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Reaproximação entre Michelle e Flávio Bolsonaro parece só jogo de cena eleitoral

A dois dias da convenção do PL, Flávio Bolsonaro pede desculpas à madrasta em um movimento orquestrado para estancar a sangria na pré-campanha e unir a militância

Da Redação

23 de julho de 2026 às 20:52 ▪ Atualizado há 8 horas


Redes sociais Reconciliação de Michele e Flávio Bolsonaro é só plano de poder
Reconciliação de Michele e Flávio Bolsonaro é só plano de poder

Brasília - Faltando 48 horas para a convenção nacional do PL que oficializará sua candidatura à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou um movimento calculado: pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A resposta, que veio horas depois em vídeo, selou uma trégua que, para analistas e aliados, tem gosto de estratégia desesperada para salvar uma campanha em frangalhos.

A troca de afagos públicos, que aconteceu nesta quinta-feira (23), ocorre quase um mês após Michelle expor uma briga feia com o enteado. Em junho, ela o acusou de humilhação e maltrato, chegando a renunciar à presidência do PL Mulher. O pedido de desculpas de Flávio e o perdão de Michelle, no entanto, parecem menos uma reconciliação familiar sincera e mais um "acordo de cavalheiros" (e senhoras) para a sobrevivência política do clã.

A novela da Família Bolsonaro

Na gravação, Flávio afirmou que "ninguém é perfeito" e pediu desculpas por "momentos que causaram desconforto", classificando as divergências como "exploradas por opositores". Michelle, por sua vez, agradeceu a "sinceridade" do enteado e afirmou: "Eu te desculpo. Vamos sentar, vamos conversar, ajustar os detalhes".

Por trás das câmeras, a história é outra. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que a briga "está atrapalhando muito a campanha" e que Michelle condicionou o retorno a um pedido público de desculpas. A crise familiar minou a imagem de unidade do bolsonarismo e, segundo pesquisas, dividiu a base: 43,2% dos bolsonaristas concordaram com Flávio na briga, contra apenas 17,3% que deram razão à ex-primeira-dama.

Jogo de cena ou pacificação real?

A rapidez do "perdão" e a encenação pública levantam suspeitas. A trégua acontece em um momento crítico para Flávio Bolsonaro, que enfrenta uma tempestade perfeita:

1. Isolamento Político: O senador não consegue fechar alianças nacionais. Republicanos e a federação União-PP sinalizam neutralidade, deixando Flávio sem um vice definido e com pouco tempo de TV.

2. Escândalo Financeiro: Veio a público a informação de que seu escritório emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil para uma empresa ligada ao escândalo do Banco Master . Flávio nega irregularidades, mas o desgaste é real.

3. Proibição Judicial: O ministro Alexandre de Moraes proibiu o contato de Flávio com o pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. A medida impede que o presidenciável consulte o "grande líder" para traçar estratégias, o que a campanha considera um "prejuízo eleitoral evidente" .

Diante de tantos fronts de crise, trazer Michelle de volta ao palanque é uma tentativa de acalmar a militância, recuperar a força entre o eleitorado feminino e evangélico (onde Michelle tem trânsito), e passar a imagem de que o bolsonarismo está unido. "Com a direita desunida, o pessoal fica sem confiança", admitiu Valdemar .

11qqqqq1 do PL está marcada para este sábado (25) em São Paulo, mas o partido vai oficializar a candidatura de Flávio sem vice e sem alianças consolidadas . A presença de Michelle no evento é incerta, já que ela permanece em Brasília cuidando de Jair Bolsonaro . A expectativa é que um vídeo dela seja exibido aos militantes para simular o apoio que, na prática, ainda é frágil.

A reaproximação entre Michelle e Flávio, portanto, parece menos um laço familiar reatado e mais uma necessidade eleitoral: um jogo de cena orquestrado para tentar salvar a candidatura de um herdeiro político que, mesmo carregando o sobrenome mais poderoso da direita, vê seu projeto presidencial naufragar antes mesmo de começar.

Fonte: Redes sociais