CRISE DIPLOMÁTICA
Natalia Costa
03 de junho de 2026 às 11:32 ▪ Atualizado há 1 hora
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne sua equipe ministerial nesta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto, em Brasília. O encontro está marcado para as 10h e acontece em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e às recentes declarações envolvendo a família Bolsonaro.
Embora o governo federal não tenha divulgado oficialmente a pauta da reunião, a expectativa é de que o encontro sirva para alinhar estratégias e orientações à equipe ministerial antes do início das restrições previstas no calendário eleitoral de 2026.
Assista ao vivo:
Esta é a primeira reunião ministerial realizada desde a reforma promovida pelo governo em março deste ano.
Tarifaço dos EUA amplia tensão
A reunião ocorre após o governo dos Estados Unidos anunciar uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi sugerida após uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas brasileiras que poderiam restringir ou prejudicar o comércio com empresas norte-americanas.
Entre os temas citados pelo órgão estão o sistema de pagamentos Pix, questões relacionadas ao desmatamento ilegal, pirataria e a aplicação de leis anticorrupção.
Apesar da proposta de sobretaxa, o governo norte-americano apresentou uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, frutas, carne, aeronaves e minerais de terras raras.
Governo atribui medida à atuação da família Bolsonaro
Em nota oficial, o Palácio do Planalto manifestou indignação com a investigação e associou a iniciativa à atuação de integrantes da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.
Segundo o governo federal, a abertura da investigação comercial teria sido influenciada por articulações políticas realizadas por aliados do ex-presidente em Washington.
No comunicado, o Planalto afirmou que as ações representam uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil e criticou o que classificou como atuação contrária aos interesses nacionais.
Lula cobra diálogo com Trump
Durante compromissos públicos realizados na terça-feira (2), Lula voltou a comentar o tema e afirmou aguardar contato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir a questão.
Em evento realizado em Catalão (GO), o presidente brasileiro defendeu o sistema Pix e apareceu segurando um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil”.
Ao discursar, Lula mencionou a relação que teve com Trump em encontros anteriores e declarou esperar uma conversa para buscar uma solução negociada para o impasse comercial entre os dois países.
Declarações geram reação de Flávio Bolsonaro
Ainda durante agenda pública, Lula criticou a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação às discussões envolvendo os Estados Unidos.
Ao comentar o assunto, o presidente classificou os parlamentares como "traidores" e fez referência ao episódio histórico envolvendo Tiradentes e Joaquim Silvério dos Reis.
As declarações provocaram reação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que anunciou a intenção de acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio diz que pediu para EUA não taxarem empresas brasileiras
Em entrevistas recentes, Flávio Bolsonaro afirmou que solicitou ao presidente Donald Trump que evitasse a aplicação de tarifas contra empresas brasileiras.
Segundo o senador, o pedido foi feito durante encontro realizado nos Estados Unidos na semana passada.
Além disso, Flávio enviou uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, defendendo que eventuais sanções comerciais não sejam direcionadas ao Brasil.
No documento, o parlamentar argumenta que medidas econômicas mais duras poderiam prejudicar a população brasileira e afirma acreditar que poderá disputar a Presidência da República em 2026. O senador também manifestou disposição para negociar futuros acordos comerciais entre Brasil e Estados Unidos em uma eventual mudança de governo.
Fonte: CNN Brasil
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