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CARBONO OCULTO 86

Frentistas demitidos de postos fechados por ligações com PCC lutam por direitos na Justiça

No total, 42 postos foram fechados na região, sendo 35 no Piauí, incluindo estabelecimentos no Maranhão, visando desarticular a infiltração da facção

Da Redação

Terça - 17/03/2026 às 12:20



Foto: Ascom Imepi Operação Carbono Oculto 86, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, interditou 35 postos no Piauí
Operação Carbono Oculto 86, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, interditou 35 postos no Piauí

Pelo menos 280 frentistas foram demitidos após a interdição de 35 postos de combustíveis somente no Piauí, decorrente da deflagração da Operação Carbono Oculto 86, em novembro de 2025, realizada pela Polícia Civil, que investiga lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Atualmente, o Sindicato dos Empregados em Postos de Combustíveis Derivados de Petróleo do Estado do Piauí (Sinpospetro-PI) trava uma batalha na Justiça para que esses trabalhadores possam receber o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Seguro-Desemprego.

No total, 42 postos foram fechados na região, sendo 35 no Piauí, incluindo estabelecimentos no Maranhão, visando desarticular a infiltração da facção criminosa no setor.

De acordo com Sebastião Oliveira, presidente do Sinpospetro-PI, "a gente está entrando no processo da justiça para liberar o FGTS e o Seguro-Desemprego e o processo vai ocorrer na justiça. Pra ver qual é a decisão que o juiz vai tomar pra liberar o dinheiro que está bloqueado para pagar os trabalhadores", diz, acrescentando que a direção da Rede Diamante deu aviso prévio para todos os frentistas que prestavam trabalho para a empresa. "Não tem outra decisão, a não ser recorrer à justiça", complementa.

Policiais durante interdição de posto da Rede HD na Operação Carbono Oculto 86 em Teresina. Foto: Ascom SSP-PI

Trabalhadores aguardam por justiça

Sebastião explica que o Sinpospetro-PI tentou fazer vários acordos junto ao Ministério Público, "mas infelizmente os donos de postos não têm como pagar, pois as contas bancárias estão todas bloqueadas. Então, tem que recorrer à Justiça", argumenta ele. "Vamos fazer nosso papel enquanto entidade sindical". Ele disse que muitos dos trabalhadores demitidos já conseguiram emprego em outros postos, enquanto outros estão procurando e aguardando a decisão da Justiça.

O sindicalista falou que os donos de postos interditados até tentaram reabrir os estabelecimentos, mas um desembargador acatou o que determinou a Justiça e revogou a decisão. "Não podemos deixar o trabalhador na mão", enfatiza, acrescentando que esse processo deve se arrastar ainda por mais de dois anos.

Vale lembrar que os frentistas demitidos, conforme Sebastião Oliveira, receberam seus salários até fevereiro de 2026. "Cabe agora o Ministério Público estar nos apoiando para que todos possam receber seus direitos trabalhistas", avalia. Ele frisa que o sindicato está cumprindo seu papel, recorrendo à Justiça na tentativa de garantir os direitos assegurados à categoria.

É preciso ressaltar que os frentistas não querem dar depoimentos sobre a atuação situação por temer retaliações do crime organizado.

Fonte: Sinpospetro-PI

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