Política

INVESTIGAÇÃO

E-mails indicam que Flávio Bolsonaro dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mencionam conta vinculada a empresa de advogado investigado por suspeita de lavagem de dinheiro

Da Redação

10 de outubro de 2026 às 09:57 ▪ Atualizado há 45 minutos

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  • E-mails indicam que Flávio Bolsonaro teria acesso a conta vinculada a empresa de advogado investigado.
  • A conta estava ligada à Alcazar Holdings, associada a lavagem de dinheiro.
  • Polícia Federal investiga a necessidade de aprofundar as movimentações financeiras do advogado.
  • Advogado Willer Tomaz é investigado por desvios em aposentadorias do INSS.
  • A Operação Sem Desconto investiga desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.
  • PF identificou voos pagos para Flávio Bolsonaro e familiares por empresas ligadas a Tomaz.
  • Flávio Bolsonaro nega ter conta bancária com vínculo a Tomaz e classifica acusações como falsas.
  • Tomaz afirma que a relação com Flávio é apenas de amizade e contesta as acusações.
  • As suspeitas não comprovam por si só a participação de Flávio nas fraudes.

Agência Senado Senador Flávio Bolsonaro disputa o cargo de presidente da República nas eleições de 2026
Senador Flávio Bolsonaro disputa o cargo de presidente da República nas eleições de 2026

E-mails obtidos pela Polícia Federal (PF) durante a investigação sobre descontos indevidos em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, teria tido acesso a uma conta bancária vinculada a uma empresa do advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. As informações foram divulgadas pelo UOL neste sábado (10).

Segundo a reportagem assinada por Fábio Serapião e Natália Portinari, as mensagens foram encontradas em documentos armazenados no iCloud de Tomaz e trocadas entre integrantes de seu escritório e o banco Santander.

Em um e-mail enviado em 22 de maio de 2025, uma funcionária do advogado solicitou ao banco a exclusão de uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro do conjunto de usuários vinculados ao chamado “usuário master”. No mesmo dia, o Santander confirmou a exclusão.

A conta estava relacionada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio. De acordo com o UOL, a empresa aparece entre as companhias do advogado citadas na investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

O sistema bancário permite que diferentes usuários tenham acesso a uma conta empresarial, com permissões distintas para realizar operações. A Polícia Federal apontou a necessidade de aprofundar a apuração das movimentações financeiras do advogado e de suas empresas, além de possíveis relações com agentes públicos.

Advogado é investigado em caso de desvios no INSS

Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em agosto, no âmbito da investigação sobre desvios de recursos de aposentadorias e pensões. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro que teria sido desviado para beneficiar o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado.

Conforme a reportagem, a PF identificou empresas, escritórios, imóveis, aeronaves e outros recursos ligados ao advogado que, segundo a investigação, poderiam funcionar como uma estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico a beneficiários do esquema.

A Operação Sem Desconto investiga descontos associativos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. A apuração estima desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

Investigação também identificou voos em jatos executivos

Além dos e-mails sobre a conta bancária, a PF identificou pagamentos de voos em jatos executivos para Flávio Bolsonaro e familiares por duas empresas ligadas ao advogado, a Alcazar Holdings e a Cathedral Holdings, ambas sediadas em Portugal.

Segundo o UOL, os deslocamentos ocorreram em 2024 e 2025. Tomaz afirmou que os passageiros viajaram como convidados e que um dos trechos foi pago com horas de voo de sua própria cota na aeronave.

A reportagem também menciona que Flávio e Tomaz mantêm uma relação de amizade. Os dois viajaram juntos para a África em março de 2025, e o senador já utilizou aeronave e imóvel ligados ao advogado, conforme informações reunidas pelo UOL.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz

Em nota ao UOL, Flávio Bolsonaro negou ter mantido conta bancária cujo usuário master fosse Willer Tomaz ou alguma empresa ligada ao advogado. O senador classificou as informações como falsas e afirmou que a divulgação teria motivação eleitoral. Também negou ter criado usuário no sistema Rede Loto.

A defesa de Tomaz afirmou que a conta mencionada na reportagem nunca pertenceu ao advogado e que ele jamais criou usuário em nome do senador em qualquer plataforma. Segundo a nota, a relação entre os dois é de amizade, sem vínculo comercial ou financeiro.

O advogado também contestou as informações divulgadas e afirmou que adotará medidas judiciais contra quem divulgar acusações que considera falsas.

As informações sobre a conta e os demais vínculos integram uma linha de investigação. As suspeitas relatadas não equivalem, por si só, à comprovação de participação de Flávio Bolsonaro nas fraudes investigadas.

Fonte: Fábio Serapião e Natália PortinarI / Uol