O Piauí tem investido em uma ambiciosa ofensiva para se consolidar como um dos grandes nomes da fruticultura nordestina, disputando espaço com produtores como Bahia, Pernambuco e Ceará. A chave para essa transformação está no Projeto ProFruti que recebeu um aporte financeiro de R$ 8,1 milhões, resultado da parceria entre o Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Desse total, R$ 3 milhões são da Fapepi e R$5,1 milhões foram destinados pela Embrapa. O foco é transferir tecnologias de ponta para a produção sustentável e competitiva de frutas tropicais no estado, visando elevar a produtividade em, pelo menos, 30% e gerar um impacto positivo de 10% no desenvolvimento regional.
O ProFruti foi implantado em quatro polos estratégicos – Tabuleiros Litorâneos (Parnaíba), Platôs de Guadalupe (Guadalupe), Marrecas-Jenipapo (São João do Piauí) e Alto Canindé-Barragem Joaquim Mendes (Conceição do Canindé). A essência do projeto reside na adaptação e transferência de tecnologias de cultivo, manejo e agregação de valor que, historicamente, estavam mais acessíveis ao grande agronegócio.
Projeto oferece acompanhamento técnico permanente
O projeto não se limita a insumos, ele inclui ações intensivas de capacitação e acompanhamento técnico permanente, essenciais para gerar renda e garantir a sustentabilidade no campo. A Fapepi tem garantido o suporte técnico-científico e o financiamento de pesquisas aplicadas, assegurando que o conhecimento chegue, de fato, ao agricultor familiar. Com isso, os primeiros resultados dessa parceria, que tem quatro anos, já dão o tom do potencial do Piauí.
Em Pedro Laurentino, o agricultor Hosternes Rodrigues, originário de Pernambuco, lida com o desafio da irrigação em seu lote de 0,2 hectare e demonstra otimismo.
“A uva pegou bem aqui. O Piauí tem muita água! Com orientação certa, podemos ser referência no cultivo de uva no Nordeste. A produção está vindo e tem comprador interessado. É uma renda nova que muda o jeito da gente viver aqui”, comenta o agricultor.
Foto: Maria Catiany
O impacto na autoestima e na comunidade é sentido por produtores como Lurdinha Pereira, de São João do Piauí, uma das referências do cultivo local. “Hoje a gente fala de uva, mas está falando também de autoestima, de oportunidades. Tem jovem que estava indo embora e agora quer aprender a plantar, cuidar, vender. Isso é muito forte”, relata a produtora.
O destaque é o ProFruti – Circuito da Uva, focado na introdução e fortalecimento da viticultura em regiões do semiárido, como Pedro Laurentino e São João do Piauí. A iniciativa é um motor não só econômico, mas social. A meta da Fapepi é diversificar a matriz produtiva local e, crucialmente, estimular a permanência da juventude no campo. O projeto aposta na implantação de áreas irrigadas com videiras adaptadas ao clima do sertão e assistência técnica especializada.
Bons frutos
Para a Fapepi, o sucesso da produção de uva nessas regiões reforça a convicção de que a fruticultura, impulsionada pela pesquisa pública, é um vetor viável de desenvolvimento regional, capaz de gerar soluções acessíveis para diferentes realidades produtivas.
Transcendendo a esfera da pesquisa e se tornou um pilar estratégico para o futuro do estado, o ProFruti será a base estruturante do Programa de Incentivo ao Desenvolvimento da Fruticultura Sustentável, sancionado pelo governador Rafael Fonteles este ano.
Foto: Maria Catiany
Com o crescimento do consumo de frutas, a abertura de novos mercados e o avanço tecnológico no setor, a expectativa é que a iniciativa se consolide como um modelo para modernizar e expandir a fruticultura tropical, elevando a renda e a competitividade dos produtores piauienses.
A parceria Fapepi-Embrapa, ao levar acesso às mesmas inovações do agronegócio ao agricultor familiar, pavimenta o caminho para que o Piauí colha em breve os frutos da sua própria revolução verde.
Fonte: Secom