PESQUISA
Natalia Costa
03 de julho de 2026 às 19:06 ▪ Atualizado há 12 minutos
Muito além de alimentos presentes na culinária brasileira, a fava e a pimenta são alvo de pesquisas desenvolvidas há décadas na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Os estudos buscam preservar a diversidade genética dessas culturas e desenvolver variedades mais produtivas, resistentes e adaptadas às condições climáticas do Nordeste, beneficiando diretamente agricultores familiares.
A iniciativa foi apresentada durante a III Feira da Agricultura Familiar, Povos Tradicionais e Economia Solidária do Piauí, onde professores, pesquisadores e estudantes mostraram ao público como a ciência pode contribuir para aumentar a produtividade no campo e agregar valor aos produtos regionais.
Uma das coordenadoras do projeto, a professora Ângela Célia Lopes explica que o trabalho começou no início dos anos 2000 com a coleta de sementes de fava em diversos estados nordestinos. Hoje, a UFPI abriga um dos maiores bancos de germoplasma da cultura no país.

"Hoje a gente tem a parte de conservação da fava guardada num banco. Aqui na Universidade Federal do Piauí nós temos mais de 2 mil tipos de fava do Brasil e de outros locais do mundo."

Segundo a pesquisadora, o projeto alia ensino, pesquisa e extensão, envolvendo estudantes da graduação ao pós-doutorado. Além da conservação das variedades, o grupo desenvolve cruzamentos e seleção de materiais para obter plantas mais precoces, produtivas e resistentes às mudanças climáticas.
Os estudos já beneficiam municípios onde a cultura da fava faz parte da economia local, como Tanque do Piauí, Barra D'Alcântara, Várzea Grande e Francinópolis.
Em Tanque do Piauí, por exemplo, a equipe trabalha diretamente com agricultores no melhoramento da variedade conhecida como Boca-de-Moça, bastante valorizada na região.
Segundo a professora, uma saca de fava pode alcançar aproximadamente R$ 1.200, tornando a cultura uma importante fonte de renda para as famílias rurais.
Além da produção tradicional, a pesquisa também incentiva novas formas de aproveitamento da fava. Hoje já existem produtos como doces, brigadeiros e, dentro da própria universidade, pesquisadores desenvolvem receitas como brownie de fava para ampliar as possibilidades de comercialização.
Além da fava, a UFPI desenvolve pesquisas voltadas ao melhoramento genético de pimentas do gênero Capsicum. A engenheira agrônoma Júnia Alves explica que o projeto mantém um banco com mais de 200 acessos da cultura.

Segundo ela, além do consumo in natura e da fabricação de molhos, o grupo busca ampliar o uso ornamental das pimentas, produzindo variedades adaptadas às altas temperaturas do Piauí.
"A gente trabalha com a conservação e o melhoramento. No nosso banco, além das favas, a gente tem mais de 200 acessos de pimenta e o nosso foco principal é o uso ornamental."

Embora o programa de melhoramento da pimenta seja mais recente que o da fava, os pesquisadores acreditam que os resultados poderão ampliar as oportunidades para agricultores familiares, oferecendo novas alternativas de produção e geração de renda.
Ao aproximar a universidade dos produtores rurais, os projetos mostram que ciência e agricultura caminham lado a lado, preservando patrimônios genéticos, valorizando alimentos tradicionais e criando soluções para fortalecer a produção agrícola do Piauí.
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