A tecnologia 6G, próxima geração da internet móvel, ainda está em desenvolvimento no mundo, mas já começa a ser tratada como prioridade estratégica no Brasil. A expectativa é que os padrões internacionais sejam consolidados ao longo dos próximos anos, com aplicações comerciais surgindo na década de 2030. Mesmo antes da chegada efetiva da tecnologia, o país já discute como se preparar para um avanço que promete transformar serviços públicos, empresas e o cotidiano da população.
De forma simples, o 6G será uma evolução do 5G. Se a atual geração ampliou a velocidade da internet móvel e reduziu o tempo de resposta das conexões, o 6G deve integrar inteligência artificial de forma nativa às redes, permitindo comunicações quase instantâneas, maior capacidade de transmissão de dados e novas aplicações digitais. A tecnologia deve impactar áreas como saúde, educação, indústria, agricultura e mobilidade urbana.

Segundo Vinicius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a preparação antecipada é fundamental para que o Brasil não perca espaço no cenário internacional. “A corrida para o 6G já começou, e o Brasil precisa se posicionar estrategicamente para participar ativamente desse desenvolvimento”, afirma. Para ele, acompanhar a evolução tecnológica desde agora é essencial para garantir competitividade e inclusão digital no futuro.
O tema ganhou ainda mais visibilidade com o lançamento do livro “6G na Sexta”, uma das primeiras obras nacionais dedicadas aos preparativos para a nova geração de redes móveis. A publicação reúne análises e reflexões de especialistas brasileiros sobre os desafios e oportunidades do 6G no país. De acordo com Caram, o debate sobre a tecnologia vai além da inovação. “O 6G promete transformar não apenas a vida cotidiana do brasileiro, mas também setores como saúde, indústria, agricultura e educação”, destacou.
Na prática, os impactos do 6G podem ser amplos. Na saúde, por exemplo, a tecnologia pode viabilizar cirurgias remotas mais seguras e monitoramento em tempo real de pacientes. Na educação, ambientes virtuais mais imersivos e interativos tendem a ganhar espaço. Já na indústria e no agronegócio, a conectividade avançada pode acelerar a automação, melhorar a produtividade e reduzir custos.
Hermano Pinto, especialista em telecomunicações e um dos autores da obra, ressalta que o diferencial do 6G está na forma como a inteligência artificial passa a fazer parte da própria rede. “O 6G traz a inteligência artificial de forma nativa, o que nos permite refletir sobre a soberania dos dados e projetar redes mais adequadas à realidade do Brasil”, explica.
Do ponto de vista do governo, o acompanhamento dos debates internacionais e o estímulo à pesquisa fazem parte da estratégia de preparação. O Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação participam de fóruns globais que discutem padrões técnicos, uso do espectro de frequências e diretrizes regulatórias, etapas essenciais para a futura implantação da tecnologia no país.
Wilson Cardoso, PhD pelo MIT e idealizador do livro, avalia que aprender com experiências passadas é decisivo. “No passado, fizemos coisas muito boas, mas também cometemos erros na implantação das tecnologias móveis. Trazer essa experiência é uma forma de inspirar o país a fazer melhor na chegada do 6G”, afirma.
Embora ainda não exista uma data definida para o início da operação do 6G no Brasil, especialistas concordam que o momento atual é de planejamento. Investir em pesquisa, formar profissionais qualificados, atualizar regras e pensar em infraestrutura são passos considerados essenciais para que, quando a tecnologia estiver disponível, o país esteja preparado para transformar conectividade em desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida da população.
Fonte: Agência Nacional de Telecomunicações
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