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ACERVO

Livro com registros de escravizados é resgatado no Piauí

Acervo histórico estava deteriorado e parte dos documentos foi encontrada coberta por fezes de pombos em imóvel de Campo Maior

Teresinha Ferreira

15 de agosto de 2026 às 12:02 ▪ Atualizado há 2 meses

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  • Um livro e documentos importantes sobre a história do Piauí, incluindo registros de pessoas escravizadas, foram resgatados em deterioração durante a Operação Guarda-Mór.
  • O acervo estava em más condições de conservação, afetado por umidade, poeira e fezes de pombos.
  • Inclui documentos de períodos como a escravidão, a Batalha do Jenipapo e a ditadura militar.
  • Um documento de 1866 menciona a venda de um escravizado, importante para estudos sobre as relações sociais e econômicas no Piauí do Império.
  • A operação cumpriu mandados em Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco, conduzida pelo MPPI.
  • Documentos serão limpos, avaliados e digitalizados, com participação de historiadores da UFPI.
  • A operação visa a preservação e futuro acesso aos documentos para pesquisa e educação patrimonial.
  • O nome da operação homenageia o cargo histórico de Guarda-Mór, responsável por arquivos públicos.

MPPI Documentos históricos foram encontrados em estado de deterioração durante a Operação Guarda-Mór.
Documentos históricos foram encontrados em estado de deterioração durante a Operação Guarda-Mór.

Um livro com registros relacionados a pessoas escravizadas e outros documentos importantes para a história do Piauí foi resgatado em avançado estado de deterioração durante a Operação Guarda-Mór, realizada pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI). Parte do acervo estava coberta por fezes de pombos no imóvel onde funcionaram a Fundação Cardoso Neto, o Museu do Zé Didor e a antiga estação ferroviária de Campo Maior, a 84 quilômetros de Teresina.

Novas informações divulgadas após a operação mostram que o material vinha sendo armazenado sem as condições adequadas de conservação. Umidade, poeira, sujeira e agentes biológicos podem provocar danos irreversíveis em documentos antigos.

Acervo reúne registros de diferentes períodos

Entre os materiais encontrados estão livros, escrituras e outros registros relacionados à escravidão, ao período colonial, à Batalha do Jenipapo e à ditadura militar. Um dos documentos, datado de 1866, registra a venda de um homem identificado como Ísaias por 700 mil-réis. O documento é considerado uma fonte importante para pesquisas sobre a escravidão e as relações sociais e econômicas existentes no Piauí durante o Império. Alguns registros seriam anteriores à Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823 e considerada um dos principais episódios da luta pela Independência do Brasil no território piauiense.

Operação cumpriu mandados em três cidades

A Operação Guarda-Mór foi realizada pelo MPPI na quinta-feira (13), com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cinco endereços localizados nos municípios de Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco. A ação foi conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Campo Maior, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), das polícias Militar e Civil e de pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Segundo o Ministério Público, a medida foi necessária depois que tentativas de acesso ao acervo não apresentaram resultados. Havia ainda o risco de perda de documentos e objetos históricos que estavam sob a responsabilidade de representantes de uma fundação privada.

Documentos serão limpos e digitalizados

O material resgatado deverá passar por limpeza técnica, avaliação, catalogação e digitalização. Historiadores da UFPI, vinculados ao Núcleo de Pesquisa em História e Memória do Piauí, participarão do trabalho. A análise permitirá identificar a origem, a idade e o valor histórico de cada peça. A expectativa é que os documentos sejam preservados e disponibilizados futuramente para pesquisas e ações de educação patrimonial, respeitando as decisões técnicas e jurídicas sobre a destinação do acervo. O nome Guarda-Mór faz referência ao antigo cargo responsável pela proteção e conservação de arquivos públicos, documentos oficiais e registros históricos. O acervo estava ligado ao trabalho desenvolvido por José Cardoso da Silva Neto, conhecido como Zé Didor, fundador do museu que levava seu nome. Ele morreu em 2022.



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