Brasil

DESABAFO DA DIREITA

Como medo dos trabalhadores, PL e Centrão abandonam discurso contra fim da escala 6x1

Presidente do PL defende guinada estratégica da direita e admite que partido deve votar a favor da PEC para evitar derrota eleitoral; sigla agora condiciona apoio a corte de impostos para empresas

Da Redação

26 de maio de 2026 às 16:36 ▪ Atualizado há 7 minutos

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  • Valdemar Costa Neto alerta que Lula pode capitalizar eleitoralmente o fim da escala 6x1 em 2026.
  • Ele insiste que a oposição terá desgastes ao confrontar uma pauta apoiada por trabalhadores.
  • A maioria dos deputados do PL apoia a aprovação do projeto para evitar o domínio do debate pela esquerda.
  • Costa Neto expressa preocupação com efeitos econômicos negativos da PEC sem contrapartidas.
  • Critica risco de inflação e desemprego sem medidas de proteção ao setor produtivo.
  • Mudança estratégica no PL após reunião com Flávio Bolsonaro e Duda Lima.
  • PL adota postura de diálogo, exigindo compensações fiscais para empregadores.
  • Propõe redução de impostos sobre folha de pagamento para equilibrar custos.
  • Discussões na CCJ visam um meio-termo com jornada 5x2 e 40 horas semanais.

Valdemar Costa Neto fala sobre a escala 6x1
Valdemar Costa Neto fala sobre a escala 6x1

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, fez um duro alerta aos partidos de oposição e admitiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá usar o fim da escala 6x1 como principal trunfo eleitoral nas eleições presidenciais de 2026. Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan News, exibida na última segunda-feira (25), o dirigente partidário foi categórico ao afirmar que a direita sofrerá um desgaste irreversível se insistir em bater de frente contra uma pauta que tem o apoio massivo da classe trabalhadora. Ele revelou que a maioria da bancada de deputados do PL já defende a aprovação do projeto para evitar que a esquerda monopolize o debate popular.

“Se não tiver jeito, nós vamos tentar de tudo, nós vamos ter que votar o 6x1, que a maioria do nosso partido quer. Se nós não aprovarmos a 6x1 o Lula ganha a eleição e o ano que vem ele vai fazer 4x1, vai afundar o país. Nós temos que chegar no poder, nós temos que voltar pro governo. E pra voltar pro governo, nós temos que votar propostas que tenham a maioria da população a favor, nós não podemos ser contra”, declarou Valdemar Costa Neto.

Apesar do forte tom político, o líder partidário demonstrou grande preocupação com os reflexos econômicos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Valdemar criticou duramente a possibilidade de uma redução drástica na carga horária sem que haja contrapartidas robustas ao setor produtivo. O dirigente alertou para o risco real de uma escalada na inflação e de uma onda de demissões em massa, principalmente no comércio e no setor de serviços, caso a mudança seja implementada sem medidas rígidas de equilíbrio fiscal e de proteção aos micro e pequenos empresários.

Discurso modulado, foco no marketing e a busca pela escala 5x2

A nova postura de Valdemar representa uma mudança radical de estratégia dentro do PL. Inicialmente, a cúpula do partido havia orientado sua bancada a fazer uma obstrução total e votar contra a admissibilidade da PEC nas comissões técnicas da Câmara. A guinada no discurso foi sacramentada após reuniões de emergência envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o marqueteiro político da legenda, Duda Lima. A avaliação do comitê de comunicação foi de que o enfrentamento direto à pauta estava destruindo a imagem do partido junto ao eleitorado de baixa renda, forçando a sigla a aceitar a discussão.

A partir de agora, o PL adota uma postura pragmática: o partido aceita apoiar a extinção da escala 6x1, mas exige que o governo federal inclua no texto medidas de compensação fiscal para os empregadores. A principal bandeira defendida pela oposição será a redução de impostos sobre a folha de pagamento, barateando o custo de contratação para que as empresas consigam cobrir os turnos vagos sem fechar postos de trabalho. Paralelamente, após o presidente da Câmara, Hugo Motta, enviar a PEC para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), governistas e oposicionistas já articulam um meio-termo viável, centralizado no modelo de jornada 5x2 com 40 horas semanais

Fonte: Revista Fórum



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