Brasil

novo núcleo de racismo

Especialistas criam núcleo para analisar impacto do racismo no Brasil

Pesquisadores do Dara apontam dificuldade em compreender desigualdades raciais no país

Teresinha Ferreira

11 de julho de 2026 às 13:00 ▪ Atualizado há 1 hora

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  • Apesar de muitos estudos, o Brasil ainda enfrenta dificuldades em compreender o impacto do racismo nas desigualdades raciais.
  • O Dara, Dados e Análises do Racismo e do Antirracismo, foi lançado na Uerj para preencher essa lacuna.
  • O núcleo tem uma equipe de 18 pessoas e financiamento de agências públicas e instituições filantrópicas.
  • O coordenador Luiz Augusto Campos aponta a complexidade de medir o impacto do racismo e destaca o papel das ações afirmativas na composição da equipe.
  • O Dara pretende inovar metodologicamente no estudo do racismo e aplicar novas metodologias ao contexto brasileiro.
  • O núcleo observa uma regressão no Brasil na análise de dados sobre racismo, limitando a capacidade de gerar estimativas.
  • Mesmo com avanços do antirracismo, desafios persistem, especialmente contra políticas afirmativas.
  • O Dara busca evidenciar como o racismo gera desigualdades e aprimorar políticas antirracistas.

Dara possui financiamento híbrido, recebendo recursos de agências públicas de pesquisa e também de instituições filantrópicas.
Dara possui financiamento híbrido, recebendo recursos de agências públicas de pesquisa e também de instituições filantrópicas.

Apesar dos numerosos estudos sobre discriminação racial no Brasil, o país ainda enfrenta dificuldades para entender totalmente como o racismo afeta as desigualdades raciais. Essa é a avaliação de um grupo de pesquisadores, em sua maioria negros, que lançou um núcleo para preencher essa lacuna.

No final de junho, foi lançado o Dara, Dados e Análises do Racismo e do Antirracismo, ligado ao Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com uma equipe de 18 pessoas, incluindo coordenadores, pesquisadores e profissionais de comunicação e tecnologia.

O Dara possui financiamento híbrido, recebendo recursos de agências públicas de pesquisa e também de instituições filantrópicas.

Em entrevista, o professor de sociologia e ciência política Luiz Augusto Campos, coordenador-geral do núcleo, destacou a complexidade de estimar como o racismo impacta as desigualdades raciais. Ele observa que as pesquisas experimentais nessa área ainda estão em desenvolvimento no país.

Campos também ressaltou que a equipe de pesquisa do Dara é fruto de ações afirmativas que facilitaram o acesso de pessoas negras ao ensino superior. "Vários dos nossos pesquisadores fazem parte desse processo histórico," disse Campos.

O núcleo pretende colaborar e inovar metodologicamente nas pesquisas existentes, além de tentar aplicar novas metodologias ao contexto brasileiro para expandir o conhecimento sobre racismo e antirracismo.

Uma das constatações do Dara é a regressão no Brasil no processamento de dados para estudar o racismo. A dificultada integração de microdados oficiais limita a capacidade de gerar estimativas sobre o funcionamento do racismo e seus efeitos de médio e longo prazos.

Campos afirma que, embora o antirracismo tenha avançado na sociedade, desafios persistem, especialmente com setores que contestam políticas afirmativas. O Dara busca, assim, não apenas evidenciar como o racismo produz desigualdades, mas também como políticas antirracistas podem ser aprimoradas.

Fonte: Agência Brasil