista dos partidos e a distribuição desigual de recursos do Fundo Eleitoral.
  • A chapa do PSOL conta com uma composição majoritariamente feminina, incluindo mulheres negras e quilombolas.
  • Madalena propõe auditoria da dívida pública com participação social e combate ao orçamento secreto.
  • Apenas 22% das candidaturas ao Senado no Brasil são de mulheres, refletindo sub-representação em nível nacional.
  • O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representatividade feminina no parlamento.
  • Madalena vê a campanha como resistência frente às ameaças à democracia e ao avanço da extrema direita.

Vitória Macedo Madalena Nunes é candidata ao Senado pelo PSOL do Piauí
Madalena Nunes é candidata ao Senado pelo PSOL do Piauí

A corrida ao Senado no Piauí em 2026 tem um retrato preocupante da sub-representação feminina na política brasileira. Dos 20 candidatos registrados no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) para as duas vagas na Câmara Alta, apenas duas são mulheres: a servidora pública e sindicalista Maria Madalena Nunes (PSOL) e Jardênya Bezerra (Democrata). O número representa menos de 10% do total de postulantes ao cargo no estado.

Em entrevista ao portal Piauí Hoje, Madalena Nunes, que é servidora da Justiça Federal, com passagem pelo Judiciário estadual, traçou um panorama da exclusão feminina nos espaços de poder e defendeu propostas estruturantes para o país.

Madalena atribui a ausência de mulheres nas chapas majoritárias a uma "estrutura pesadamente machista, que glorifica o homem" e que se reproduz nos partidos, sindicatos e espaços de decisão. "Nós somos maioria do eleitorado, maioria da sociedade e continuamos sendo minoria em todos os espaços, seja executivo, seja legislativo, seja o Judiciário", afirmou.

A candidata criticou ainda a destinação desigual dos recursos públicos do Fundo Eleitoral: "Os homens que dirigem os partidos dão um jeito de destinar a maioria dos recursos para outros homens, de preferência esses que já estão ocupando espaços políticos há muito tempo — de preferência esses que já vêm como hereditariedade, carregam o mandato de bisavô ou de tataravô."

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Madalena Nunes em entrevista ao jornalista Luiz Brandão no estúdio do portal Piauí Hoje 

A força da bancada feminista do PSOL

Madalena Nunes integra uma chapa com composição majoritariamente feminina no PSOL. Além dela como titular ao Senado, a primeira suplente é Tina Ribeiro, mulher negra e quilombola da região de Floriano, e a segunda suplente é Maria Aires Chaves. O partido também lançou as candidaturas de Ana Brito e Wilma Carvalho a deputadas federais, e Ariana Monteiro a deputada estadual.

"Pretendemos alterar a correlação de força no Congresso, que está sendo dominado pela extrema direita", afirmou.

Propostas: auditoria da dívida e combate ao orçamento secreto

Na entrevista, Madalena defendeu pautas estruturantes para a economia e a transparência pública. Uma de suas principais bandeiras é a auditoria da dívida pública com participação social — tema que também abordou em entrevista ao Portal O Dia.

"O orçamento do país, em torno de 50%, é para pagar dívida pública — dívida que a gente não sabe para onde vai. Defendemos a auditoria da dívida com participação social porque é a nossa vida que está perecendo nas ruas", declarou. Segundo ela, o dinheiro público "vai para o bolso dos banqueiros, para quem já tem muito dinheiro, para a concentração aumentar ainda mais".

A candidata também classificou o orçamento secreto como "corrupção legalizada", um instrumento de perpetuação do poder das elites políticas. "Eles acham pouco o fundo eleitoral, o fundo partidário, que eles abocanham todo, e ainda criam o orçamento secreto. A gente precisa estar lá dentro para combater", afirmou.

Mulheres são minoria no Senado

Os números nacionais escancaram o mesmo problema. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, entre as 315 candidaturas ao Senado em todo o Brasil, apenas 69 são mulheres — 22% do total. Embora seja o maior número desde 2018 (quando foram 62 candidatas), a participação feminina ainda é baixa.

No Senado Federal, das 81 cadeiras, apenas 15 são ocupadas por mulheres (cerca de 18%). As mulheres representam 52,8% do eleitorado apto a votar e 51,5% da população brasileira, mas seguem sub-representadas. Em mais de 200 anos de existência do Senado, as mulheres não chegam a 5% do total de parlamentares que já passaram pela Casa.

O Brasil ocupa a 133ª posição no ranking global de representatividade feminina no parlamento e é o último lugar no Mercosul.

Resistência em tempos difíceis

"Essa batalha eleitoral também é uma forma de resistência", resumiu Madalena ao falar sobre a campanha.

A candidata destacou ainda que o país vive um cenário de ameaças à democracia e à soberania nacional, com a conjuntura internacional complexa e o avanço da extrema direita no Congresso. "Quem controla as ações do governo federal é o Congresso, a direita que especula, a direita que nos mata, a direita que retira direitos", declarou.

Veja a entrevista completa