Economia

DESCANSO MERECIDO

Fim da escala 6x1 e redução da jornada avançam no Senado como prioridade em 2026

PEC prevê dois dias de descanso semanal e diminuição da carga horária de 44 para 36 horas, sem redução salarial

Da Redação

Segunda - 09/02/2026 às 12:57



Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil Manifestação pelo fim da escala 6x1
Manifestação pelo fim da escala 6x1

A proposta que põe fim à escala 6x1 e reduz a jornada semanal de trabalho voltou ao centro do debate político em 2026. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015 está pronta para ser votada no Senado Federal e é tratada como uma das prioridades do governo neste ano, segundo informações divulgadas pela Agência Senado nessa segunda-feira (9).

O texto estabelece mudanças estruturais nas relações de trabalho no país. Entre os principais pontos, a PEC amplia o descanso semanal de um para dois dias consecutivos, preferencialmente aos sábados e domingos, e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 36 horas semanais, sem corte na remuneração dos trabalhadores.

De acordo com estimativas apresentadas durante a tramitação, ao menos 38 milhões de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) devem ser diretamente beneficiados. A referência também se estende a servidores públicos, empregados domésticos e outras categorias, respeitando legislações específicas.

A proposta não prevê implementação imediata. Caso aprovada, no ano de publicação do texto, as regras atuais se manterão. Já no ano seguinte, o número de descansos semanais passará de um dia, como é hoje, para dois dias na semana e a jornada começará a ser reduzida. Apenas seis anos depois os novos direitos estarão plenamente instituídos, o que, segundo defensores do texto, permitiria adaptação das empresas e do mercado de trabalho às novas regras. 

Relator da PEC, o senador Rogério Carvalho informou que o governo federal pretende encaminhar um projeto de lei em regime de urgência para acelerar a tramitação do tema no Congresso Nacional. A estratégia faz parte de um conjunto de iniciativas consideradas prioritárias pelo Executivo para 2026, que inclui, além da reorganização da jornada de trabalho, ações na área de segurança pública.

A tabela abaixo mostra a jornada semanal média de trabalho por país, com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O levantamento evidencia as diferenças no tempo dedicado ao trabalho ao redor do mundo, revelando contrastes significativos entre economias emergentes e países desenvolvidos, além de situar o Brasil em relação à média global e a outras nações.

Butão54,4
Emirados Árabes Unidos50,9
Catar48
Índia46,7
China46,1
Colômbia44,2
Turquia43,9
México43,7
Peru43
África do Sul42,6
Angola41,4
Cuba41
Chile40,4
Rússia39,2
Brasil39
Venezuela38,7
Coreia do Sul38,6
Israel38,5
Média mundial38,2
Portugal38,2
Estados Unidos38
Uruguai37,3
Argentina37
Espanha36,7
Japão36,6
Islândia36,3
Itália36,3
França35,9
Reino Unido35,9
Suíça35,7
Irlanda35,6
Luxemburgo35,6
Suécia35,3
Bélgica35
Finlândia34,4
Alemanha34,2
Dinamarca33,9
Noruega33,7
Áustria33,5
Nova Zelândia33
Austrália32,3
Canadá32,1
Etiópia31,9
Países Baixos31,6
Vanuatu24,7

O fim da escala 6x1 tem sido defendido por centrais sindicais e movimentos trabalhistas como uma medida de proteção à saúde física e mental dos trabalhadores, além de um mecanismo de redistribuição do tempo de trabalho.

Com o texto pronto para votação, o Senado deve se tornar, nos próximos meses, o principal palco de uma discussão que pode redefinir a organização do trabalho no Brasil.

Fonte: Senado Notícias

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