Política

APROVAÇÃO SIMBÓLICA

CCJ da Câmara aprova a proposta que acaba com a escala 6x1

Votação foi simbólica, ou seja, sem registro nominal de votos. Texto seguirá para uma comissão especial.

Redação

22 de abril de 2026 às 21:32 ▪ Atualizado há 4 horas

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  • A CCJ da Câmara aprovou o parecer favorável à PEC que elimina a escala de trabalho 6x1.
  • A proposta será analisada por uma comissão especial.
  • O relatório considera os textos de Erika Hilton (redução para quatro dias de trabalho) e Reginaldo Lopes (36 horas semanais).
  • O governo Lula propôs reduzir para 40 horas semanais e 5 dias de trabalho.
  • Paulo Azi recomenda uma transição gradual e compensações fiscais para as empresas.
  • Representantes do setor produtivo preocupam-se com o aumento de custos e impactos sobre empregos.
  • Antes de entrar em vigor, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara e Senado.

Deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), relator do projeto
Deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), relator do projeto

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou, nesta quarta-feira (22), o parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1, seis dias de trabalho para um de descanso. O relatório do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) foi aprovado de forma simbólica, ou seja, sem o registro nominal dos votos dos parlamentares. Agora, a proposta seguirá para uma comissão especial.

O relatório se limita a analisar a compatibilidade do tema com a Constituição. Para o parlamentar, o texto preenche os requisitos constitucionais para avançar no Congresso. Ele elaborou o documento sobre dois textos apresentados por parlamentares de esquerda. Um proposto pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) no ano passado, que prevê a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana, com prazo de 360 dias para entrada em vigor da nova regra. A segunda PEC é de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi apresentada em 2019. O texto reduz a jornada de trabalho a 36 horas semanais, com prazo de 10 anos para entrada da norma em vigor.

Leur Lomanto Jr; Reginaldo Lopes, autor de uma das propostas, e Paulo Azi, relator (Foto: Agência Câmara de Notícias)Paralelamente, o governo Lula apresentou um projeto de lei — instrumento diferente de uma PEC e que não altera a Constituição que prevê a redução do limite de jornada de trabalho semanal para 40 horas e reduz a escala de 6 para 5 dias de trabalho, com dois dias de descanso remunerado. Atualmente, a jornada semanal máxima de trabalho é de 44 horas.

O debate sobre o mérito da PEC, ou seja, os conteúdos da proposta, só será realizado na comissão especial. Segundo Paulo Azi, a expectativa é de que a comissão especial para análise do tema seja criada ainda nesta quarta-feira pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O relator ainda não foi definido.

Recomendações do relator

Embora a análise da CCJ não avance sobre o mérito da PEC, Paulo Azi faz recomendações no relatório que apresentou nesta quarta. O parlamentar sugere, por exemplo, a discussão sobre uma regra de transição, progressiva, para a entrada das novas regras em vigor e adaptação do setor produtivo. 

"O comparativo internacional evidencia que diversas reformas (como no Chile, na Colômbia e no México) foram implementadas de forma gradual, com exemplos de redução de jornada implementada em duas etapas, com prazo diferenciado conforme o porte da empresa, bem como de adoção de cronogramas escalonados com reduções anuais sucessivas", afirmou Paulo Azi.

Uma das propostas foi apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

"Portanto, deverá ser avaliada com rigor, nos debates subsequentes, a necessidade de incorporar ao texto aprovado um regime de transição que compatibilize a efetividade da reforma com a capacidade de absorção dos distintos setores econômicos", acrescentou o relator. O deputado diz ainda que a reestruturação da jornada de trabalho "possui potenciais impactos que extrapolam a esfera trabalhista, alcançando o financiamento da Seguridade Social", ou seja, impactos na Previdência Social.

Paulo Azi também propõe uma compensação para as empresas, com a redução de tributos, especialmente sobre a folha de pagamentos, considerando a possibilidade de elevação de gastos com pessoal caso a redução de jornada entre em vigor. "Uma possibilidade para mitigar estes riscos da redução da jornada é fazer compensações fiscais, ou seja, reduzir tributos, especialmente sobre a folha, para os agentes que reduzirem sua jornada, o que foi seguido por alguns países europeus", destacou o relator.

"Sugerimos fortemente que a Comissão Especial a ser constituída investigue cuidadosamente as medidas de compensação fiscal realizadas na Europa, de forma a avaliar possíveis adaptações para o contexto brasileiro", emendou o parlamentar.

Próximos passos

Paulo Azi afirma que, se o texto for aprovado por Câmara e Senado e, posteriormente, promulgado pelo Congresso, será instituída a escala 4x3, com redução da jornada de 44 para 36 horas. Se aprovado na Comissão Especial, o tema terá de passar pelo plenário da Câmara antes de seguir ao Senado. Para a entrada em vigor, o fim da escala 6x1 também precisará do aval de senadores. Só assim, a norma poderá ser promulgada.

Setor produtivo vê impacto sobre vagas

Representantes do setor produtivo consideram que a redução da jornada de trabalho implica aumento de custos para o empregador, com prejuízos à competitividade das empresas e impactos sobre a geração de novas vagas.

Na avaliação de economistas, o debate no governo federal e no Congresso Nacional precisa ser acompanhado de discussões sobre ganhos de produtividade que, segundo eles, virão principalmente com o aumento da qualificação dos trabalhadores, inovação e investimentos em melhorias em infraestrutura e logística.

Fonte: Agência Câmara