PETROBRAS

De onde surgiu a história dos 900 bi de dívida da Petrobrás?

Para não errar (ou mentir) em relação à dívida da Petrobrás, é preciso conhecer algumas informações


Petrobrás

Petrobrás Foto: Divulgação

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2022 - A Petrobrás nunca chegou a ter dívida de R$ 900 bilhões, embora a vistosa cifra seja amplamente divulgada por Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral. Trata-se de mais uma fake news do candidato, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.

 

Levantamentos detalhados do Departamento Intersindical de Estatística de Estudos Socioeconômicos (Dieese-subseção Federação Única dos Petroleiros ) desfazem mentiras em relação à maior empresa do país. Eles mostram que a dívida líquida da empresa chegou ao ápice em 2015, atingindo R$ 392 bilhões, após os efeitos da Operação Lava Jato, ainda durante o governo Dilma Rousseff. A dívida líquida leva em conta as disponibilidades e investimentos em títulos governamentais e aplicações financeiras no exterior , com vencimentos superiores a três meses, a partir da data de aplicação, realizados pela Petrobrás.

Já a dívida bruta da empresa alcançou seu maior valor também em 2015, R$ 492,8 bilhões. A taxa de câmbio tem grande importância no volume da dívida da Petrobrás.

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Fonte: Petrobrás // Elaboração: DIEESE/FUP

Ocorre que, com a descoberta do pré-sal, os Planos de Negócios e Gestão (PNGs) da Petrobrás passaram a apontar maiores volumes de investimentos e financiamentos necessários para tornar possível a produção nestes campos e na construção e adaptação das refinarias.

Segundo o estudo do Dieese, como consequência do crescimento da dívida, pressão dos credores e alta dos juros, a Petrobrás passou a desembolsar grandes volumes de recursos para redução do endividamento. Somente entre 2016 e 2021, os valores pagos pela Petrobrás em amortização do principal e juros de sua dívida ultrapassaram R$ 810 bilhões.
 


Fonte: Petrobrás // Elaboração: DIEESE/FUP 

A Petrobrás sempre teve acesso a grandes volumes de recursos, em todas as vezes que foi aos mercados nacional e internacional buscar financiamento. Mesmo no período em que a dívida da empresa chegou ao seu topo, a empresa continuou conseguindo novos empréstimos." É importante destacar que a taxa média de juros contratados pela Petrobrás (6,2% ao ano) não é alta se comparada à taxa Selic. Mesmo a partir de 2015, quando a dívida cresceu e a empresa perdeu grau de investimento, a taxa cresceu pouco e o aumento foi devido à avaliação de risco feita pelas agências de rating", ressalta a pesquisa do Dieese.

Durante o período de crescimento da dívida, as agências de classificação de risco consideravam a Petrobrás como grau de investimento. Somente depois da Lava-jato, iniciada em 2014, que a nota de risco da Petrobrás caiu. Até hoje a empresa não conseguiu retomar o grau de investimento do período das gestões de Lula e Dilma.

Como 89% do endividamento da companhia é em moeda estrangeira, sendo 80% em dólar, quando o real perde valor frente a estas moedas, a dívida da Petrobrás em moeda nacional sobe. Isso aconteceu entre 2014 e 2015, quando a taxa de câmbio cresceu 41%.

A verdade 

1. A dívida da Petrobrás nunca foi de R$ 900 bilhões e chegou, ao máximo em R$ 392 bilhões (dívida líquida ) em 2015;

2. O aumento da dívida da Petrobrás ocorreu para aumentar os investimentos, entre eles no pré-sal e em refino, sendo hoje responsáveis pela alta produtividade e rentabilidade na extração de petróleo e gás e na produção de gasolina e diesel; 

3. A Petrobrás se endividou (e ainda se endivida) a juros relativamente baixos; 

4. Nos governos Lula, a Petrobrás puxava os investimentos no Brasil, destinando , em média, US$ 21,2 bilhões por ano, o que representava 8,3% dos investimentos do país. No governo Bolsonaro, a Petrobrás tem investido somente US$ 9,2 bilhões por ano - apenas 3,5% dos investimentos no Brasil. 

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Fonte: Imprensa FUP

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