Um passaporte da modelo Eliza Samudio foi encontrado no interior de um apartamento em Portugal. A descoberta, revelada pelo Portal Leo Dias, traz novas dúvidas sobre o rastro deixado pela jovem antes de seu assassinato, ocorrido em 2010. O documento foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino do imóvel, que afirmou ter encontrado o passaporte guardado em uma estante, entre as páginas de um livro. Em nota oficial, a representação diplomática confirmou a autenticidade do documento, expedido em 2006, e informou que aguarda instruções do Itamaraty sobre o destino do material.
A notícia deixou os familiares de Eliza em estado de choque. Até então, a convicção da família e das autoridades era de que todos os pertences e documentos da modelo haviam sido destruídos pelos executores do crime. Durante as investigações em Minas Gerais, policiais chegaram a encontrar restos de objetos queimados que supostamente seriam da vítima.
O passaporte apresenta detalhes que intrigam especialistas. Há um registro de entrada em Portugal datado de 5 de maio de 2007, mas não há registros de saída de Portugal ou retornos posteriores, apesar de Eliza ter voltado ao Brasil e viajado novamente à Europa em 2008 e 2009. Uma pessoa próxima à modelo afirmou que pela aparência de Eliza na foto do documento, ela já estaria grávida do filho, Bruninho, o que conflitaria com a data de emissão de 2006.
O homem que encontrou o objeto, identificado apenas como José, preferiu manter o anonimato e não soube explicar como o documento foi parar na residência, que é compartilhada por mais de uma família. "Prefiro que as autoridades investiguem de fato para não ser injusto com ninguém", afirmou ele, questionando a possibilidade de alguém ter tentado usar o documento de uma pessoa cuja morte foi notícia no mundo inteiro.
Relembre o Caso
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, aos 25 anos. As investigações concluíram que ela foi assassinada a mando do então goleiro do Flamengo, Bruno Souza, com quem disputava judicialmente o reconhecimento da paternidade do filho. O corpo da modelo nunca foi encontrado. Em 2013, Bruno foi condenado a mais de 22 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
A expectativa agora é que a descoberta do passaporte motive a abertura de um procedimento para apurar se o documento circulou após a morte da modelo ou se permaneceu esquecido em Portugal desde sua última viagem voluntária ao país.