VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO
Teresinha Ferreira
10 de outubro de 2026 às 09:40 ▪ Atualizado há 3 horas
Relatórios de organizações sociais e fontes governamentais indicam um aumento significativo nos casos de violência política de gênero neste mês, durante as eleições de 2026. Este aumento ocorreu justamente quando é celebrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, no sábado (10).
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de processos relacionados a este tipo de violência cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026, passando de 15 para 177 casos.
Diversos episódios de violência política foram documentados. Um levantamento das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global revelou que ocorreram 134 incidentes durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), sendo que 70 das vítimas eram mulheres, representando 52,2% dos casos.
Mulheres pretas e pardas foram as mais afetadas por essas violências. Das 1.564 denúncias de violência política registradas entre janeiro e agosto de 2026 pelo Disque 180, mais de 53% (842 denúncias) foram relatadas por essas mulheres.
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) é um exemplo de vítima de ameaças de morte e violência sexual, sendo sua segurança reforçada após esses ataques. Ela foi a deputada mais jovem eleita na história do Brasil, com 524.219 votos.
De acordo com Sandra Kennedy, do Ministério das Mulheres, a violência política contra mulheres reflete questões estruturais mais amplas de misoginia e feminicídio.
Outros casos notórios incluem o assassinato de Marielle Franco em 2018 e as agressões verbais e físicas sofridas por diversas parlamentares ao longo dos anos.
Fonte: Agência Brasil