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ACESSIBILIDADE

Falta de transporte acessível é principal problema enfrentado por pessoas com deficiência

Amparo Sousa defende a criação de um sistema de transporte porta a porta em nível estadual e destaca demandas por inclusão no trabalho e na educação

Natalia Costa

12 de agosto de 2026 às 10:40 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A falta de transporte público eficiente para pessoas com deficiência é uma questão crítica em Teresina.
  • Amparo Sousa, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, destaca a importância da inclusão no mercado de trabalho, educação e sociedade.
  • A criação de um sistema de transporte porta a porta a nível estadual é proposta para melhorar a mobilidade.
  • Participação de pessoas com deficiência na construção de políticas públicas é essencial.
  • A plenária discutiu propostas do plano de governo de Rafael Fonteles para inclusão e acessibilidade.
  • Ações realizadas incluem mais de 40 mil atendimentos pelo CETER/CETIR e entrega de órteses.
  • Novas metas incluem a universalização de Salas de Recursos Multifuncionais e acessibilidade digital.
  • A participação ativa das pessoas com deficiência é vista como fundamental no estabelecimento de políticas efetivas.

Piauí Hoje Amparo Sousa, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Amparo Sousa, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência

A falta de um transporte público eficiente e acessível para pessoas com deficiência é apontada como uma das principais demandas que precisam ser enfrentadas pelo poder público em Teresina. A avaliação foi feita por Amparo Sousa, presidente do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, durante a plenária temática que discutiu políticas públicas para pessoas com deficiência e neurodivergentes no plano de governo do governador e pré-candidato à reeleição, Rafael Fonteles.

Segundo Amparo, além do transporte, as pessoas com deficiência ainda enfrentam desafios para garantir inclusão no mercado de trabalho, na educação e na sociedade. Para ela, a discussão com representantes desse público é fundamental para que as políticas públicas sejam construídas a partir das necessidades de quem vivencia essas dificuldades.

“É o momento que a gente tem para ouvir as propostas que o governador tem e onde ele também vai falar das políticas públicas já desenvolvidas pelo governo do Estado. E o que a gente espera é a continuidade das políticas públicas, porque a gente precisa, porque as políticas precisam avançar, porque o índice de pessoas com deficiência aumenta todos os dias”, afirmou.

Transporte é apontado como uma das principais demandas

Entre os problemas enfrentados atualmente, a presidente do Conselho destacou a situação do transporte público na capital. Segundo ela, a dificuldade de acesso a um transporte adequado limita a autonomia e a circulação das pessoas com deficiência e exige uma atuação mais efetiva do poder público.

“As demandas são a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, na educação, no transporte e na sociedade como um todo. Hoje a gente vem tendo um problema muito sério de transporte no município de Teresina”, declarou.

Como proposta, a presidente do conselho defende que o Governo do Estado crie um sistema de transporte porta a porta em nível estadual destinado às pessoas com deficiência. A medida seria uma alternativa para garantir deslocamento a quem enfrenta dificuldades para utilizar o transporte público convencional.

“Uma das nossas propostas para o governo é que ele crie um sistema de transporte porta a porta a nível de estado para as pessoas com deficiência, já que o município, infelizmente, não faz o que ele deveria estar fazendo”, afirmou Amparo.

A proposta apresentada durante a plenária coloca a mobilidade como uma das questões que precisam ser consideradas na elaboração das próximas políticas públicas para esse segmento. Para as pessoas com deficiência, o acesso ao transporte está diretamente relacionado à possibilidade de frequentar escolas, trabalhar, buscar atendimento de saúde e participar de atividades sociais.

Participação das pessoas com deficiência

A presidente do Conselho também ressaltou a importância de que as próprias pessoas com deficiência participem da construção das políticas que serão destinadas a elas. Segundo a presidente do conselho, a participação social deve ser considerada na elaboração do plano de governo.

“A Convenção da ONU diz ‘nada sobre nós sem nós’ e é por isso que é importante o governo reunir as pessoas com deficiência para ouvirem suas demandas e poder colocar no seu plano de governo para que se avance na política da pessoa com deficiência, que é isso que a gente espera de qualquer governante”, disse.

Para ela, a continuidade das políticas já desenvolvidas é importante, mas também é necessário avançar na garantia de direitos e na solução de problemas que permanecem no cotidiano da população com deficiência.

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Pessoas com deficiência participaram da plenária | Foto: Piauí Hoje

Políticas públicas e novas propostas

A plenária realizada nesta terça-feira (11) foi dedicada às pessoas com deficiência e neurodivergentes e integrou a construção participativa do Plano de Governo de Rafael Fonteles. O encontro reuniu representantes, especialistas, entidades e movimentos sociais para discutir demandas relacionadas à inclusão, acessibilidade, saúde, educação e empregabilidade.

Durante a plenária, o governador apresentou ações realizadas durante sua gestão, como a estruturação e funcionamento do CETER/CETIR, que alcançou mais de 40 mil atendimentos, além da entrega de mais de 16 mil órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção.

Também foram destacados mais de 600 mil procedimentos realizados pela Rede Estadual de Reabilitação, a instalação de Salas de Recursos Multifuncionais em 286 escolas estaduais e a inserção de mais de 15 mil pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Para um eventual novo mandato, o programa Piauí Mais Inclusivo prevê a consolidação de um Cadastro Estadual Integrado para pessoas com deficiência e neurodivergentes, a construção de novos centros CETAs em Parnaíba, Picos, Floriano e Bom Jesus, além da ampliação da inserção desse público no mercado de trabalho.

O plano também estabelece como metas universalizar as Salas de Recursos Multifuncionais em 100% das escolas estaduais, implantar um programa de acessibilidade imobiliária para obras e prédios públicos e garantir acessibilidade digital nos canais e serviços do Governo Digital.

Apesar das diferentes propostas apresentadas, para Amparo Sousa, a participação das pessoas com deficiência na definição dessas políticas é indispensável. Entre as demandas apresentadas, o transporte aparece como uma questão urgente, especialmente diante das dificuldades enfrentadas atualmente na capital.

A expectativa do movimento é que as necessidades apontadas durante a plenária sejam incorporadas ao planejamento do governo e resultem em medidas capazes de ampliar a autonomia, a mobilidade e a participação social das pessoas com deficiência.