Polícia

COMPRA FANTASMA

Polícia desmantela esquema de golpes digitais que fez mais de 100 vítimas no Piauí

Criminosos fingiam pagar por produtos anunciados na internet ou se passavam por consultores de investimentos

Da Redação

25 de agosto de 2026 às 09:49 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Mais de 100 piauienses foram vítimas de fraudes eletrônicas, com perdas superiores a R$ 1 milhão.
  • A Polícia Civil do Piauí realizou as operações “Compra Fantasma” e "Miragem Financeira" para desmantelar esses esquemas.
  • Foram cumpridos mais de 40 mandados judiciais, com a colaboração das Polícias Civis de Minas Gerais e São Paulo.
  • Na "Compra Fantasma", criminosos fingiam comprar produtos online, usando e-mails falsos para enganar vendedores.
  • Na "Miragem Financeira", golpistas prometiam falsos investimentos, usando aplicativos e perfis falsos de consultores.
  • Os grupos operavam em vários estados para dificultar a identificação dos envolvidos.
  • Dicas para evitar golpes incluem verificar sempre o recebimento do pagamento antes de entregar produtos e desconfiar de promessas de investimentos com altos retornos.
  • Importante conferir se empresas e profissionais têm registro em órgãos como CVM e Banco Central.

SSP-PI Equipes cumprem mandados nas operações Compra Fantasma e Miragem Financeira
Equipes cumprem mandados nas operações Compra Fantasma e Miragem Financeira

A promessa de uma venda concluída ou de um investimento capaz de multiplicar o dinheiro terminou em prejuízo para mais de 100 piauienses. Nesta terça-feira (25), a Polícia Civil do Piauí deflagrou duas operações contra grupos especializados em fraudes eletrônicas e descobriu esquemas que, juntos, provocaram perdas superiores a R$ 1 milhão.

Batizadas de “Compra Fantasma” e “Miragem Financeira”, as operações foram realizadas pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), com apoio da Superintendência de Operações Integradas (SOI), da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, e das Polícias Civis de Minas Gerais e São Paulo.

Ao todo, foram cumpridos mais de 40 mandados judiciais, entre prisões temporárias e buscas e apreensões. As ordens foram expedidas pela Central de Inquéritos da Comarca de Teresina.

As investigações mostram que os criminosos utilizavam estratégias diferentes, mas tinham o mesmo objetivo: convencer as vítimas de que estavam diante de uma negociação legítima para, depois, ficar com o dinheiro ou com os produtos.

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Na Operação Compra Fantasma, os criminosos monitoravam anúncios de produtos usados publicados em plataformas como Mercado Livre e OLX. Depois de encontrar uma oferta, entravam em contato com o vendedor fingindo estar interessados na compra.

Os suspeitos enviavam e-mails falsos que simulavam a confirmação de uma transação, fazendo o vendedor acreditar que o dinheiro já havia sido pago. Sem conferir a movimentação diretamente na conta bancária, a vítima entregava o produto.

Em alguns casos, a retirada era feita por motoristas de aplicativo, que buscavam a mercadoria no endereço do vendedor sem necessariamente saber que estavam sendo utilizados no esquema.

Depois, os produtos eram repassados para colaboradores locais e revendidos. Segundo a investigação, a divisão do dinheiro seguia uma espécie de “comissão” criminosa: 70% ficavam com o líder do grupo e 30% com a pessoa responsável por receber a mercadoria.

Na prática, a vítima acreditava ter realizado uma venda, mas descobria posteriormente que nunca havia recebido o pagamento.

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Falso investimento fazia vítimas transferirem dinheiro por PIX

O segundo esquema investigado pela Polícia Civil funcionava de maneira diferente, mas também explorava a confiança das vítimas.

Na Operação Miragem Financeira, os criminosos entravam em grupos de aplicativos de mensagens e abordavam possíveis vítimas utilizando perfis falsos de consultores de investimentos.

Para dar aparência de legitimidade ao golpe, eles utilizavam indevidamente o nome de uma instituição financeira conhecida.

As vítimas eram convencidas a instalar um aplicativo falso de corretora, que simulava operações e investimentos. A partir daí, recebiam orientações para realizar transferências via PIX para empresas de fachada controladas por pessoas usadas como intermediárias no esquema.

O dinheiro era enviado acreditando que estava sendo aplicado em investimentos. O problema era que a corretora não existia e os valores não eram destinados a nenhuma aplicação legítima.

A fraude só era percebida quando as vítimas tentavam resgatar o suposto investimento ou percebiam que não conseguiam mais contato com os falsos consultores.

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Investigação atravessou três estados

Para chegar aos suspeitos, a Polícia Civil reuniu informações obtidas a partir de dados de inteligência, provedores de aplicativos e instituições financeiras.

As investigações também demonstraram que os grupos não estavam concentrados em apenas uma cidade. Os criminosos atuavam de maneira pulverizada e utilizavam pessoas e estruturas em diferentes estados para dificultar a identificação dos responsáveis.

Por isso, a operação desta terça-feira contou com a participação das Polícias Civis do Piauí, Minas Gerais e São Paulo.

Segundo a Polícia Civil, somente no Piauí já foram identificadas mais de 100 vítimas dos dois esquemas.

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Como evitar cair nos golpes

A Polícia Civil alerta que alguns cuidados simples podem impedir que uma negociação aparentemente normal termine em prejuízo.

No caso de vendas pela internet, a orientação é não confiar em e-mails, prints ou mensagens que indiquem que o pagamento foi realizado. O vendedor deve conferir o dinheiro diretamente no aplicativo ou no site oficial do banco antes de entregar o produto.

Também é importante desconfiar de compradores que tentem retirar a negociação das plataformas oficiais ou pressionem pela entrega rápida da mercadoria.

Para investimentos, o alerta é ainda maior diante de ofertas que prometem retornos muito acima do que é praticado normalmente no mercado.

Antes de transferir qualquer valor, a recomendação é verificar se a empresa e o profissional realmente possuem registro nos órgãos competentes, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil.

A principal regra é simples: se o dinheiro ainda não apareceu na sua conta, a venda não foi paga — e se uma proposta de investimento parece boa demais para ser verdade, é preciso desconfiar antes de fazer qualquer PIX.

Fonte: Polícia Civil do Piauí