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Academia Simplifit proíbe mulheres trans de usarem banheiro feminino em Teresina

Empresa afirma que medida segue legislação sancionada pelo prefeito Silvio Mendes; FONATRANS entrou com ação na Justiça contra norma que restringe uso de banheiros por pessoas trans

Natalia Costa

07 de agosto de 2026 às 13:14 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • A academia Simplifit, em Teresina, colocou um aviso proibindo mulheres trans de usarem o banheiro feminino, em cumprimento à Lei Municipal nº 6.389/2026.
  • A lei estabelece que banheiros femininos sejam exclusivos para mulheres biológicas.
  • A decisão gerou polêmica nas redes sociais e reacendeu debates sobre direitos LGBTQIAPN+.
  • O proprietário da academia, Artur Williams, afirmou cumprir a lei vigente sem intenção de desrespeitar ninguém.
  • A academia destaca que não tem posicionamento político ou ideológico, apenas cumpre regras municipais.
  • A legislação, sancionada pelo prefeito Silvio Mendes, visa proteger a intimidade de mulheres biológicas.
  • O FONATRANS entrou com uma ação para questionar a constitucionalidade da lei, afirmando que ela é discriminatória.
  • A ação ainda será julgada pela Justiça do Piauí, podendo suspender a lei se aceita.

Reprodução Academia Simplifit
Academia Simplifit

A academia Simplifit, em Teresina, colocou um comunicado na porta do banheiro feminino informando que mulheres trans não podem utilizar o espaço. A medida, segundo a empresa, foi adotada em cumprimento à Lei Municipal nº 6.389/2026, sancionada pelo prefeito Silvio Mendes (PSDB), que estabelece que banheiros femininos sejam destinados exclusivamente às mulheres biológicas.

O comunicado foi fixado na entrada do banheiro feminino da unidade e informa:

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A decisão gerou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a legislação aprovada em Teresina, que vem sendo questionada por entidades de defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+.

Empresário afirma que decisão segue lei municipal

O empresário Artur Williams, proprietário da rede Simplifit Academias, se pronunciou sobre a repercussão do comunicado e afirmou que a medida não teve como objetivo constranger ou desrespeitar nenhuma pessoa, mas cumprir uma legislação que está em vigor.

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Segundo ele, como empresário, não caberia escolher quais leis seguir.

“Eu não fiz isso pra constranger ou desrespeitar ninguém. A decisão foi simples: existe uma lei municipal em vigor e eu entendo que, como empresário, eu tenho o dever de cumpri-la. Não posso escolher qual lei merece ou não ser respeitada de acordo com a minha opinião", declarou nas redes sociais.

O empresário afirmou ainda que ver com estranheza algumas mulheres criticando a medida e que está apenas cumprindo a legislação.

"Foi assim que aprendi com meu pai, em memória: ele sempre me dizia pra fazer o que é certo, mesmo quando isso não agradasse, cumpra com suas obrigações, só assim você será uma pessoa melhor. E confesso que me causa estranheza ver algumas mulheres se posicionando contra uma lei que trata justamente de um espaço destinado a elas. A lei pode ter o que se discutir, mas não sou eu quem decidi, eu sou um simples empresário, minha função é só cumprir."

A Simplifit também divulgou uma nota oficial afirmando que o aviso colocado nas unidades teve “caráter exclusivamente administrativo” e foi adotado em razão da legislação municipal vigente.

Segundo a empresa, a medida não representa um posicionamento político ou ideológico, mas uma adequação às regras aprovadas pelo município.

“A Simplifit respeita todas as pessoas e não compactua com transfobia, discriminação, ofensas ou qualquer tratamento desrespeitoso”, afirmou a academia.

Lei foi sancionada por Silvio Mendes 

A Lei Municipal nº 6.389/2026 foi sancionada pelo prefeito Silvio Mendes no dia 30 de julho e instituiu a Política Municipal de Proteção da Mulher. Entre os pontos previstos está a determinação de que banheiros femininos sejam utilizados exclusivamente por mulheres biológicas.

O texto da legislação afirma que a medida tem como objetivo “garantir a utilização de banheiros exclusivos às mulheres biológicas, como forma de resguardar a sua intimidade e de combater todo tipo de importunação ou de constrangimento”.

Além da questão dos banheiros, a lei também prevê ações de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres, campanhas educativas, capacitação de servidores e regras relacionadas a competições esportivas.

FONATRANS recorre à Justiça contra legislação

Após a sanção da lei, o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS) ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) para questionar a validade da norma.

A entidade afirma que a legislação viola direitos garantidos pela Constituição Federal, como dignidade da pessoa humana, igualdade e o princípio da não discriminação.

Para o FONATRANS, a lei cria uma restrição contra travestis e transexuais e oficializa uma prática considerada discriminatória pelo movimento.

A ação ainda será analisada pela Justiça do Piauí. Caso o pedido seja aceito, a aplicação da lei poderá ser suspensa. Enquanto isso, a norma permanece em vigor no município de Teresina.