Cidade

INVESTIGAÇÃO

MPPI investiga funcionários temporários da FMS que estariam há mais de 10 anos nos cargos

Promotoria apura se contratos de assistentes sociais foram renovados além do prazo permitido pela lei municipal

Da Redação

17 de setembro de 2026 às 12:18 ▪ Atualizado há 19 minutos

Ver resumo
  • O MPPI abriu um inquérito para investigar contratos temporários de assistentes sociais da FMS de Teresina, válidos por mais de dez anos.
  • A promotora Denise Costa Aguiar está conduzindo a investigação, iniciada após uma denúncia anônima.
  • A legislação municipal permite contratos temporários de 12 a 24 meses, com prorrogações, levantando dúvidas sobre a legalidade das extensões atuais.
  • A FMS justificou que os temporários substituem servidores afastados.
  • Documentos sobre os contratos e seleções foram solicitados pelo MPPI.
  • Será apurado se há desrespeito às regras de concursos públicos, com candidatos aguardando convocação.
  • A investigação, que pode durar um ano, avaliará possível improbidade administrativa.
  • A FMS declarou estar reorganizando seu quadro e afirmou ter convocado 1.706 novos servidores aprovados em concurso recente.

FMS Fundação Municipal de Saúde - FMS | Foto: FMS
Fundação Municipal de Saúde - FMS | Foto: FMS

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) abriu, nesta quinta-feira (17), um inquérito civil para investigar a permanência de assistentes sociais contratados temporariamente pela Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina por mais de dez anos.

A investigação é conduzida pela promotora de Justiça Denise Costa Aguiar, da 35ª Promotoria de Justiça de Teresina, e começou após uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria do MPPI.

Em termos simples, o Ministério Público quer saber por que profissionais que foram contratados para trabalhar por tempo determinado continuam ocupando os cargos temporários tantos anos depois.

Segundo a denúncia recebida pelo MPPI, alguns desses contratos teriam começado entre 2013 e 2014 e continuariam sendo renovados até hoje.

O que a lei diz?

A Lei Municipal nº 3.290/2004 estabelece limites para os contratos temporários feitos pela Prefeitura de Teresina. De acordo com o MPPI, essas contratações podem durar 12 ou 24 meses, já considerando possíveis prorrogações.

Por isso, a Promotoria está investigando se a manutenção de contratos por mais de dez anos está de acordo com a legislação.

A FMS informou ao Ministério Público que os profissionais temporários atuariam como substitutos de servidores efetivos que estavam afastados por motivos como férias ou licenças.

No entanto, segundo o MPPI, a Fundação não apresentou documentos suficientes para comprovar a situação.

Entre os documentos que a Promotoria solicitou estão os contratos dos profissionais, os processos seletivos utilizados para as contratações e informações sobre quais servidores efetivos estariam sendo substituídos e os motivos dos afastamentos.

Concurso público também será analisado

O Ministério Público também vai verificar se os profissionais temporários continuam ocupando essas vagas enquanto pessoas aprovadas no concurso público da FMS, realizado por meio do Edital nº 01/2024, aguardam convocação.

A investigação vai analisar se existem vagas que poderiam ser ocupadas pelos candidatos aprovados e se a permanência dos temporários está sendo feita de acordo com as regras previstas na legislação.

A Promotoria também vai apurar se a situação pode configurar improbidade administrativa, caso seja comprovado o descumprimento das regras sobre contratos temporários e concursos públicos.

Investigação ainda está no início

O inquérito civil terá prazo de um ano para ser concluído. Durante esse período, o Ministério Público poderá solicitar documentos, ouvir responsáveis e realizar outras diligências para esclarecer como os contratos foram feitos e renovados ao longo dos anos.

A abertura do inquérito não significa que já houve comprovação de irregularidade ou de improbidade. O objetivo da investigação é justamente verificar se houve descumprimento da legislação.

FMS se manifesta

Procurada pela reportagem sobre a investigação do Ministério Público do Piauí (MPPI), que apura a manutenção de contratos temporários de assistentes sociais por mais de dez anos na Fundação Municipal de Saúde (FMS), a instituição informou que está realizando uma reorganização do quadro de servidores.

A FMS também afirmou que, durante a atual gestão, não houve novas contratações de servidores com vínculo precário e destacou a convocação de 1.706 profissionais aprovados no último concurso público.

Confira a nota na íntegra:

"NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que conduz, neste momento, um processo de reorganização do quadro funcional e vem adotando as medidas necessárias para ajustar todas as situações identificadas, com foco na eficiência dos serviços, na racionalidade financeira e no planejamento estratégico, sempre de acordo com as reais necessidades da rede municipal de saúde e com os princípios da responsabilidade fiscal.

A FMS esclarece ainda que, durante a atual gestão, não houve contratação de novos servidores com vínculo precário. Como parte do processo de fortalecimento e reorganização do quadro efetivo, já foram convocados 1.706 profissionais aprovados no último concurso público, o maior número de convocações da história da instituição. As convocações são realizadas conforme as demandas assistenciais da rede, após análise técnica, e obedecem ao cronograma estabelecido para este segundo semestre, em conformidade com a legislação vigente.

A Fundação informa que permanece à disposição dos órgãos de controle para prestar os esclarecimentos e fornecer as informações necessárias."

Fonte: MPPI