Economia

INFLAÇÃO E POLÍTICA MONETÁRIA

Banco Central vê desaceleração da inflação, mas mantém cautela

BC alerta que expectativas inflacionárias ainda são altas em cenário incerto.

Teresinha Ferreira

11 de agosto de 2026 às 11:16 ▪ Atualizado há 7 horas

Ver resumo
  • A Selic foi reduzida para 14% ao ano devido à desaceleração da inflação, embora ainda haja incertezas.
  • A decisão busca estabilidade de preços, redução de oscilações econômicas e promoção do emprego pleno.
  • A política monetária é considerada fundamental para desinflação, mas a demanda ainda pressiona a inflação.
  • Manter juros restritivos é visto como essencial pelo Banco Central.
  • O Boletim Focus projeta o câmbio partindo de R$ 5,10 por dólar.
  • A inflação ao consumidor está desacelerando, mas acima da meta; os preços ao produtor caíram.
  • Crescimento do crédito e incerteza sobre a dívida pública podem pressionar as taxas de juros.
  • No cenário internacional, há incertezas como conflitos no Oriente Médio e políticas de economias avançadas.
  • Internamente, há moderação na atividade econômica e o mercado de trabalho segue forte, mas com crescimento da ocupação diminuindo.

Agência Brasil Banco Central
Banco Central

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic para 14% ao ano, destaca uma desaceleração da inflação, embora persista um cenário de incertezas. Conforme o documento divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (11), as expectativas inflacionárias ainda são consideradas elevadas em um contexto de riscos.

O Copom avalia que a redução da taxa Selic está "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta". A decisão visa não apenas a estabilidade de preços, mas também a atenuação das oscilações econômicas e a promoção do emprego pleno.

Apesar do corte nos juros, o comitê enfatiza a necessidade de prudência no atual cenário. Segundo a ata, a política monetária tem contribuído significativamente para o processo de desinflação, mas a pressão inflacionária da demanda ainda persiste.

Por isso, o Banco Central considera essencial manter os juros em nível restritivo. 

Usando o cenário de referência do Banco Central, as projeções do Boletim Focus calculam a taxa de câmbio partindo de R$ 5,10 por dólar, evoluindo de acordo com a paridade do poder de compra.

Embora a inflação ao consumidor esteja desacelerando, permanece acima do limite da meta. Já os preços ao produtor caíram, influenciados pela indústria extrativa. O BC alerta ainda que o crescimento do crédito e a incerteza sobre a dívida pública podem pressionar as taxas de juros.

No cenário internacional, a ata menciona incertezas elevadas, incluindo os conflitos no Oriente Médio e políticas monetárias de economias avançadas. A volatilidade nos preços de ativos e commodities exige cautela dos países emergentes.

Internamente, o Copom observa sinais de moderação na atividade econômica. Mesmo com a desaceleração, o mercado de trabalho continua forte, com baixa taxa de desemprego, ainda que o crescimento da ocupação esteja diminuindo. Os rendimentos médios dos trabalhadores seguem crescendo acima da produtividade, mas perderam força.

Fonte: Agência Brasil