INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Pesquisadora explica como a tecnologia pode identificar casos de violência doméstica

Ana Paula Cavalcanti afirma que a tecnologia pode enviar uma notificação para as autoridades em casos de agressões contra a mulher


Ana Paula Cavalcanti

Ana Paula Cavalcanti Foto: Divulgação

O Governo do Piauí, por meio da Coordenadoria de Estado de Políticas Pública para Mulheres, realiza a campanha de “16 Dias de Ativismo- Ei mermã, Nem mais um minuto de Silêncio”. O objetivo da campanha é sensibilizar a sociedade a fazer denúncia contra violência doméstica. A ação ocorre em mais de 160 países. No Piauí, a campanha iniciou no dia 20 de novembro, com mobilizações no combate à violência contra as mulheres no Piauí, se estenderá até 10 de dezembro.

A professora e pesquisadora da Universidade Rural de Pernambuco (UFRPE), Ana Paula Cavalcanti, vem estudando a Inteligência Artificial (IA) há três anos.  O uso da tecnologia no combate à violência de gênero oportuniza meios que geram eficiência e resultados no sentido de garantir proteção às mulheres e evitar crimes.

Para entender um pouco mais sobre essa pesquisa, o portal Piauíhoje.com conversou com Ana Paula Cavalcanti sobre como essa tecnologia que pode ajudar a identificar a violência contra a mulher e evitar possíveis crime de feminicídio.

Como a tecnologia pode auxiliar na identificação da violência contra à mulher?

No nosso projeto de pesquisa Hear, no inglês quer dizer “escutar”, a ideia é que esse projeto como um todo, que envolve diversas vertentes possa desenvolver tecnologia para apoiar essa causa social que é a violência doméstica e que a pandemia só contribui para o aumento de casos de violência contra as mulheres.

O que a Inteligência Artificial pode detectar através da voz?

Utilizamos recursos para capturar o som ambiente, analisar os parâmetros da voz e ensinar a aplicação que parâmetros como este, que foram coletados em uma cena de agressão, quando se repetirem a aplicação vai informar que há uma agressão, então o modelo inteligente ele reaprende, ele vai aprendendo e vai se refinando ao longo do tempo. O som é capturado de forma ativa por meio da aplicação do hear, ele faz uma análise e conecta algumas palavras chaves que podem ser ditas pela vítima para que a gente possa fazer esse reconhecimento.   

Nesse projeto a gente analisa tanto o som ambiente como a gente identifica quantas pessoas estão participando da cena de agressão, a gente pode saber se há criança no local, por exemplo, então a ideia é que pessoas próximas da vítima possam ser notificadas para que um socorro mais rápido também possa vir de um vizinho ou de um parente que esteja próximo.

Como as autoridades de segurança podem utilizar esses recursos?

Com o reconhecimento da agressão, a tecnologia pode enviar uma notificação para que as autoridades de segurança possam usar essa informação para salvar a vítima e impedir que ela sofra o crime de feminicídio, ou que a agressão seja de forma maior. Se perdurar muito, o que pode acontecer com a vítima pode ser mais grave, então, o objetivo dessa aplicação é a gente evitar o máximo que o crime do feminicídio ocorra.

Existem cases que já utilizam essa ferramenta?

A ferramenta está em fase experimental. Nós estamos tentando fechar uma parceria com o Governo para que a gente possa implantar em um dos estados da região Nordeste. É uma ferramenta que funciona se a gente tiver uma parceria dos órgãos de polícia e de controle que podem apoiar as mulheres que são vítimas de agressão.

Onde será utilizada essa tecnologia?

Nossa pesquisa será executada por meio de uma aplicação mobile, para ser instalado em smartphones e iPads, mas também estamos expandindo para identificação de agressão em câmera de vigilância. Esse é o próximo produto que a gente vai trabalhar.

O uso desse recurso vai de encontro ao que é atualmente exigido na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)?

Usamos uma tecnologia em que a gente consegue identificar a agressão sem encaminhar os dados, e isso está aderente a LGPD, caso seja preciso encaminhar transcrições dos textos coletados a partir da análise dos ambientes, pode ser solicitado a permissão da vítima para que esses dados sejam coletados e a partir disso nós estaremos aderente a LGPD.

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