PANDMEIA

Piauí tem mais de 80 indígenas infectados com Covid-19 espalhados em quatro tribos

Os próprios indígenas estão monitorando e comunicando os casos suspeitos em suas comunidades às autoridades


Índio

Índio Foto: www.museudoindio.org.br

O Piauí tem pelo menos 87 indígenas infectados com o novo coronavírus em quatro tribos diferentes. Os dados foram consolidados pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), em parceria com a Universidade Federal do Piauí (UFPI).

As comunidades monitoradas são Gamela (Bom Jesus, Baixa Grande do Ribeiro, Currais e Santa Filomena), Guajajara - Aldeia Ukair (Teresina), Gueguê do Sangue (Uruçuí), Kariri (Queimada Nova), Tabajara (Piripiri), Tabajara Ypy (Piripiri - Canto da Várzea), Tabajara da Oiticica (Piripiri - Oiticica II), Tabajara Tapuio (Lagoa de São Francisco) e Warao (Teresina).

Segundo a professora Carmen Lúcia, o boletim está sendo possível graças ao compromisso dos indígenas, que assumem a função de monitorar e comunicar os casos suspeitos ou detectados em suas comunidades.

"A inexistência de uma política de saúde indígena no Piauí e a falta de atendimento pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), direito estabelecido em nossa constituição federal, torna os povos piauienses muito vulneráveis ao Coronavírus. Com exceção dos Warao, que estão sendo monitorados pela Fundação Municipal de Saúde de Teresina, os demais povos indígenas não têm nos municípios onde vivem um atendimento diferenciado que considere a cultura e a identidade indígena. Como decorrência, as agências de saúde não conseguem registrar o número de indígenas infectados. Neste sentido, o boletim tem a relevância de informar a sociedade dados que não estão sendo apresentados pelas agências de saúde pública até o momento", diz a publicação da UFPI.

De acordo com a professora Carmen: “são as lideranças indígenas que estão fornecendo as informações, na esperança de que o boletim possa sensibilizar as autoridades para a necessidade de uma política de saúde indígena, pois estão com muito medo de ficarem doentes e não terem o atendimento necessário”, explica.

Com isso, pode haver um número maior de infectados nos municípios do interior, uma vez que não há um órgão de Saúde monitorando as tribos.

Para o cacique Henrique, Tabajara de Lagoa de São Francisco e coordenador da APOINME – Microrregional Piauí: “É de grande importância o boletim que está sendo feito pela a Universidade Federal do Piauí, para acompanhar os casos de Convid-19 entre os povos indígenas, já que não temos o acompanhamento do governo. Assim nós podemos estar informando todos os casos, para que tenham conhecimento da nossa realidade, do que estamos vivendo. A APOINME está acompanhando com muita preocupação e vai tomar as providências, junto com outros órgãos que também têm demonstrado preocupação com a saúde dos indígenas do Piauí”, afirma.

Os dados fornecidos pelo boletim estão sendo usados na produção do Boletim Povos Indígenas e Covid-19: Leste Nordeste, que está sendo produzido por pesquisadores de diversas universidades tais como a Universidade Federa do Piauí (UFPI), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) e Universidade Estadual da Bahia (UEBA). Juntamente com as organizações indígenas, por meio destas produções está sendo acompanhada a evolução da pandemia entre os indígenas que vivem na área de atuação da APOINME: Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo e Minhas Gerais.

O Boletim Povos Indígenas e Covid-19: Leste Nordeste pode ser acessado em: https://www.apoinme.org/boletim-01

Fonte: Com informações da UFPI

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