Esportes

INFÂNCIA VIVA

Torneios de baladeira revivem brincadeira de criança e resgatam tradição no Piauí

O que era diversão no interior se transforma em tiro esportivo cultural com competições oficiais, premiações e campeonatos cada vez mais frequentes em todo o estado

Por Luiz Brandão

16 de julho de 2026 às 01:00

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  • O torneio de baladeira é uma prática esportiva emergente no Piauí, com raízes na tradicional brincadeira de infância.
  • Participantes de vários estados, como Ceará e Pernambuco, participam das competições.
  • As regras geralmente incluem alvos metálicos, munidos de som para verificação dos acertos, e uso de baladeiras artesanais.
  • Há um foco em conscientização ambiental, promovendo a prática como um esporte seguro e pacífico.
  • Cidades como Eliseu Martins, Juazeiro do Piauí, e Teresina estão se destacando com eventos anuais ou regulares.
  • Premiações para os melhores variam bastante, indo de quantias em dinheiro a troféus e itens diversos.
  • A Arena Roça Velha é um dos locais de destaque para os torneios, atraindo muitos competidores.
  • Torneios futuros já estão planejados, reforçando o crescimento do esporte no Piauí.

José Valdo Competidores de várias cidades no torneio de baladeira na Arena Roça Velha
Competidores de várias cidades no torneio de baladeira na Arena Roça Velha

A tradicional brincadeira de infância no interior do país ganhou status de modalidade esportiva no Piauí. Os torneios de baladeira, também conhecida como estilingue, bodoque ou badoque em outras regiões do Brasil, têm se tornado cada vez mais frequentes em diversas cidades piauienses, atraindo competidores de todas as idades e movimentando o calendário cultural do estado.

O que era apenas diversão entre crianças nas zonas rural e urbana hoje reúne dezenas de atiradores em competições oficiais, com regras bem estruturadas, premiações que podem ultrapassar R$ 2 mil e participantes de estados vizinhos como Ceará e Pernambuco.

Como funcionam os torneios?

Embora as regras possam variar de acordo com o município ou comissão organizadora, os campeonatos costumam seguir um padrão bem estruturado:

Os alvos — Geralmente utilizam-se alvos metálicos suspensos, como latinhas de refrigerantes e outras bebidas enfileiradas em estacas ou bancadas de tábua, distantes de 10 a 15 metros dos atiradores. O impacto da munição no metal gera som e derruba o alvo para verificação da arbitragem e animação da torcida.

A munição — Para garantir padronização e igualdade nos disparos, muitos torneios distribuem bolinhas de gude (petecas) para os competidores. Em eventos menores e mais tradicionais, pedras selecionadas também são aceitas .

Regras de disparo — Cada participante tem direito a um número fixo de tentativas, geralmente de 5 a 10 tiros por rodada. Quem derrubar ou acertar mais alvos avança nas chaves eliminatórias até a grande final .

Equipamento — A maioria dos regulamentos exige o uso da baladeira artesanal, feita com a tradicional forquilha de madeira. Estilingues profissionais com apoios de pulso ou miras a laser costumam ser proibidos para manter o espírito nostálgico da brincadeira.

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Competição à noite aumentam o desafio e exige mais habilidade 
Conscientização ambiental

Um dos pontos mais importantes e reforçados pelos organizadores no Nordeste é o foco ecológico. O objetivo central das competições é mostrar que a baladeira serve para o lazer, foco e esporte, promovendo ativamente a conscientização de que o objeto não deve ser utilizado para caçar ou ferir aves e outros animais silvestres.

Piauí vira polo da modalidade

O estado do Piauí tem se tornado um forte polo desse tipo de evento, com competições de destaque em várias regiões:

Eliseu Martins — Realiza anualmente edições consagradas do seu tradicional Torneio de Baladeira, movimentando competidores da zona urbana e rural.

Juazeiro do Piauí — É conhecido por sediar grandes campeonatos festivos da modalidade, atraindo participantes de todas as idades.

Santo Inácio do Piauí e São José do Piauí — O esporte é tão valorizado que os campeonatos municipais de baladeira são integrados diretamente ao calendário oficial de comemoração do aniversário dessas cidades.

Pedro II, Brasileira e Domingos Mourão — Municípios com forte tradição na organização de circuitos na região norte do estado.

Teresina, José de Freitas e Campo Maior — Os torneios estão ficando cada vez mais frequentes na zona rural da capital e cidades próximas.

A cidade de Picos também tem se destacado, sediando pelo terceiro ano consecutivo o Campeonato de Baladeira durante a Picos Pro Race, evento que reúne esporte, cultura e tradição sertaneja.

Premiação 

Os prêmios para os melhores atiradores costumam incluir troféus, medalhas e quantias em dinheiro que variam de R$ 100 a mais de R$ 1.000, dependendo do porte do evento.

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O mais recente torneio de baladeira no Piauí ocorreu na Arena Roça Velha, entre José de Freitas e Campo Maior 
Arena da Roça 

Um dos torneios de maior destaque próximo a Teresina foi o 5º Torneio de Baladeira da Arena Roça Velha, localizada entre José de Freitas e Campo Maior nos dias 11 e 12 de julho. Mais de 50 competidores, de várias cidades do Piauí, Ceará e Pernambuco, participaram do evento, dividido em duas categorias: Amadores e Iniciantes.

Os 10 primeiros Amadores e os cinco primeiros Iniciantes receberam prêmios em dinheiro, totalizando R$ 7.150 para os Amadores e R$ 1.250 para os Iniciantes.

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Próximos eventos

O próximo torneio de baladeira na zona rural de Teresina será no dia 26 de julho, no Bar do Cavalão, no povoado Bulena, na PI-113 — estrada que liga Teresina a José de Freitas.

A organização é do comerciante e criador de animais José Valdo Pereira, conhecido como Dudá. Ele explica que a premiação é para incentivar a participação e o crescimento do esporte na capital piauiense. A taxa de inscrição para o torneio será de R$ 10. Para esse torneio a premiação será: 1º Lugar — Um carneiro, 2º Lugar — Uma leitoa, 3º Lugar — Um fardo de arroz e 4º Lugar — Uma cesta básica.

Esporte que resgata memórias

Com eventos cada vez mais frequentes e premiações atrativas, o Piauí se firma como referência na valorização dessa tradição nordestina que une nostalgia, habilidade e confraternização.

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José Valdo, o Dudá (de camisa roxa): competidores e organizadores querem fazer o esporte crescer

Fonte: José Valdo, o "Dudá"