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POLÊMICA

Padre piauiense rejeita excomunhão do Vaticano e diz que seguirá com missas

Sacerdote afirma que punição é "nula" e nega ter rompido com a Igreja Católica

Da Redação

14 de julho de 2026 às 08:53 ▪ Atualizado há 47 minutos

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  • Padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa foi excomungado pelo Vaticano, mas afirmou que continuará celebrando missas, classificando a excomunhão como "nula".
  • O padre faz parte da Capela Santo Atanásio e da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em Ceilândia, DF.
  • A excomunhão foi anunciada pela Arquidiocese de Brasília por causa da ordenação de bispos sem autorização papal, considerada cisma pelo Vaticano.
  • Françoá argumenta que a decisão não tem validade jurídica segundo o Código de Direito Canônico e que não rompeu com a Igreja Católica.
  • A Arquidiocese informou que missas na Capela Santo Atanásio são irregulares e alertou fiéis contra a adesão à FSSPX.
  • Françoá Costa, doutor em Teologia, já atuou em vários estados e participou em missões internacionais.

Reprodução Padre Françoá Rodrigues é natural de Redenção do Gurguéia, município do sul do estado do Piauí
Padre Françoá Rodrigues é natural de Redenção do Gurguéia, município do sul do estado do Piauí

O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, natural de Redenção do Gurguéia, no Sul do Piauí, afirmou que continuará celebrando missas mesmo após ter sido excomungado pelo Vaticano. Em pronunciamento divulgado nessa segunda-feira (13), o sacerdote classificou a punição como "nula" e disse que não reconhece a decisão da Igreja Católica.

Françoá Costa integra a Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), ligada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A excomunhão foi anunciada pela Arquidiocese de Brasília após a fraternidade participar da ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV, ato considerado um cisma pelo Vaticano.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o padre afirmou que a comunidade permanecerá com sua rotina de celebrações religiosas e continuará rezando pelo papa e pelo arcebispo de Brasília.

"Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa. Não somos nós que temos que justificar nossa catolicidade", declarou.]

O sacerdote também afirmou que a decisão não possui validade jurídica à luz do Código de Direito Canônico. Segundo ele, a comunidade não rompeu com a Igreja Católica e, por isso, não poderia ser enquadrada no crime canônico de cisma, fundamento utilizado para a aplicação da excomunhão.

Françoá Costa tem 47 anos e foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 2004, em Anápolis (GO). Doutor em Teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, ele já atuou em paróquias de Goiás, Distrito Federal e Bahia, além de participar de missões no exterior.

Entenda o caso

A Arquidiocese de Brasília informou que a excomunhão decorre da participação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) na ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. De acordo com a Igreja, o ato caracteriza um cisma, ou seja, uma ruptura da comunhão com a autoridade do pontífice.

Em nota pastoral divulgada em 10 de julho, assinada pelo arcebispo metropolitano de Brasília, cardeal Paulo Cezar Costa, a Arquidiocese afirmou que o padre Françoá Rodrigues Costa está em situação de cisma e excomunhão após aderir à FSSPX. Segundo o comunicado, o sacerdote passou a se considerar integrante da fraternidade em abril de 2025, e todos os ministros ligados ao grupo também estão na mesma condição canônica.

A Arquidiocese declarou ainda que as missas e demais celebrações realizadas na Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), são consideradas irregulares e orientou os fiéis a não frequentarem o local. A nota também alerta que católicos que aderirem formalmente à FSSPX e compartilharem a rejeição à autoridade do papa e dos bispos em comunhão com Roma poderão ser considerados cismáticos e excomungados.

Apesar da decisão do Vaticano, Françoá Costa afirmou que continuará celebrando missas e realizando as demais atividades da capela, alegando que a punição aplicada pela Santa Sé é "nula".

Françoá Costa foi incardinado na Diocese de Anápolis (GO), atuou como diretor da Faculdade Católica de Anápolis e da Capelania Universitária Santa Clara. Doutor em Teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, é autor de livros e artigos na área e, em 2019, representou a instituição de ensino em uma homenagem promovida pela Câmara Municipal de Anápolis.