Brasil

DECISÃO

Maioria do STF resolve manter decisão que considerou Moro suspeito

O plenário do STF está reunido para debater se, com a confirmação da incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula, outros 14 recursos da defesa de Lula no Supremo perdem razão de existir

Cinthia Lucas

22 de abril de 2021 às 18:56


Ministro Sérgio Moro
Ministro Sérgio Moro

Por seis votos a dois, o plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria a favor de um recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que levou à suspeição do ex-juiz federal Sergio Moro. O julgamento ainda está em andamento. Até o momento, os contrários foram os ministros Edson Fachin, relator da ação, e Luís Roberto Barroso. Foram a favor do recurso da defesa de Lula os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Kassio Nunes Marques. 

O plenário do STF está reunido para debater se, com a confirmação da incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar Lula, outros 14 recursos da defesa de Lula no Supremo perdem razão de existir, como decidiu o ministro Edson Fachin em 8 de março. A defesa de Lula é contra a posição de Fachin e pede que os recursos continuem válidos. Entre esses recursos está o que tem relação com a suspeição de Moro. Como efeito, o plenário poderá manter ou anular a decisão da Segunda Turma do STF que considerou o ex-magistrado parcial no processo do tríplex.

Fachin diz que recursos "perderam objeto" 

No julgamento de hoje, Fachin disse entender que os 14 recursos "perderam o objeto" e votou por "negar provimento ao agravo regimental" de Lula. "A partir da declaração da incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba ao processo e julgamento das ações penais deflagradas em desfavor do paciente [Lula], as demais pretensões deduzidas perante o Supremo Tribunal Federal e expressamente indicadas na decisão agravada, especialmente a versada no HC 164.493 [recurso da suspeição], perderam o seu objeto em razão do superveniente prejuízo", disse Fachin em seu voto.

Barroso acompanhou a posição de Fachin em seu voto. O ministro concorda com o colega ao dizer que a questão da suspeição ficou prejudicada em razão da decisão sobre a incompetência. Para ele, "se o juiz sequer possui competência", não haveria razão para analisar a parcialidade. "Na cabe mais ao Supremo sequer se manifestar sobre a suspeição. Não estou dizendo que ela não ocorreu nem estou dizendo que ela não ocorreu. Estou apenas dizendo que, por considerar a 13ª Vara Federal incompetente, não há como logicamente, declarar o juiz suspeito", disse Barroso.

Gilmar lembra que Segunda Turma já avaliou tema Já o ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma, divergiu e votou a favor do recurso da defesa de Lula. Gilmar ressaltou o fato de a Turma ter decidido julgar a suspeição de Moro, mesmo após Fachin ter declarado a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, e que o caso não caberia novamente ao plenário. "Tanto é que essa história toda de 'ah, está trazendo para o plenário' não fica bem... uma subversão processual dessa ordem. Não é decente, não é legal, como dizem os jovens. Esse tipo de manobra de expediente é um jogo de falsos espertos, não é bom", declarou Gilmar. Em seu voto, Moraes disse avaliar que a questão da incompetência da 13ª Vara não afetou a análise sobre a questão da suspeição. "A imparcialidade, a neutralidade do magistrado precedem as regras objetivas de competência. E sabemos todos que as consequências são diversas também", argumentou.

O plenário julgou se Moro foi parcial?

Não. Os 11 ministros da Corte avaliaram se, em razão da decisão sobre a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba, outros recursos de Lula perderam o objeto. Entre eles, estava o sobre a suspeição de Moro no processo do tríplex. O que esteve em análise não era a parcialidade do ex-juiz, mas o recurso sobre a parcialidade. A maioria do STF decidiu que os recursos podem ser mantidos, mesmo com a incompetência da 13ª Vara. O debate sobre a suspeição em si é tema de um recurso da defesa do ex-presidente, e já foi apreciado pela Segunda Turma do STF, que, em 23 de março, declarou Moro parcial. O mérito desta ação, porém, não é item da pauta do plenário.

Outro julgamento 

Mais cedo, os ministros decidiram sobre outra questão que havia ficado pendente: o destino dos processos de Lula. Por opção da maioria, as ações da Lava Jato contra o ex-presidente ficarão com a Justiça Federal do Distrito Federal.

Fonte: UOL Notícias



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