O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestigiou, nesta quarta-feira (25/3), no Aeródromo Embraer Unidade Gavião Peixoto, em São Paulo, um momento histórico para o Brasil: a apresentação do caça F-39E Gripen, da empresa sueca Saab, a primeira aeronave supersônica produzida no país. Com a conquista, o Brasil se insere no seleto grupo de nações capazes de desenvolver e produzir aeronaves de combate de alta complexidade e torna-se o primeiro país da América Latina a dominar esse tipo de tecnologia.
"Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, afirmou o presidente, nas redes sociais. A apresentação do supersônico integra o programa Caça FX-2, que abrange um conjunto de investimentos de R$ 28,5 bilhões no período de 2014 a 2033, sendo R$ 10,5 bilhões no âmbito do Novo PAC (2023-2030), e contempla a aquisição e produção de aeronaves, além da transferência de tecnologia para a indústria nacional.
O piloto do caça F-39E Gripen que escoltou o avião presidencial, ao se comunicar via rádio com Lula, afirmou: "Esta é a materialização de uma decisão de Estado". Ele se referia ao fato de, ao firmar parceria com a sueca Saab, em 2013, o Governo do Brasil ter exigido a transferência de tecnologia, que permitiu o desenvolvimento do avião em solo nacional.
Lula na cabine do avião presidencial, escoltado pelo novo caça produzido no Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin também ressaltou a importância do feito alcançado pelo Brasil. “O presidente Lula tem fortalecido a indústria brasileira e a indústria da defesa está na vanguarda da inovação. A indústria da defesa é um seguro para a soberania nacional”, destacou, na cerimônia em Gavião Peixoto.
Um milhão de horas
O F-39E Gripen é considerado um caça multiemprego, que visa ampliar a capacidade de cumprimento das tarefas de controle aeroespacial, interdição, inteligência, reconhecimento, proteção da força, defesa aérea e ataque ao solo. A produção do caça no Brasil é resultado de mais de um milhão de horas entre desenvolvimento, produção, ensaios e suporte, além de 600 mil horas de treinamento, e resulta de um contrato firmado com a Svenska Aeroplan AB (Saab). A parceria entre a Embraer e a Saab prevê ampla transferência de tecnologia, que inclui a capacitação de engenheiros e técnicos, além do desenvolvimento de capacidades da indústria nacional para futuros projetos aeronáuticos, reduzindo, assim, a dependência externa.
A produção do caça no Brasil é resultado de mais de um milhão de horas (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
“Essa cooperação fortaleceu a capacidade industrial e tecnológica do Brasil e abriu novas oportunidades internacionais. Esta planta de Gavião Peixoto está plenamente preparada para fabricar novos Gripens para outros países. Estamos fortemente engajados no sucesso do programa em futuras exportações, incluindo oportunidades na Colômbia e em outros mercados”, afirmou Francisco Gomes Neto.
Para o presidente da Saab, a produção do caça no país demonstra a confiança que a empresa sueca tem na parceria com o Brasil. “Essa é a primeira vez desde 1937, quando a Saab foi fundada, que um caça é feito fora da Suécia”, ressaltou Micael Johansson. “Este momento representa muito mais do que a entrega de uma aeronave. Isso reflete uma parceria construída na confiança, ambição compartilhada e uma relação de longo prazo. Resultado de uma colaboração próxima entre a Força Aérea brasileira e a indústria brasileira”, ressaltou o executivo.
Reequipamento da frota
O programa Caça FX-2 (F-39/GRIPEN) consiste no reequipamento da frota de aeronaves militares de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio da aquisição de caças de última geração da Suécia e produção nacional, via Embraer, incluindo desenvolvimento, transferência de tecnologia, aquisição de simuladores e suporte logístico. As aeronaves dispõem de radar de última geração, míssil de longo alcance e sistemas avançados de comunicação e guerra eletrônica. Os Gripens comportam modelos monopostos (apenas um assento) e bipostos (dois assentos), esses últimos, uma especificidade do programa brasileiro.
Das 36 aeronaves contratadas no programa, 15 estão programadas para serem produzidas na planta da Embraer-Defesa em Gavião Peixoto. O empreendimento gera impactos na indústria nacional, uma vez que parte dos componentes estruturais da aeronave, como a fuselagem dianteira e traseira, cone de cauda e freios aerodinâmicos são produzidos pela Saab Aeroestruturas em São Bernardo do Campo (SP).
Exportação
Outras empresas brasileiras, como a AEL Sistemas, a Akaer e a Atech, também participam da cadeia de suprimentos e desenvolvimento da aeronave. A intenção desse empreendimento é produzir localmente futuras encomendas do Gripen não somente para o Brasil, mas também para outros países da América Latina. A linha de produção no Brasil teve início em 2023 e contou com a presença do presidente Lula no evento de inauguração.
Estima-se que o Programa Gripen no Brasil gere cerca de 13 mil empregos no país, sendo aproximadamente 2.200 empregos diretos e 10.800 indiretos, como resultado da transferência de tecnologia, dos investimentos e da contratação de produtos e serviços nacionais. Os empregos diretos concentram-se principalmente nas atividades de desenvolvimento e produção da aeronave, realizadas por engenheiros e especialistas das empresas parceiras, como Embraer, AEL Sistemas, Akaer, Atech e Saab, responsáveis por diversos hardwares e softwares do projeto.
Novos Mercados
Os investimentos nessas empresas fortalecem a capacidade tecnológica do Brasil e contribuem para expansão em novos mercados, inclusive fora do próprio programa. O projeto também estimula a cadeia de suprimentos nacional por meio da subcontratação de fornecedores e prestadores de serviços, envolve diferentes órgãos governamentais nas etapas de aquisição, implementação, operação e fiscalização. O processo inclui ainda atividades de certificação, pesquisa e desenvolvimento conduzidas em institutos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), além de gerar impactos indiretos na economia em diversos setores devido ao aumento da renda e da atividade produtiva.
Pista e EVTOL
A visita de Lula também incluiu outros dois pontos de destaque. O presidente conheceu a pista da Embraer em Gavião Peixoto, que, com cinco quilômetros de extensão, é a maior do hemisfério sul e utilizada especialmente para testes dos aviões. Além disso, Lula acompanhou a demonstração do eVTOL, um protótipo de veículo aéreo, de pouso e decolagem vertical (popularmente conhecido como carro voador), que está sendo desenvolvido pela Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, com financiamento do BNDES. Voltado para o mercado de mobilidade aérea urbana, o veículo elétrico tem avançado na campanha de desenvolvimento, incluindo ensaio em voo desde dezembro de 2025.
Fonte: Agência Gov
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