Quase 15 anos depois a morte da estudante de Direito Fernanda Lages, a perícia oficial voltou a reafirmar que a jovem morreu por suicídio. A declaração foi feita pelo perito criminal Antônio Nunes, chefe do Departamento de Polícia Científica do Piauí - DEPOC/PI, em entrevista ao Podcast Papo de Jaleco, comandado pela jornalista Malu Barreto no portal Piauí Hoje. Nunes garantiu que não há indícios de participação de outras pessoas no caso.
Segundo o perito, todas as análises técnicas apontam que Fernanda caiu de uma altura de cerca de 30 metros dentro da obra do Ministério Público Federal (MPF), onde foi encontrada, sem sinais de agressão antes da queda. Ele também afirmou que as lesões identificadas no corpo são compatíveis com o impacto e que não há evidências de luta corporal.
O perito Antônio Nunes comentou sobre a pressão enfrentada pela perícia na épocaO caso aconteceu na madrugada de 25 de agosto de 2011, quando Fernanda Lages, então com 19 anos, foi encontrada morta no canteiro de obras da nova sede do Ministério Público Federal, na zona leste de Teresina. A morte causou grande comoção no Piauí e rapidamente se tornou um dos casos mais marcantes do estado.
Desde o início, surgiram duas versões diferentes sobre o que teria acontecido. A Polícia Civil e, depois, a Polícia Federal apontaram que a morte pode ter sido resultado de suicídio ou queda acidental. Já o Ministério Público e a família da jovem sempre defenderam que ela foi vítima de homicídio.
PF afirma que imagens e testemunhos indicaram que Fernanda entrou sozinha na obraAs investigações da Polícia Federal, concluídas em 2012, reuniram uma série de elementos que reforçaram a tese de suicídio. Entre eles, imagens e testemunhos indicando que Fernanda entrou sozinha na obra, além de exames que apontaram presença de álcool e medicamentos no organismo. A avaliação pericial também concluiu que as fraturas foram causadas pela queda, sem sinais de violência anterior.
Mesmo assim, o Ministério Público contestou esses resultados. Promotores à época afirmaram que as marcas no corpo indicavam que Fernanda poderia ter sido arrastada e jogada do alto do prédio. A família também rejeitou a hipótese de suicídio, argumentando que a jovem tinha uma vida ativa, planos para o futuro e não apresentava sinais de depressão.
O perito Antônio Nunes durante a entrevista para a jornalista Malu Barreto, no estúdio do portal Piauí Hoje Ao longo dos anos, o caso teve momentos de tensão e reviravoltas. Em 2011, quatro pessoas chegaram a ser presas sob suspeita de omissão de informações, incluindo vigias da obra, mas nenhuma foi denunciada por homicídio e todas acabaram sendo soltas. Em 2014, uma nova tentativa de esclarecer o caso foi feita com a elaboração de um laudo de autópsia psicológica, que buscava analisar o estado emocional de Fernanda. No entanto, o estudo não foi suficiente para mudar as conclusões das investigações oficiais.
Na entrevista, Antônio Nunes também comentou sobre a pressão enfrentada pela perícia na época. Segundo ele, desde os primeiros dias após a morte, os laudos técnicos já apontavam para a ausência de crime, mas essa interpretação não foi aceita por todos os envolvidos.
Mesmo com a reafirmação da perícia, o caso continua sem consenso. De um lado, a polícia sustenta a conclusão baseada em exames e análises técnicas. Do outro, a família e representantes do Ministério Público seguem defendendo que houve crime. Um episódio marcado por divergências, dúvidas e pela ausência de uma resposta que seja aceita por todos.
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