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Brasil nas Olimpíadas de Inverno 2026: o que já aconteceu e próximas provas

Recordes inéditos, favoritos à medalha e a agenda da delegação brasileira em Milano-Cortina

Da Redação

Quarta - 11/02/2026 às 11:20



Foto: Gabriel Heusi/COB/Direitos Reservados Manex Silva lidera o desempenho brasileiro com recorde histórico
Manex Silva lidera o desempenho brasileiro com recorde histórico

O Brasil iniciou sua participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026 com resultados históricos no esqui cross-country e garantiu marcas inéditas para o país na competição. A estreia aconteceu na terça-feira (10), na prova do sprint livre, modalidade tradicional no programa olímpico, mas ainda recente para o Brasil em termos de competitividade internacional.

No masculino, Manex Silva terminou na 48ª colocação geral. Embora não tenha avançado às fases eliminatórias, o resultado representa o melhor desempenho já registrado por um atleta brasileiro na história do esqui cross-country em Jogos Olímpicos de Inverno. A marca supera participações anteriores do país na modalidade e simboliza a evolução técnica da equipe nacional nos últimos ciclos olímpicos.

No feminino, Eduarda Ribera e Bruna Moura também competiram no sprint livre. As duas ficaram fora das fases decisivas, mas estabeleceram melhores marcas pessoais em Olimpíadas e ajudaram a consolidar a presença feminina do Brasil na modalidade. A participação das atletas reforça um crescimento gradual do país em esportes de inverno, historicamente pouco praticados no território brasileiro.

Nesta quarta-feira (11), o Brasil volta à pista em Milano-Cortina com participação prevista no snowboard halfpipe masculino. As descidas classificatórias estão marcadas para 15h30 e 16h20, quando entram em ação Augustinho Teixeira e Pat Burgener. A prova ainda vai acontecer e definirá os atletas que avançam à fase seguinte da competição. No formato do halfpipe, cada competidor realiza duas descidas e tem sua melhor nota considerada para efeito de classificação. A expectativa é que os brasileiros busquem execuções limpas, com boas combinações de manobras aéreas e alto grau de dificuldade, fundamentais para alcançar pontuação suficiente entre os melhores da bateria.

Atletas Augustinho Teixeira e Pat Burgener.      Foto: Rafael Bello / Divulgação/COB

Apesar da despedida no sprint livre, o Brasil ainda segue na disputa dos Jogos de Inverno. A delegação nacional retorna à neve nos próximos dias em provas de maior resistência no cross-country, além de outras modalidades em que o país deposita expectativa de bons resultados.

Um dos principais nomes da delegação é Nicole Silveira, no skeleton, que fechou entre as dez melhores no primeiro treino oficial em Milano-Cortina. Cada uma das 25 competidoras realizou duas descidas, simulando o formato da disputa olímpica que acontecerá entre sexta-feira (13) e sábado (14). Atual número 5 do ranking mundial de skeleton, Nicole vive o melhor momento da carreira: ela já conquistou três medalhas em etapas de Copa do Mundo — incluindo o bronze obtido em janeiro, em St. Moritz, na Suíça — além de um expressivo quarto lugar no Campeonato Mundial do ano passado, nos Estados Unidos. Os resultados consolidam a brasileira como uma das atletas mais competitivas da história do país nos esportes de gelo e reforçam a expectativa por um desempenho inédito para o Brasil.

Após os treinos oficiais, a atleta destacou a evolução gradual ao longo das descidas e demonstrou confiança na preparação para a prova valendo medalha.

Cada dia, eu estou melhorando mais. Antes desse treino oficial, a gente tinha feito já duas descidas. Cada dia, a gente filma e analisa as curvas, para no dia seguinte tentar corrigir. Entre as descidas também. Estou feliz, porque cada dia eu estou melhor. Espero continuar fazendo isso até o dia da competição. O tempo ainda vai se melhor. Nos treinos, a gente não usa o uniforme com mais aerodinâmica para não desgastar, não utiliza as lâminas principais. Vai ser mais rápido.

Outro destaque é Lucas Pinheiro, atleta que irá estrear no sábado (14) no esqui alpino slalom gigante. O brasileiro chega como um dos nomes mais conhecidos da delegação, expectativa é que suas provas nas disciplinas técnicas possam colocar o país em posições de maior visibilidade no quadro geral da competição. 

Apontado como a principal esperança do Brasil por um pódio inédito nos Jogos de Inverno — que pode representar também a primeira medalha da América Latina na história da competição Lucas Pinheiro Braathen reconheceu a dimensão do momento e a responsabilidade que carrega. Durante coletiva em Milão, o esquiador falou abertamente sobre a expectativa em torno de seu desempenho e de sua participação para o país.

A pressão é muito grande. Represento mais de 200 milhões de pessoas e sou o atleta com a maior chance de trazer uma medalha para casa. Mas essa pressão também é um privilégio. É nesse estado que você pode atingir seu potencial máximo (...) Só o fato de estarmos aqui, vestindo nossas cores, já é uma vitória para o Brasil. Agora, minha missão é focar nas competições e explorar como podemos conquistar a primeira medalha olímpica do país.

Esta edição marca a décima participação consecutiva do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno desde 1992. Embora o país ainda não tenha conquistado medalhas na história da competição, os resultados recentes indicam avanço estrutural, maior investimento e amadurecimento técnico dos atletas. O desempenho no sprint livre já entra para os registros como um passo importante nessa trajetória.

Com provas ainda previstas ao longo dos próximos dias em Milano e Cortina d’Ampezzo, o Brasil permanece oficialmente em competição nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026. A busca agora é por novas marcas inéditas e por um resultado que possa aproximar o país de seu primeiro pódio na história do evento.

Atletas Lucas Pinheiro e Nicole Silveira.            Foto: Mark Clinton / COB

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