Economia

IMPACTO DA IA

Christopher Pissarides minimiza impacto da IA no desemprego

Nobel de Economia destaca papel assistencial da IA em conferência no Brasil

Teresinha Ferreira

17 de julho de 2026 às 16:46 ▪ Atualizado há 1 hora

Ver resumo
  • Christopher Pissarides argumenta que o impacto da IA no desemprego é exagerado, vendo-a mais como uma ferramenta de assistência.
  • Em sua fala na 25ª Conferência da SAET, destacou que os efeitos da IA no desemprego são pequenos no contexto macroeconômico.
  • Setores como construção demandam mais empregos, e novas vagas surgem em segurança, manutenção e robótica.
  • Trabalhadores de tecnologia enfrentam necessidade de reaprendizagem devido à obsolescência de habilidades.
  • Desigualdades regionais e salariais são exacerbadas, com investimentos concentrados em polos tecnológicos.
  • Setores menos automatizáveis, como hotelaria e enfermagem, podem sofrer estagnação salarial.
  • Reformas educacionais são necessárias, focando em "aprender a aprender", combinando ciências exatas e sociais.
  • O evento também homenageia o economista Aloisio Araujo e continua até 18 de março com outros economistas renomados.

Agência Brasil O Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides
O Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides

O Nobel de Economia de 2010, Christopher Pissarides, afirmou que o impacto da Inteligência Artificial (IA) no desemprego tem sido superestimado. Segundo ele, a IA atua mais como ferramenta de assistência aos trabalhadores do que como substituta da mão de obra.

Pissarides apresentou suas análises durante a 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET) no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro. Ele destacou que embora alguns exemplos de desemprego ganhem notoriedade, principalmente em empresas de tecnologia, os efeitos são "muito pequenos" quando observados no contexto macroeconômico.

Em setores como a construção civil, Pissarides observa um aumento na demanda de empregos. Há também a criação de novas vagas em áreas como segurança, manutenção e robótica. Ele também abordou a obsolescência de habilidades profissionais, enfatizando que os trabalhadores diretamente envolvidos com tecnologia enfrentam maior pressão por reciclagem.

Pissarides também alertou sobre as desigualdades regionais e salariais geradas pela IA. Cerca de 60% dos investimentos na tecnologia estão concentrados em grandes polos como Londres-Oxford-Cambridge, aumentando a disparidade econômica em regiões periféricas. Além disso, setores como hotelaria e enfermagem, menos suscetíveis à automação, enfrentam risco de estagnação salarial.

O economista defendeu reformas educacionais para enfrentar a era da IA, sugerindo que o foco deve ser "aprender a aprender", combinando ciências exatas e sociais. O evento, que homenageia os 80 anos do economista brasileiro Aloisio Araujo, segue até sábado (18) com a presença de outros renomados economistas.

Fonte: Agência Brasil