ESPETÁCULO

Operação da PF no Piauí é abuso de autoridade e retaliação de Bolsonaro, diz nota do PT

A Polícia Federal retomou as operações midiáticas e, agora, sempre contra políticos de oposição ao Governo Bolsonaro


A presidente do PT, deputada federal Gleise Hoffman

A presidente do PT, deputada federal Gleise Hoffman Foto: Agência Brasil

Numa ação que denota ofensiva típica de perseguição política do Governo Bolsonaro aos governadores de oposição a ele,  a Polícia Federal fez buscas na casa do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), no gabinete da primeira-dama e deputada Rejane Dias (PT), em Brasília, na casa do irmão da deputada, em empresas e na sede da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), em Teresina.

A chamada "Operação Topic" foi requentada e diz respeito a fatos que teriam ocorrido em 2013, quando Wellington Dias não era governador. De acordo com a PF, servidores públicos e empresários teriam se associado para superfaturar contratos de transporte escolar. 

Não é primeira vez que a PF faz a mesma busca na Secretaria de Educação. Essa é a terceira vez que a PF realiza esse tipo de ação dessa mesma operação. Agora, no entanto,  incluiu a casa onde mora o filho do governador e da deputada. 

Nota da Seduc 

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação, Seduc, afirma que está "colaborando plenamente com a investigação em curso da Polícia Federal e sempre se colocou à total disposição dos órgãos de controle para esclarecer quaisquer questionamentos, visando a transparência e o correto funcionamento da administração pública". 

Rejane Dias: Estou tranquila e de consciência limpa

Palavra da deputada

A deputada federal Rejane Dias, do PT, que como o marido,  são alvos político da ação,  disse que "recebe com tranquilidade os desdobramentos da referida Operação" e que está à disposição para esclarecer o caso. "Durante seu exercício à frente da Secretaria de Educação, a parlamentar sempre se portou em observância às Leis, tendo em vista a melhoria dos índices educacionais e a ampliação do acesso à educação dos piauienses".

Segundo a PF, entre 2015 e 2016, servidores da cúpula administrativa da Seduc teriam se associado a empresários do setor de locação de veículos e desviado, no mínimo, R$ 50 milhões de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE).

Governador Wellington Dias lança nota

Em resposta ao que chama de espetáculo,  o governador Wellington Dias também lançou nota para protestar contra a ação da Polícia Federal. A seguir a nota do governador:

"Mais um espetáculo em nome de investigação. Desta operação já é o terceiro espetáculo, um processo que vem de 2013, quando eu nem era governo, em contratos que seguia um padrão nacional, pagamento por quilômetro rodado. 

Quando a Secretária Rejane assumiu a secretaria da Educação em 2015, tinha que começar as aulas em fevereiro, os contratos estavam vencendo e, com base em parecer técnico e na lei, considerando a necessidade de não prejudicar aos alunos que precisavam de transporte escolar, foi renovado o contrato, dando tempo para nova licitação e novos contratos. Fizemos uma mudança que hoje é modelo para outros Estados e municípios, em que passamos a pagar por aluno transportado, como se paga uma passagem de ônibus.

Neste caso, como diz o processo, o Estado seria vítima, alegação é que algum contratado pudesse cobrar uma quantidade de km rodado maior que o tamanho das rotas. 

Fica mais ridícula e desnecessária por que estamos falando de um fato de 2013, com operação em 2020, quando a ex Secretaria da Educação, hoje deputada federal, se prontificou a colaborar, por duas vezes nos últimos meses se colocou a disposição para prestar depoimento, para repassar todo e qualquer documento ou equipamento que precisar, fez questão de registrar assim, e foi dito que não era possível ela depor agora por que tinha  a pandemia e estavam suspensos os depoimentos.  

A operação na Câmara, na casa onde hoje quem mora é nosso filho e família, que nunca trabalharam para o estado. Ele é médico e salvando vidas pegou coronavirus... o espetáculo está feito. Ela afirma que a vida inteira agiu na forma da lei, está com a consciência tranquila, pronta para colaborar, e espera agora o direito de ser ouvida.
Acho eu que, infelizmente, muitos espetáculos ainda virão. Ainda bem que temos a lei de abuso de autoridade e estamos tratando com advogados sobre isto".

Wellington Dias: espetáculo e retaliação política do Governo Bolsonaro 

Operação com cara de retaliação política 

É estranho que um fato que teria sido ventilado em 2013 só agora seja investigado e mais uma ação policial midiática seja colocada em prática com forma de tentar desmoralizar agentes públicos políticos. Também chama atenção que a Polícia Federal venha desencadeando operações nos estados onde os governadores sejam de oposição ao Governo Bolsonaro. 

Operação da PF no Piauí é abuso de autoridade

Em nota, a presidenta Gleisi Hoffmann e o líder Enio Verri condenam a perseguição política promovida contra o governador Wellington Dias e a deputada Rejane Dias. “A invasão das residências do governador e de seus familiares pela Polícia Federal, além da tentativa ilegal de invadir o gabinete da deputada Rejane, é uma notória operação midiática de perseguição e destruição de imagem pública", diz a nota. 

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