COMPRA DE CARRO
Teresinha Ferreira
02 de agosto de 2026 às 11:29 ▪ Atualizado há 1 hora
O programa Move Brasil Táxi e Aplicativos liberou apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões destinados ao financiamento de veículos para motoristas de aplicativos e taxistas. Até 30 de julho, foram aprovados R$ 2,2 bilhões em operações de crédito, conforme balanço divulgado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Desde o início das contratações, em 19 de junho, 21.720 profissionais conseguiram financiamento em todo o país. O valor médio contratado foi de aproximadamente R$ 102 mil por motorista.
O programa alcançou trabalhadores de 1.445 municípios e chegou a registrar quase 3 mil operações aprovadas por dia na última semana de julho. Apesar do avanço recente, mais de R$ 27,8 bilhões ainda estavam disponíveis.
Os dados nacionais foram divulgados na sexta-feira (31). O BNDES, entretanto, não apresentou no balanço uma divisão por estado. Por isso, ainda não é possível informar quantos motoristas do Piauí tiveram o financiamento aprovado nem o valor liberado especificamente no estado.
Motoristas enfrentam dificuldades para obter aprovação
A baixa utilização da linha de crédito levou o Governo Federal a discutir mudanças no programa. Entre as principais reclamações apresentadas pelos motoristas estão negativas de financiamento mesmo para profissionais sem restrições cadastrais, exigência de entrada e dificuldade de comunicação entre bancos, concessionárias e o sistema do BNDES.
A aprovação do trabalhador na plataforma do Move Brasil não significa que o financiamento será automaticamente concedido. Depois da validação da atividade profissional, o interessado ainda precisa passar pela análise de crédito da instituição financeira escolhida.
Esse procedimento considera renda, capacidade de pagamento, histórico financeiro, comprometimento mensal e políticas internas de cada banco.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o programa ainda está em fase de adaptação e que melhorias estão sendo adotadas para acelerar as aprovações. Segundo ele, algumas instituições financeiras precisaram desenvolver sistemas específicos para operar a linha.
Uma das exigências já eliminadas foi a apresentação de declaração de que o comprador seria o primeiro usuário do veículo.
Como o programa funciona no Piauí
Os motoristas de aplicativos e taxistas que trabalham em Teresina ou em qualquer município do Piauí podem solicitar participação no programa. A adesão começa pela plataforma oficial do Move Brasil, com acesso pela conta Gov.br.
O profissional precisa autorizar a consulta dos dados necessários para comprovar sua atividade. A validação pode levar até cinco dias úteis. Depois de considerado apto, o motorista deverá procurar uma instituição financeira participante. O banco fará uma nova análise para decidir se concede ou não o financiamento.
A existência da linha nacional não garante que todas as instituições credenciadas ao BNDES estejam efetivamente oferecendo o produto em todas as agências do Piauí. Antes de escolher o veículo, o motorista deve confirmar se o banco opera a modalidade no estado e quais documentos são exigidos.
O BNDES não divulgou, no balanço consultado, a quantidade de operações aprovadas no Piauí. Esse dado deve ser solicitado diretamente ao banco para que a matéria tenha um indicador estadual preciso.
Quem pode pedir o financiamento
A modalidade para automóveis é destinada a:
motoristas cadastrados em uma plataforma há pelo menos 12 meses;
profissionais que tenham realizado no mínimo 100 corridas no período e na mesma plataforma;
taxistas com registro e licença municipal ativos;
cooperativas de taxistas devidamente regularizadas.
A validação da atividade do motorista é feita com base nas informações das plataformas. No caso dos taxistas, é necessário comprovar a regularidade profissional perante o município.
Crédito pode financiar carro de até R$ 150 mil
O programa permite financiar automóveis de até R$ 150 mil. Entre os veículos novos, podem participar modelos flex, elétricos, movidos a etanol ou híbridos flex habilitados no programa Mover. Após uma ampliação das regras, também passaram a ser aceitos automóveis seminovos fabricados a partir de 2024. Nesse caso, entretanto, somente veículos elétricos ou híbridos flex são contemplados. Carros seminovos exclusivamente flex não entram na modalidade. O prazo para pagamento pode chegar a 72 meses, com carência de até seis meses. As taxas máximas anunciadas são:
0,91% ao mês para mulheres, equivalente a 11,5% ao ano;
0,99% ao mês para homens, equivalente a 12,6% ao ano.
As condições finais dependem do banco e da avaliação de crédito. O financiamento pode incluir seguro do automóvel, seguro prestamista e determinados equipamentos de segurança.
Parcela ainda pode pesar no orçamento
Mesmo com juros inferiores aos encontrados no mercado tradicional, o preço dos veículos continua sendo uma barreira. Considerando o valor médio nacional de R$ 102 mil, o compromisso mensal pode representar uma parcela elevada da renda dos trabalhadores.
Especialistas apontam que muitos motoristas já possuem despesas com combustível, manutenção, seguro, taxas das plataformas e aluguel do automóvel. Esse comprometimento reduz a capacidade de assumir um financiamento de longo prazo. A exigência de modelos com características ambientais específicas também diminui a quantidade de automóveis disponíveis, especialmente no mercado de seminovos.
Prazo exige atenção
As contratações estavam previstas para ocorrer até 15 de setembro de 2026, prazo relacionado à vigência da medida provisória que criou o programa, salvo prorrogação, conversão em lei ou esgotamento antecipado dos recursos. O cadastro é gratuito e não exige intermediários. O Governo Federal e o BNDES orientam os interessados a desconfiar de pessoas que cobrem taxas ou prometam aprovação garantida.
Fonte: Governo Federal, BNDES