Política

GOVERNO E JUSTIÇA

Governo vai ao STF contra PEC das aposentadorias especiais

Ministro diz que falta de compensação fiscal na PEC dos agentes de saúde motiva ação.

Teresinha Ferreira

15 de julho de 2026 às 02:25 ▪ Atualizado há 2 horas

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  • O governo federal planeja acionar o STF para bloquear os efeitos financeiros de uma PEC sobre aposentadorias de agentes de saúde e combate a endemias.
  • A PEC prevê regras especiais de aposentadoria sem indicar fontes de compensação fiscal, o que é exigido pela Constituição e pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • O impacto atuarial da PEC é estimado entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões em dez anos.
  • O governo busca diálogo com líderes legislativos para garantir respeito às normas fiscais.
  • A PEC foi aprovada no Senado em dois turnos.
  • A proposta estabelece novas regras de aposentadoria, como 25 anos de serviço e idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 para homens.
  • Atualmente, as regras seguem a reforma de 2019, exigindo comprovação de exposição a agentes nocivos.
  • O governo analisa a redação final da PEC antes de uma possível ação no STF.

Agência Brasil O ministro apontou que a PEC representaria um impacto atuarial estimado entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões
O ministro apontou que a PEC representaria um impacto atuarial estimado entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões

O governo federal vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar bloquear os efeitos financeiros da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias. A informação foi dada nesta terça-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo o ministro, o governo não pretende judicializar a questão caso a PEC inclua uma fonte de compensação fiscal. Ele destacou que a Constituição e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) exigem que novos benefícios previdenciários tenham receitas indicadas para compensar o impacto financeiro. "Se não houver fonte de receita conforme a jurisprudência do Supremo, é provável que o governo recorra ao STF", disse Durigan após reunião na Casa Civil.

O ministro apontou que a PEC representaria um impacto atuarial estimado entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões nos próximos dez anos, segundo cálculos governamentais. Estes valores consideram a diminuição das contribuições previdenciárias e a antecipação dos benefícios pelas novas regras de aposentadoria. O custo pode aumentar com a revisão de aposentadorias já concedidas.

Durigan afirmou que está dialogando com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), para garantir que propostas de alto impacto fiscal respeitem a legislação vigente e os princípios do equilíbrio fiscal. Ele reiterou a preocupação em manter as contas públicas equilibradas.

Apesar das preocupações do governo, a PEC passou em dois turnos no Senado. A proposta estabelece um regime de aposentadoria diferenciado para os agentes de saúde, que inclui aposentadoria após 25 anos de serviço e idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens, além de regras de transição.

Atualmente, as regras de aposentadoria para esses agentes seguem a reforma previdenciária de 2019, que demanda comprovação de exposição a agentes nocivos. Com a aprovação sem compensação financeira, o governo examina a redação final antes de formalizar a ação no STF.

Fonte: Agência Brasil