PARLAMENTARES

Bancada federal critica Bolsonaro por convocar ato contra a democracia

Governador Wellington Dias também se manifestou contrário à atitude do presidente Bolsonaro


Parlamentares do Piauí que atuam em Brasília

Parlamentares do Piauí que atuam em Brasília Foto: Montagem Piauihoje.com

De acordo com o site BR Político, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, divulgou pelo menos dois vídeos em grupos de WhatsApp diretamente de seu celular pessoal convocando a população brasileira para manifestações de apoio a ele e contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para o dia 15 de março.

O Piauihoje.com entrou em contato com os representantes do Piauí na Câmara e no Senado Federal para entender o que pensam os deputados federais e senadores sobre a atitude do presidente e quais riscos a decisão pode acarretar para a democracia brasileira.

Para a deputada Rejane Dias (PT), oposicionista ao governo federal, qualquer tentativa de ataque à democracia deve ser combatida. “A democracia é soberana. Qualquer tentativa de fissura deve ser repelida. Quando essa tentativa parte de um presidente da República é algo mais grave ainda, que precisa sofrer reparações proporcionais ao dano moral causado às instituições”, disse.

Já Iracema Portela (PP), cujo partido tem sido aliado de primeira hora e decisivo nas aprovações de projetos enviados à Câmara pelo Governo Federal, disse estar alerta no tocante ao respeito às instituições democráticas do Brasil. A parlamentar também ressaltou a importância de evitar conflitos entre as instituições legislativas e executivas do país.

"O Congresso Nacional é o maior símbolo da democracia em nosso país, enquanto parlamentar vejo como essencial tentarmos evitar um conflito. O Estado democrático permite que haja manifestações, mas é importante respeitar o limite dos respeitos às instituições, estamos alerta quanto a isso", afirmou.

Mais enfático em seu posicionamento, o deputado federal Assis Carvalho afirmou que o presidente não possui preparo para o cargo que ocupa, não possui políticas públicas e que por isso cria factoides diariamente com o objetivo de tirar o foco da população sobre suas ações frente à presidência da República.

“Essa manifestação do presidente Bolsonaro é uma agressão ao estado democrático de direito. Mais uma vez o presidente se mostra despreparado para o cargo, pois quando ele jura definições da Constituição, ele mesmo agride a Constituição Brasileira. Espero que o parlamento e o STF tomem as providências devidas. É uma pessoa despreparada, não tem condições de conduzir o país, e como não tem nenhuma política justificável, fica criando factoides todo dia para desviar a atenção do povo brasileiro. Espero que nossa democracia mostre que está consolidada e não aceite que qualquer pessoa totalitária, fascista venha destruir nosso estado democrático.

O Piauihoje.com também entrou em contato com o deputado federal Flávio Nogueira (em litígio com o PDT), o suplente Merlong Solano (PT), a deputada Margarete Coelho (PP) e os senadores Marcelo Castro (MDB) e Elmano Férrer (PODEMOS), que não se manifestaram sobre o caso até o fechamento desta publicação. A assessoria de comunicação do deputado federal licenciado Fábio Abreu (PL) informou que ele não irá se manifestar sobre o caso.

GOVERNADOR

O governador Wellington Dias também se posicionou contra a atitude de Bolsonaro e afirmou não ter acreditado assim que soube da notícia. Dias defende a harmonia e o diálogo entre os poderes.

“Confesso que no mundo dos Fakes News, eu não acreditei quando chegou a mim a informação que o Presidente da República Jair Bolsonaro estaria convocando uma manifestação contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.  Não consigo imaginar que eu ou qualquer governador possamos organizar manifestação contra o parlamento e o judiciário. Acredito que se a Constituição prevê a obrigação da harmonia entre os poderes, não pode ser letra morta. Tem uma razão de ser”, disse.

ALEPI

O caso também repercutiu na Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi), onde o deputado estadual Francismo Limma repudiou o vídeo compartilhado pelo presidente Bolsonaro. "Essas ações são gravíssimas, principalmente vindo de um presidente que jurou cumprir a nossa Constituição. É crime de responsabilidade o chefe maior da nação convocar o povo e pedir o fechamento do Congresso Nacional e do STF. É de uma gravidade sem precedentes”, avaliou Limma.

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