Brasil

LEI MARIA DA PENHA

Retratação em casos de violência só poderá ser solicitada pela própria mulher

Mudança na Lei Maria da Penha determina que audiência de retratação só ocorra por iniciativa da mulher

Da Redação

Terça - 07/04/2026 às 10:17



Foto: Reprodução/Jarbas Oliveira Maria da Penha, referência na luta contra a violência doméstica, é alvo de polêmica com documentário retirado do ar
Maria da Penha, referência na luta contra a violência doméstica, é alvo de polêmica com documentário retirado do ar

Uma nova alteração na legislação brasileira de combate à violência contra a mulher passou a valer nesta terça-feira (7) e muda a forma como ocorre a chamada audiência de retratação — momento em que a vítima pode desistir da denúncia contra o agressor.

A Lei nº 15.380/2026 estabelece que esse tipo de audiência só poderá ser realizado mediante solicitação expressa da própria mulher. A medida altera a Lei Maria da Penha e busca garantir maior proteção e autonomia às vítimas.

Além disso, a nova regra determina que qualquer manifestação de desistência da denúncia deve ser feita diretamente ao juiz, de forma oral ou por escrito, antes do recebimento formal da acusação.

Combate à pressão sobre vítimas

A mudança surge como resposta a um problema recorrente: mulheres que desistem de denúncias após sofrerem pressão psicológica, ameaças ou dependência emocional em relação ao agressor.

Ao exigir que a iniciativa parta exclusivamente da vítima e que a decisão seja formalizada diante de um magistrado, a legislação tenta evitar interferências externas e garantir que a escolha seja realmente voluntária.

Especialistas e parlamentares defendem que a medida fortalece a rede de proteção e reduz a possibilidade de revitimização — quando a mulher é novamente exposta a situações de violência ou constrangimento durante o processo judicial.

Tramitação e origem da proposta

A alteração tem origem no Projeto de Lei 3.112/2023, de autoria da deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ). O texto foi aprovado pelo Congresso Nacional durante o mês de março e sancionado em abril, sendo publicado no Diário Oficial da União.

Durante a tramitação, o projeto foi defendido como uma forma de aprimorar os mecanismos da Lei Maria da Penha, considerada uma das principais ferramentas de combate à violência doméstica no Brasil.

Avanço na proteção das mulheres

A audiência de retratação já existia na legislação brasileira, mas a nova lei estabelece limites mais claros para sua realização. Antes, havia brechas que poderiam permitir interpretações que prejudicavam o andamento dos processos.

Agora, com a exigência de manifestação expressa da vítima, a expectativa é que haja mais segurança jurídica e maior efetividade no combate à violência doméstica.

Fonte: Agência Brasil

Siga nas redes sociais

Compartilhe essa notícia: