Cidade

NÍVER OU VELÓRIO

Programação oficial dos 174 anos de Teresina parece mais de velório que de aniversário

No papel, a celebração dos 174 anos da cidade tem cara de despedida; na prática, a capital piauiense segue esquecida pela gestão que deveria cuidar dela

Da Redação

12 de agosto de 2026 às 02:42 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A programação oficial para os 174 anos de Teresina foi criticada por ser vista como melancólica e inadequada para uma celebração.
  • As atividades incluem missa, culto, sessão solene e concerto, sem eventos populares ou culturais significativos.
  • A crítica destaca a falta de atrações culturais, esportivas e turísticas que valorizariam a cidade e sua história.
  • A programação reflete a percepção de abandono e inércia da atual administração da cidade.
  • Compara-se negativamente a celebração de Teresina com outras, como a de Parnaíba, que têm festividades animadas.
  • A ausência de celebrações maiores é vista como um sinal de que não há conquistas recentes a serem comemoradas.
  • O texto critica a falta de iniciativa e envolvimento dos órgãos municipais para criar uma programação memorável.
  • Pontos como saúde precária e transporte público deficiente são mencionados como questões urgentes negligenciadas.
  • Sugere-se que a programação triste reflete o estado atual da cidade e a gestão do prefeito Silvio Mendes.

Imagem gerada por IA Não vamos celebrar a morte de Teresina: vamos lutar pela cidade
Não vamos celebrar a morte de Teresina: vamos lutar pela cidade

Chega ser vergonhosa a programação oficial preparada pela Prefeitura de Teresina para celebrar os 174 anos da capital piauiense, no próximo dia 16 de agosto. O roteiro parece mais de um velório do que uma comemoração. Com missa, culto, sessão solene e uma outorga de medalha, o calendário foge completamente do esperado para uma data especial. Em qualquer lugar do mundo um aniversário, principalmente de uma cidade, é sempre sinônimo de festa. Em pequenas cidades geralmente ocorrem festejos de pelo menos uma semana.

Em vez de música, palmas e celebração popular, o que se vê é um roteiro que lembra mais uma despedida. A cidade, que já vive uma espécie de luto causado pelo abandono e pela falta de soluções para problemas históricos, ganha uma programação à altura da gestão atual: fraca, melancólica e sem alma.

O aniversário de uma cidade é um momento de exaltar sua história, sua gente e suas conquistas. É quando as ruas deveriam ferver com atrações culturais, shows e eventos que unissem a população. É assim bem ali em Parnaíba, que faz aniversário na sexta-feira (14). Mas em Teresina, não é o que acontece.

O roteiro oficial de aniversário de Teresina foi divulgado nesta terça-feira (11) pela Secretaria de Comunicação da PMT. No domingo (16), a programação começa com uma missa em Ação de Graças na Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo, seguida por uma Sessão Solene na Câmara Municipal e, para fechar, um concerto da Orquestra Sinfônica. No dia seguinte, um culto evangélico encerra as "festividades".

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Programação oficial da Prefeitura de Teresina para o aniversário da cidade 

E a festa?

Cadê a festa? Cadê o evento popular que mobilize as famílias e mostre a vitalidade da cidade? A falta de uma programação mais arrojada para uma celebração de 174 anos não é apenas um vacilo de agenda. É um diagnóstico. É uma foto do estado de espírito e da inércia dos que estão no comando da cidade. A impressão que fica é que a gestão do prefeito Silvio Mendes (União Brasil) não encontrou motivos para festejar. E, de fato, não há motivos.

Em uma gestão com mínima iniciativa, cada órgão municipal, em sua área, teria contribuído para construir um calendário que ficasse na memória do teresinense. Que despertasse amor pela cidade. Que elevasse a autoestima de quem vive aqui. Mas não. Nenhum órgão se mobilizou. Isso não aconteceu, segundo a programação oficial da PMT.

Nesse roteiro triste, a pergunta "cadê a festa?" serve, na verdade, como início de uma cascata de várias outras perguntas incômodas:

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A estação ferroviária de Teresina é um símbolo arquitetônico da cidade 

Cadê a autoestima do teresinense? Uma gestão que não celebra sua cidade está dizendo, nas entrelinhas, que não há o que celebrar. E se não há o que celebrar, é porque a própria gestão reconhece, ainda que indiretamente, o fracasso de sua administração. Missa e culto são programações importantes, sim, mas para dias comuns, não para o dia em que a cidade deveria explodir em alegria. E com missas e cultos em todas as igrejas celebrando a data especial.

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Igreja de Nossa Senhora do Amparo, no Marco Zero da cidade de Teresina 

Cadê o reconhecimento da cultura local? O que fez a Fundação Cultura Monsenhor Chaves? Nada, segundo a programação oficial. Enquanto isso, artistas locais, músicos, dançarinos, artesãos, ficam sem palco, sem visibilidade, sem a chance de mostrar que Teresina respira cultura. É quase como se a gestão dissesse: "A cultura não é prioridade".

Cadê o esporte como ferramenta de integração? Corrida de rua, passeio ciclístico, competição náutica nos rios Poti e Parnaíba, tudo isso poderia ter sido organizado. Mas não foi. A Secretaria de Esportes, em vez de movimentar o corpo da cidade, preferiu o imobilismo. E a mensagem é clara: "Não se mexa!".

Cadê o turismo como vitrine da cidade? Teresina avançou no mapa do turismo nacional, mas a Secretaria de Turismo não preparou nada de especial para o aniversário. Roteiros guiados, visitas a pontos históricos, ações de valorização dos rios, tudo ficou no papel. Ou nem isso.

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A realidade não combina com festa 

Analisando melhor, a Prefeitura pode ter razão em não festejar. A realidade da cidade não combina mesmo com festa. A população clama  por atenção em áreas essenciais. O caos na saúde, com filas e falta de leitos; o transporte público praticamente inexistente, que penaliza a população mais pobre; e o saneamento básico precário são problemas graves que a gestão municipal parece enxergar.

A programação fúnebre para o aniversário de Teresina é um símbolo do que a cidade vive sob a administração de Silvio Mendes. Não há o que comemorar quando o sorriso das crianças é substituído pela preocupação com a falta de vagas em escolas, e quando o direito à saúde e à mobilidade é diariamente negado.

Teresina precisa sim de missas e cultos para marcar seu aniversário, mas também precisa de gestos que demonstrem que ela é uma prioridade para quem a governa. Uma capital de estado com 174 anos merece uma festa à altura de sua história, mas, principalmente, merece um governo que a trate com o respeito e a urgência que seus problemas exigem. 

E aqui vai outra pergunta: O luto da programação de aniversário é apenas uma coincidência ou é o reflexo do estado de abandono em que a cidade se encontra?

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A cidade e sua imagem no espelho do rio Poti