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Extremistas de direita atacam aula de história

Um grupo de pesquisa da Universidade Estadual do Piauí chamou um debate sobre o “anticomunismo no Brasil


Ataques virtuais

Ataques virtuais Foto: Divulgação

Aconteceu na quarta-feira passada. E está virando rotina no dia a dia do Brasil da era bolsomorista. Extremistas de direita embusteando reuniões e outros eventos que consideram ações da esquerda.

Ataques que não são uma novidade política no Brasil, apenas ganham dinâmica na forma, com o modal tecnológico disponível para invadir e barrar salas virtuais em que ocorrem eventos não presenciais.

Um grupo de pesquisa da Universidade Estadual do Piauí chamou um debate sobre o “anticomunismo no Brasil, ontem e hoje”, trazendo para falar uma conhecida pesquisadora do tema, professora da Ufpi, Marylu Oliveira, com estudo publicado sobre essa questão no Piauí.

O caso deve ter sido entregue à polícia para as devidas providências e ecoou em redes sociais e até numa TV aberta. Colegas se solidarizaram com os participantes diretamente atingidos, sobretudo com a palestrante, particularmente atacada pela dimensão misógina dos fascistas.  

Essas iniciativas de protesto contra ação fascista são indispensáveis que se façam, mas não se há de esquecer que o grave episódio não pode se esgotar no nível das presentes considerações, moções de solidariedade, queixa em delegacia.

Impedir na marra que se realizem eventos marcados pela livre concepção e manifestação de ideias é cometer um crime contra o processo educacional. Liberdade inerente à vida social que se pretende democrática.

A facção extremista que tomou e dirige a República, no bojo de uma atividade golpista articulada pelo capital financeiro que manieta e exaure a sociedade brasileira, parece determinada a implantar sua visão de mundo a contrapelo de alguns marcos que se costuma chamar de “civilizatórios” exatamente por recusarem o obscurantismo como arma de mando político.     

Facção que se prepara para permanecer ditando o jogo político em bases criminosas, fora da lei, estado policial moldado em condições milicianas. E para tanto articulando vários segmentos que se alimentam da própria ruptura golpista, de maneira peculiar os partidos nos quais se tornaram, a corporação judiciária em sua variada configuração de agentes, além da mídia monopolista, que é oligárquica e não tem preocupação que não seja lucrar e sustentar ideologicamente a articulação golpista da qual é parte.

Há quem já esteja dizendo que essa velha mídia foi superada pela dinâmica interneteira como elemento decisivo na disseminação de informação falsa, fakes, por exemplo. Um engano, na medida em que consegue iludir a milhões de que seriam “neutros”, os donos dos meios de comunicação e os empregados de suas empresas. Estes, por razões óbvias. Mas também por caráter e escolha dessa espécie de submissão, ou “sujeição agradecida”, conforme um amigo lembrou-me há pouco.

Claro que a disseminação de notícia falsa ganha impulso quase incontrolável pelas maquininhas ditas “celular”, “tablete” e arranjos afins, com destaque aos robôs utilizados por criminosos, multiplicando mentiras, com centralidade decisiva no resultado das últimas eleições.        

É nesse contexto que grassa o ativismo criminoso protofascista apropriando-se das diversas formas do meio Internet, de que o embuste acima referido é exemplo. E sendo o fato um caso de polícia – de conotação política –, assim deve ser tratado.

O fascismo é de índole violenta. No Brasil se movimenta e manifesta pondo em marcha – literalmente – um processo de ódio embalado em arraigadas tiranias, em geral relacionadas à escravidão e a elementos correlatos de colonialismo vil. Do ponto de vista “moral”, orientam-se por uma espécie de cruzadismo inquisitorial medievalóide.  E a ideologia dessas frações extremistas de direita, intolerantes, rechaça qualquer modo de liberdade pública e o atributo individual da liberdade de alguém exprimir opiniões.

A Uespi e a Ufpi, atingidas, porque atingidos docentes e estudantes de seus quadros, haverão de ser firmes no protesto contra esse crime. Fascistas no poder não aguentam Universidade verdadeira.

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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