Economia

PLANEJAMENTO FINANCEIRO

Por que janeiro pesa no bolso e como se organizar

Impostos, escola e seguros se acumulam no começo do ano, mas planejamento financeiro ajuda a atravessar o período sem sufoco

Quinta - 08/01/2026 às 15:22



Foto: Janeiro é o mês de maior risco de endividamento devido à concentração de despesas obrigatórias
Janeiro é o mês de maior risco de endividamento devido à concentração de despesas obrigatórias

O começo do ano costuma pesar no bolso de muitas famílias brasileiras. IPTU, IPVA, licenciamento de veículos, matrículas escolares, material e uniformes, seguros e parcelas que se acumulam justamente em janeiro formam um cenário de despesas concentradas em um período em que, para muita gente, a renda é mais instável. Dados de instituições como o Banco Central e o Serasa mostram que o início do ano é historicamente um dos períodos de maior risco de endividamento, justamente pela concentração de despesas obrigatórias. Segundo especialistas, o problema não é exatamente a falta de dinheiro, mas a forma como essas contas são encaradas ao longo do ano.

“São despesas previsíveis, mas que acabam parecendo uma surpresa no início do ano. Janeiro concentra impostos, gastos com educação e manutenção de veículos, ao mesmo tempo em que muitas pessoas estão vindo de um período de férias, recesso ou queda de renda”, explica o economista Fernando Galvão. Ele lembra que trabalhadores autônomos, vendedores comissionados e pessoas que fazem trabalhos eventuais costumam sentir ainda mais esse impacto. “Há menos comissões, menos bicos e, em alguns casos, o salário de janeiro ainda reflete apenas parte do trabalho feito em dezembro. É um momento de renda instável.”

Economista Fernando Galvão diz que é necessário ter clareza para antecipa despesas que já são conhecidas

Para o economista, a dificuldade enfrentada nesse período está ligada à ausência de um planejamento financeiro contínuo. “Na essência, não é um problema de falta de recursos financeiros. O que falta é um fluxo de caixa pessoal, algo que não deve ser feito apenas por empresas, mas também pelas famílias”, afirma. Fluxo de caixa, nesse caso, significa ter clareza sobre quanto entra e quanto sai ao longo do ano, antecipando despesas que já são conhecidas.

Uma das estratégias apontadas por Fernando Galvão é mudar a forma de enxergar gastos típicos de janeiro. Em vez de tratá-los como um choque no orçamento, a proposta é diluí-los ao longo do ano. “IPTU, IPVA, seguro de veículo, material escolar e matrícula não deveriam ser vistos como surpresas. A ideia é tratá-los como uma espécie de assinatura anual”, diz. Segundo ele, o ideal é estimar quanto será gasto com essas despesas no próximo início de ano, dividir esse valor por 12 meses e reservar mensalmente uma quantia específica. “Assim, quando janeiro chegar, a família já terá um valor acumulado e precisará apenas complementar o que faltar, sem desequilibrar o orçamento.”

Outro ponto destacado pelo economista é a importância de classificar os gastos para facilitar as decisões financeiras. “Organizar o orçamento não é só anotar números. É dar significado ao dinheiro”, explica. Ele sugere separar os rendimentos por categorias, como despesas básicas de sobrevivência e funcionamento da casa, incluindo alimentação, água, energia, aluguel, condomínio, transporte e medicamentos. “Esses gastos precisam estar muito claros, porque são essenciais.”

Também é importante identificar despesas ligadas ao trabalho e à geração de renda. “Se a internet é uma ferramenta essencial para o trabalho, ela não pode ser cortada. Ela faz parte da estrutura que permite gerar renda”, exemplifica. Já os gastos com conforto e consumo, segundo ele, devem ser analisados com mais cuidado. “Não são necessariamente desejos ruins, mas podem ser ajustados ou reduzidos em momentos de aperto.”

 Economista diz que dificuldade enfrentada no começo do ano é resultado da falta de um planejamento financeiro

Fernando Galvão reforça que o planejamento financeiro transforma o início do ano em um período menos estressante. “Quando a gente faz orçamento, deixa de lidar com surpresas e passa a executar o que já foi planejado. Isso ajuda a administrar melhor tanto o dinheiro que entra quanto o que sai”, afirma. A recomendação vale para qualquer época, mas ganha ainda mais importância em janeiro, quando as contas se acumulam e o orçamento familiar costuma ficar mais pressionado.

 Para especialistas, antecipar esses gastos e manter um planejamento simples, porém constante, é uma das formas mais eficazes de evitar atrasos, juros e o uso excessivo do crédito. Em um cenário de contas previsíveis, organização e planejamento fazem a diferença para atravessar janeiro com mais tranquilidade.

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