Polícia

GOLPE FINANCEIRO

Chico Trader nunca operou na bolsa e enganava clientes com vídeos falsos, diz delegado

Segundo a Polícia Civil, trader recebia dinheiro de investidores, mas não realizava operações na B3; vítimas chegaram a entregar valores destinados à compra de casas

Da Redação

26 de agosto de 2026 às 13:48 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico Trader, nunca realizou operações na bolsa, apesar de prometer investimentos às vítimas.
  • A investigação revela que desde o início, o esquema era um golpe, usando falsas promessas para enganar os investidores.
  • A B3 informou que Chico não realizava operações no mercado financeiro.
  • Embora o dinheiro fosse enviado a uma corretora, ele nunca era realmente investido; as movimentações serviam para dar uma falsa impressão de atividade.
  • Vítimas chegaram a entregar dinheiro destinado a fins pessoais, como a casa de uma filha, acreditando nas promessas falsas.
  • Vídeos falsificados foram usados para convencer as vítimas de que os investimentos eram reais.
  • Chico e sua companheira, que está foragida, foram indiciados por diversos crimes, incluindo estelionato e lavagem de capitais.
  • As contas dos investigados estão bloqueadas judicialmente visando a recuperação de valores para ressarcir as vítimas.

Reprodução/Redes sociais Empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Pagode do Chico"
Empresário Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como “Pagode do Chico"

O trader Francisco das Chagas Chaves, conhecido como Chico Trader, nunca realizou operações na bolsa de valores e recebia o dinheiro das vítimas sob a promessa de investi-lo no mercado financeiro. A informação foi revelada pelo delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação do caso. Segundo ele, desde o início, o esquema era um golpe. Segundo o delegado, a própria B3, bolsa de valores oficial do Brasil, informou à polícia que Chico não realizou operações no mercado. Para o investigador, isso indica que o esquema funcionava desde o início com a intenção de enganar as vítimas.

“Todos os vídeos que as vítimas receberam eram falsos, então as vítimas entregavam o dinheiro para alguém que teria operado e ele não operou. Os integrantes disseram que perderam dinheiro fazendo operações, o que também cai por tese. Tiveram pessoas que perderam dinheiro da casa da filha, e ele era ciente, ele recebia, sorria, apertava a mão e era um golpe”, afirmou o delegado.

Conforme o delegado, o grupo utilizava movimentações financeiras para criar a impressão de que os valores estavam sendo efetivamente investidos.

Dinheiro entrava, mas não era usado para operar

De acordo com o delegado Luciano Alcântara, os valores entregues pelos investidores eram depositados inicialmente em uma conta ligada à empresa X-Treme. Parte do dinheiro era então enviada para uma corretora, mas, segundo a investigação, não chegava a ser utilizada para realizar operações na bolsa.

“Quando a gente entra em contato com a B3, ela diz que ele nunca operou aqui, ou seja, ele nunca utilizou o dinheiro para fazer operações, o dinheiro parava na corretora e fica indo e voltando. Era apenas para simular que estava operando”, explicou.

Para a Polícia Civil, essa movimentação tinha como objetivo fazer com que as vítimas acreditassem que seus recursos estavam sendo aplicados no mercado financeiro.

Vítimas entregaram dinheiro de casas

O delegado também relatou situações de vítimas que entregaram quantias significativas ao grupo acreditando que seriam investidas. Em um dos casos citados por ele, uma pessoa teria utilizado dinheiro destinado à casa da própria filha.

“Tiveram pessoas que perderam dinheiro da casa da filha, e ele era ciente, ele recebia, sorria, apertava a mão e era um golpe”, afirmou Luciano Alcântara.

A declaração reforça, segundo a investigação, a suspeita de que Chico tinha conhecimento de que os valores recebidos não estavam sendo utilizados da maneira apresentada aos investidores.

Vídeos eram usados para convencer investidores

Ainda conforme a Polícia Civil, o grupo produzia conteúdos para convencer as vítimas de que Chico e os demais integrantes realmente atuavam no mercado financeiro.

A investigação concluiu que os vídeos encaminhados aos investidores não correspondiam a operações reais realizadas na bolsa. A ausência de registros de operações na B3 foi um dos elementos considerados pelos investigadores para apontar que os investimentos apresentados aos clientes não aconteciam como prometido.

A Polícia Civil também investiga outros integrantes do grupo. Chico foi preso após se entregar às autoridades, enquanto a companheira dele permanece foragida e está incluída na lista da Interpol.

As contas dos investigados continuam bloqueadas por determinação judicial. A Justiça ainda deverá analisar a existência de valores que possam ser recuperados e eventualmente destinados à restituição das vítimas.

Chico Trader foi indiciado por cinco crimes

Além das conclusões sobre o funcionamento do esquema, a Polícia Civil do Piauí indiciou Chico Trader e outros integrantes do grupo criminoso. Segundo o delegado Luciano Alcântara, Chico e outros três investigados foram indiciados por crimes contra a economia popular, estelionato especial relacionado ao mercado de capitais, associação criminosa, lavagem de capitais e crimes contra o sistema financeiro.

A companheira de Chico, que está foragida e integra a lista da Interpol, também foi indiciada por estelionato especial e lavagem de capitais.

De acordo com a investigação, os indiciamentos ocorreram após a polícia reunir elementos que apontariam para a existência de um esquema estruturado para captar dinheiro de vítimas sob a promessa de investimentos no mercado financeiro.

Fonte: Polícia Civil do Piauí