Eleito presidente da Academia Piauiense de Letras, o advogado e professor universitário Fonseca Neto assume o comando da instituição defendendo uma atuação mais próxima da sociedade e distante de qualquer culto a vaidades. Em entrevista ao Podcast Piauí Hoje, apresentado pelo jornalista Luiz Brandão, ele destacou que a Academia é, antes de tudo, uma construção coletiva, formada por experiências diversas e por uma história que atravessa gerações.
“Eu entendo que a colegialidade deve preponderar. Fui eleito e empossado numa entidade que se faz coletivamente. São 68 anos de história. Eu venho como um membro dela, com a minha própria trajetória, e me associo à prosa da Academia com a minha própria prosa”, afirmou. Integrante da instituição há cerca de 15 anos, Fonseca Neto ressaltou que ninguém publicou tantos livros no Piauí quanto os membros da Academia ao longo do tempo, o que, segundo ele, reforça a responsabilidade de compartilhar esse patrimônio intelectual com a sociedade.
Fonseca Neto diz que a APL tem a responsabilidade de compartilhar o patrimônio intelectual do Piauí com a sociedade
Durante a posse, bastante prestigiada por autoridades, entre elas o governador Rafael Fonteles e ex-governadores do estado, o novo presidente reforçou a necessidade de fortalecer parcerias com o poder público e com a iniciativa privada. Para ele, a Academia não pode existir como um espaço fechado em si mesmo. “A academia não existe para ser um exercício de autocultivo de vaidades ou de celebridades. Ela deve recusar isso. Se não construir parcerias com governos, prefeituras, empresas e outros agentes da sociedade organizada, ela não durará no tempo”, disse.
Fonseca Neto lembrou que a relação entre a Academia e o poder público é histórica. Citou figuras como Matias Olímpio, governador do Piauí em 1926 e reconhecido defensor da educação, e Antonino Freire, ex-governador e criador da Escola Normal, ambos ligados à história da instituição. “O governador do estado precisa da Academia, assim como a Academia precisa do governo. São articulações necessárias para fazer a experiência da sociedade acontecer da melhor forma”, afirmou.
Entre os caminhos que pretende fortalecer, o presidente destacou a interiorização das atividades da Academia e o diálogo com políticas educacionais, como a consolidação das escolas de tempo integral no Piauí. Para ele, a educação deve formar o ser humano de maneira integral, respeitando os saberes e as experiências locais. “É preciso que a escola dê prazer, que as pessoas se sintam imersas nas próprias experiências que já carregam. Não pode ser um lugar que despoja a criança do conhecimento que ela traz da vida, da rua, da roça, da convivência”, disse.
Ao assumir a presidência por um mandato de dois anos, Fonseca Neto afirmou encarar a função como mais um desafio de sua trajetória acadêmica e intelectual. “Sou um par entre os pares. Estou aqui para ajudar, somar experiências e convicções, e fazer com que a Academia cumpra seu papel social no Piauí”, disse.
Educação, memória e literatura no olhar de Fonseca Neto
Na entrevista, o professor Fonseca Neto defendeu uma educação conectada à realidade social e cultural do Piauí. Para ele, a escola não pode “despojar a criança do conhecimento que ela já traz da vida”, mas deve dialogar com experiências locais, como a cultura do interior, as festas populares e os saberes tradicionais.
O presidente da Academia também falou sobre sua produção acadêmica, destacando a tese de doutorado em políticas públicas, na qual estudou o tombamento do Centro Histórico de São Luís como Patrimônio Mundial, a partir da atuação do IPHAN.

Fonseca Neto relacionou sua militância política às experiências vividas durante a ditadura militar, quando, ainda criança, presenciou o medo disseminado por discursos anticomunistas no interior. Segundo ele, essas vivências reforçaram a defesa permanente da liberdade e da democracia.
Ao tratar da literatura piauiense, citou autores como Martim Napoleão, Da Costa e Silva, Francisco Miguel de Moura, Assis Brasil, Fontes Ibiapina e Alvina Gameiro, e criticou a pouca visibilidade da produção local. Para ele, o papel da Academia é justamente valorizar e divulgar esse patrimônio cultural.
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