Economia

RETALIAÇÃO

Governo Lula adota medidas para reduzir o impacto do novo tarifaço de Trump

NoAlíquota adicional atinge setores como máquinas e etanol; governo Lula descarta retaliação imediata e aposta em crédito e novos mercados

Da Redação

22 de julho de 2026 às 11:32 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros começou a valer, afetando 18% das exportações para os EUA.
  • Cerca de US$ 7,4 bilhões de exportações são impactadas; mais de 2.100 produtos, como café e carne bovina, ficaram isentos.
  • O governo brasileiro não pretende retaliar imediatamente, preferindo a negociação.
  • Medidas de apoio incluem ampliação de crédito, flexibilização de regras e busca por novos mercados.
  • As acusações dos EUA, como práticas desleais e problemas no combate à corrupção, são contestadas pelo Brasil.
  • Há possibilidade de um novo tarifaço de 12,5% por parte dos EUA.
  • A culpa pelo tarifaço é atribuída por muitos brasileiros aos filhos de Jair Bolsonaro, que teriam influenciado a decisão de Trump.

SAUL LOEB / AFP via Getty Presidente Donald Trump
Presidente Donald Trump

A nova tarifa adicional de 25% imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros entrou em vigor à 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22). A medida, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), foi duramente criticada pelo governo brasileiro, que qualificou a decisão como "injusta e descabida".

A sobretaxa poderá alcançar cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Mais de 2.100 produtos, no entanto, permaneceram isentos da medida. A lista de produtos afetados inclui itens como máquinas agrícolas, etanol, roupas, calçados e material elétrico, enquanto café, suco de laranja e carne bovina ficaram fora da cobrança adicional.

Governo descarta retaliação imediata e foca em negociação

Em reunião com representantes dos setores afetados na terça-feira (21), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afastou a possibilidade de aplicação imediata da Lei de Reciprocidade Econômica. "A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", declarou.

O governo federal estruturou um pacote de apoio com três frentes principais: ampliação de linhas de crédito por meio do programa Brasil Soberano, flexibilização temporária das regras do regime de drawback e busca ativa por novos mercados para os setores atingidos, incluindo Canadá, Emirados Árabes e Japão.

O ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, reforçou que a prioridade é proteger a indústria nacional. "O fato de [a decisão de Washington] ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não irá adotar todas as medidas para, no mínimo, amenizar o dano", afirmou.

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Vice-presidente Geraldo Alckmin explica as medidas adotadas pelo governo brasileiro 
Argumentos dos EUA são contestados

Washington justifica a decisão alegando supostas práticas comerciais desleais do Brasil, incluindo favorecimento ao sistema Pix, tarifas sobre etanol, ações do STF contra big techs, e supostas falhas no combate à corrupção e ao desmatamento. O governo brasileiro e especialistas contestam veementemente essas acusações.

Em relação ao Pix, analistas apontam que o verdadeiro motivo da reclamação americana é geopolítico: o sistema desafia o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos do Brasil. Dados mostram que, mesmo com a expansão do Pix, os cartões de crédito americanos movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, crescimento de 10,1%. O economista Maicon Cláudio da Silva, da UFRRJ, destaca que "os EUA têm superávit comercial com o Brasil, portanto o tarifaço tende a prejudicar mais as empresas americanas".

Sobre o desmatamento, o secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, classificou as alegações como "totalmente infundadas". Segundo estudo do MapBiomas, o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025 — redução de 20,6% em relação a 2024.

Nova taxa pode ser ampliada em breve

Um segundo tarifaço de 12,5% pode ser adicionado contra o Brasil no escopo de investigações do USTR sobre 60 países, envolvendo o combate ao trabalho escravo. A decisão será apresentada na próxima sexta-feira (24). Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a nova determinação deve ser universal e sem isenções. O governo brasileiro aguarda a definição sobre a cumulatividade das taxas.

Enquanto isso, a diplomacia brasileira segue ativa. O governo já realizou cinco reuniões com representantes de comércio dos EUA desde maio, defendendo que nenhuma das razões apontadas pelo USTR se justifica. Como afirmou Alckmin, a estratégia é "buscar a interlocução com os setores" e trabalhar para "corrigir" a situação sem recorrer a uma guerra tarifária que, segundo ele, deixaria "os dois cegos".

A culpa 

Pesquisas recentes apontam que a maioria dos brasileiros culpa a família Bolsonaro pelas sobretaxas aplicadas ao Brasil pelo Governo Trump. Os irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro teriam feito campanha nos Estados Unidos para aplicar sansões ao país.

De acordo com a versão política apurada nas pesquisas, a ideia dos Bolsonaro era prejudicar a economia e, consequentemente, o governo Lula para tentar salvar o pai deles, o ex-presidente Jair Bolsonaro, da prisão. O mandatário está preso por tentar um golpe de estado entre o final de 2022 e início de 2023.

Os bolsonaristas, por sua vez, tentam culpar o governo Lula pela situação. Dizem que o governo não buscou negociar e quis enfrentar o poder dos norte-americanos. A pesquisa mostram que a maioria dos brasileiros culpa os filhos de Jair Bolsonaro pelo tarifaço de Trump.

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Donald Trump ouviu as demandas dos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo na Casa Branca

Fonte: DCM