Cidade

COMÉRCIO PARA CAMELÔ

Novo Shopping da Cidade terá 500 boxes em Teresina

Projeto enviado pelo Governo do Piauí à Assembleia Legislativa autoriza a cessão de prédio histórico à Prefeitura por 20 anos; obras podem custar até R$ 35 milhões

Teresinha Ferreira

29 de julho de 2026 às 06:27 ▪ Atualizado há 1 hora


Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial/Piauí Hoje. Novo Shopping da Cidade deverá receber cerca de 500 comerciantes ambulantes no Centro de Teresina.
Novo Shopping da Cidade deverá receber cerca de 500 comerciantes ambulantes no Centro de Teresina.

O Governo do Piauí encaminhou à Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) um projeto de lei que autoriza a cessão gratuita, pelo prazo de 20 anos, de um imóvel estadual para a Prefeitura de Teresina. O prédio deverá abrigar a segunda unidade do Shopping da Cidade, destinada a receber cerca de 500 comerciantes ambulantes que atualmente trabalham nas ruas, avenidas e praças do Centro da capital.

A proposta consta no Projeto de Lei nº 74/2026, encaminhado pelo governador Rafael Fonteles (PT) por meio da Mensagem nº 90/2026. O texto começou a tramitar na Assembleia e ainda precisará passar pelas comissões técnicas e pelo plenário antes de ser encaminhado para sanção.

O imóvel escolhido é o antigo prédio da Companhia Editorial do Piauí (Comepi), localizado na região da Praça Marechal Deodoro, conhecida como Praça da Bandeira, no Centro de Teresina. A edificação possui área de 1.974,65 metros quadrados, pertence ao patrimônio estadual e é protegida por tombamento.

Prédio será destinado exclusivamente aos ambulantes

Conforme o projeto, o imóvel deverá ser utilizado exclusivamente para implantação da segunda unidade do Shopping da Cidade e acomodação dos comerciantes informais que trabalham nas vias públicas da região central. Na justificativa encaminhada aos deputados, o Governo do Piauí afirma que a iniciativa pretende reorganizar o comércio informal, melhorar as condições de trabalho dos ambulantes e contribuir para a mobilidade urbana e a recuperação econômica do Centro de Teresina. 

A transferência dos trabalhadores para um espaço estruturado também deverá permitir a reorganização das calçadas, ruas e praças atualmente ocupadas por bancas, carrinhos e mercadorias. Depois da instalação dos comerciantes no novo Shopping da Cidade, a Prefeitura pretende ampliar a fiscalização para impedir novas ocupações irregulares dos espaços públicos.

Novo shopping poderá receber 500 comerciantes

A expectativa da administração municipal é instalar aproximadamente 500 boxes no novo centro comercial. O prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, já havia anunciado que o projeto arquitetônico para adaptação do imóvel estava concluído. O investimento previsto varia entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões. Segundo informações divulgadas anteriormente pela Prefeitura, os recursos necessários para execução das obras estariam assegurados. A nova estrutura será a segunda unidade do Shopping da Cidade de Teresina. A primeira funciona nas proximidades da Praça da Bandeira e da Avenida Maranhão, reunindo comerciantes que anteriormente trabalhavam nas ruas do Centro.

Imóvel histórico está deteriorado

Construído no século XIX, o prédio da antiga Comepi possui mais de 160 anos de história. Inicialmente, o espaço abrigou instalações ligadas à Companhia de Navegação a Vapor do Parnaíba, atividade que teve papel importante no desenvolvimento econômico da capital. Posteriormente, o imóvel sediou a Companhia Editorial do Piauí e serviços relacionados ao Diário Oficial do Estado. Com o passar do tempo, a edificação ficou desativada e passou a apresentar sinais de deterioração.

Na mensagem enviada à Alepi, o Governo argumenta que a recuperação e a ocupação permanente do prédio representam uma alternativa para assegurar sua conservação. A proposta teria recebido manifestação favorável da Secretaria de Estado da Cultura do Piauí (Secult). Por se tratar de um bem histórico protegido, as obras deverão obedecer às normas de preservação e manter os elementos arquitetônicos relevantes. Reformas, adaptações e intervenções precisarão ser submetidas aos órgãos estaduais responsáveis pela proteção do patrimônio.

Reformas ficarão incorporadas ao patrimônio estadual

Durante os 20 anos de cessão, a responsabilidade pela conservação, manutenção e funcionamento do espaço ficará com a Prefeitura. Ao final do prazo, o imóvel deverá retornar ao controle do Estado, incluindo todas as melhorias realizadas. A autorização também deverá respeitar as regras da legislação eleitoral, da Lei de Responsabilidade Fiscal e das demais normas aplicáveis à transferência e utilização de bens públicos.