Política

VERBAS PÚBLICAS

Entidades ligadas a filme de Bolsonaro receberam R$ 184 milhões em dinheiro público

Instituto Conhecer Brasil e Academia Nacional de Cultura receberam pelo menos R$ 133,18 milhões em pagamentos; contratos e emendas são investigados por suspeitas de irregularidades

Por Redação

27 de outubro de 2026 às 11:34 ▪ Atualizado há 27 minutos


Foto: Divulgação/Dark Horse Imagem de divulgação do filme Dark Horse
Imagem de divulgação do filme Dark Horse

O Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades presididas pela empresária Karina Ferreira da Gama, acumulam R$ 184,76 milhões em contratos, patrocínios e emendas parlamentares com recursos públicos. As instituições são ligadas à proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Do valor total identificado em levantamento publicado pelo G1, pelo menos R$ 133,18 milhões já foram pagos. O restante corresponde a emendas retidas e parcelas contratuais cujo pagamento ainda não foi confirmado.

A Polícia Federal, a Polícia Civil e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam possíveis irregularidades na destinação desses recursos, incluindo a suspeita de que dinheiro proveniente de projetos públicos e emendas parlamentares possa ter sido utilizado na produção cinematográfica. A existência dos contratos, porém, não comprova que o filme tenha sido financiado com verbas públicas.

Prefeitura de São Paulo concentra maior contrato

A maior parcela dos recursos está relacionada a uma parceria firmada pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil, em junho de 2024. Inicialmente estimado em R$ 108 milhões, o acordo previa a instalação de 5 mil pontos de internet sem fio em comunidades vulneráveis. Posteriormente, um aditivo elevou o valor para R$ 157,18 milhões.

Até maio de 2026, foram pagos R$ 113,9 milhões para a instalação de 3,2 mil pontos. Um relatório da Polícia Civil apontou divergências entre os valores repassados e os serviços executados: em determinado período, os serviços equivaleriam a R$ 43 milhões, enquanto os pagamentos chegaram a R$ 69 milhões. A diferença de R$ 26 milhões é objeto de investigação.

Após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o bloqueio de verbas destinadas às entidades, a prefeitura interrompeu os repasses e solicitou prazo para substituir o instituto e manter o serviço. Em nota, a administração municipal afirmou não ter identificado irregularidades na contratação nem repasses de recursos municipais para o filme. A Controladoria-Geral do Município instaurou apuração em maio de 2026.

Emendas parlamentares também estão sob apuração

Além do contrato de conectividade, o Instituto Conhecer Brasil possui R$ 7,15 milhões em outros compromissos com o município, incluindo patrocínios a eventos educacionais e tecnológicos.

Entre os demais recursos identificados estão R$ 11,98 milhões repassados pelo Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) entre 2017 e 2019. Auditorias da CGU apontaram possíveis sobrepreços em projetos financiados pela entidade. Em 2023, o Sesi ajuizou nove ações para tentar recuperar cerca de 70% do total concedido.

O levantamento também identificou R$ 5 milhões destinados pelo governo do Distrito Federal a um projeto de transformação digital nas escolas e R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para o ICB.

Nesse último caso, o Ministério da Ciência reprovou a prestação de contas do projeto Jovem Empreendedor 4.0, de R$ 1 milhão, e exigiu a devolução integral do valor por falta de comprovação dos treinamentos previstos. A Polícia Federal também investiga uma transferência de R$ 750 mil feita por uma fornecedora do convênio à produtora Go Up. Mario Frias negou irregularidades.

A Academia Nacional de Cultura recebeu R$ 200 mil para a obra Heróis Nacionais, por meio de emenda do deputado estadual Gil Diniz (PL-SP). Outros valores previstos para o mesmo projeto não foram liberados por falta de comprovação de direitos autorais.

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo analisa as contas referentes a 2025, enquanto o Tribunal de Contas da União confirmou uma auditoria para verificar eventual uso indevido de recursos públicos, emendas e benefícios fiscais na produção do filme sobre Bolsonaro. As apurações seguem em andamento.

Fonte: Brasil 247



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