Na cidade de Picos (PI) existe um túmulo que chamou a atenção de moradores por quase um século por um motivo curioso: ele foi construído fora dos limites do cemitério. A sepultura ficava na calçada, ao lado do muro do Cemitério São Pedro de Alcântara, e isso acabou dando origem a histórias que foram passadas de geração em geração, especialmente entre as crianças.
Durante muitos anos, quem cresceu na região ouviu lendas que tentavam explicar por que aquele túmulo estava ali, separado dos demais. Uma das versões mais contadas no imaginário popular dizia que uma jovem — às vezes chamada de “menina serpente” nas histórias — havia sido enterrada ali por causa da sua atitute travessa e desrespeitosa com os pais. Por isso, como castigo, foi transformada em uma cobra. Essa narrativa ajudava a reforçar o mistério e até era usada para assustar ou “ensinar” as crianças a se comportarem.
Foto: reprodução/redes sociais
A verdade por trás do caso, no entanto, é mais simples e está ligada a um momento difícil do passado: no início do século XX, uma epidemia de varíola atacou a região e muitos morreram. Naquele tempo, as regras do cemitério não permitiam que pessoas mortas por essa doença fossem enterradas junto com os demais — por medo de contágio e pela falta de conhecimento médico.
Como resultado, uma família de pessoas que faleceu durante a epidemia mandou construir um túmulo especial fora do cemitério, em um local visível na calçada. Com o passar das décadas, o muro do espaço foi levantado e ficou parecendo que a sepultura tinha sido “esquecida” ali, gerando curiosidade e histórias fantásticas entre os moradores.
Somente há poucos anos as autoridades e descendentes localizaram os registros originais e reorganizaram os túmulos, levando-os para dentro do cemitério conforme os padrões atuais. Ainda assim, as histórias que surgiram em torno daquele pedaço de calçada ficaram na memória de quem cresceu ouvindo as versões que misturavam terror e realidade.
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