O ano de 2025 ficou marcado no Brasil como o que registrou o maior número de feminicídios da série histórica, com média de quatro mulheres assassinadas por dia em todo o país. Segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram contabilizados 1.470 casos ao longo do ano, superando os números de 2024, quando foram registrados 1.457 mortes.
Os dados representam uma tragédia contínua que evidencia um problema estrutural de violência de gênero no Brasil. A taxa nacional ficou em 0,69 feminicídio por 100 mil habitantes, mesma assinalada nos últimos anos, mas com o maior contingente de vítimas já registrado desde que a Lei do Feminicídio foi sancionada, em 2015.
Vítimas por UF em 2025:
- SP – 232
- MG – 139
- BA – 103
- RJ – 102
- PR – 87
- PE – 83
- RS – 79
- PA – 63
- MT – 53
- GO – 52
- SC – 52
- MA – 50
- CE – 47
- PI – 38
- ES – 34
- PB – 32
- MS – 31
- AL – 29
- DF – 28
- RO – 25
- AM – 19
- RN – 19
- TO – 19
- SE – 15
- AC – 14
- AP – 9
- RR –7
Recorte no Nordeste
No ano passado, o Nordeste registrou 416 vítimas de feminicídio, o que representa uma média de uma mulher assassinada por dia na região. A distribuição mensal dos casos revela oscilações ao longo do ano, com picos em abril (45 vítimas) e fevereiro (42), enquanto o menor número foi registrado em julho (23). Após a queda no meio do ano, os registros voltaram a crescer no último trimestre, com destaque para novembro (37) e outubro (34), indicando que a violência letal contra mulheres se mantém de forma persistente, sem apresentar reduções sustentadas ao longo dos meses.
Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública
Piauí entre os estados com maiores taxas proporcionais
No Piauí, os números também chamam atenção. O estado está entre os cinco com maior taxa de feminicídios do nordeste em 2025, com 2,20 casos a cada 100 mil habitantes. Foram registradas 38 mulheres vítimas de feminicídio no período, ainda com possibilidade de variações à medida que os dados são refinados e atualizados pelas autoridades.
Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública
Esse índice coloca o Piauí próximo a estados do Norte e Centro-Oeste que lideram as taxas proporcionais, como Acre, Rondônia, Mato Grosso e Tocantins.
Perfil dos casos no Piauí:
Relatórios da Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) apontam características preocupantes dos feminicídios ocorridos no estado entre 2022 e 2025. No período, foram registrados 182 casos, apenas 10% das vítimas possuíam medida protetiva de urgência no momento do crime. Além disso, menos de 13% haviam registrado boletim de ocorrência contra seus agressores antes de serem assassinadas.
Outros dados reforçam o cenário de vulnerabilidade das vítimas antes do crime: mais de 87% das mulheres assassinadas não haviam formalizado denúncia prévia contra o agressor. Os levantamentos também indicam que a maioria dos feminicídios ocorre dentro da própria residência e que, em 68% dos casos, a vítima foi morta por companheiro ou ex-companheiro.
Causas, desafios e respostas institucionais
Representantes da SSP-PI reforçam que a falta de registros formais de violência e o baixo uso de medidas protetivas contribuem para a fragilidade da prevenção de feminicídios no estado. Segundo o delegado João Marcelo Brasileiro de Aguiar, gerente da Gerência de Análise Criminal e Estatística da SSP-PI, a ideia é fortalecer, através de inteligência e dados confiáveis, a atuação da Secretaria frente aos outros órgãos de proteção no estado e garantir que mulheres em risco tenham acesso rápido e eficaz às medidas de proteção, de modo a prevenir que a violência escale para "tragédias irreversíveis".
No contexto nacional, embora existam leis como a Lei Maria da Penha e a tipificação específica do feminicídio no Código Penal, a implementação de políticas públicas efetivas e a garantia de proteção e acolhimento ainda enfrentam desafios estruturais — como rede de atendimento insuficiente e baixa confiança de vítimas em procurar ajuda.
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