PANDEMIA

Covid 22

A crise e o baque social são um fato e suas consequências abatem os atores sociais de maneira diferente


Covid-19

Covid-19 Foto: Divulgação

No meio da tragédia da nova peste figurões antecipam de maneira insolente as futuras campanhas eleitorais, sobretudo a de PR prevista para 2022. Pode uma coisa dessas, nem se sabendo direito o tamanho do eleitorado que o vírus deixará? Acontece. É relembrar o quinhentista Niccolò di Bernardo. De fato, a ética na política não é igual à ética da política.  

A crise e o baque social são um fato e suas consequências abatem os atores sociais de maneira diferente. Mais uma vez se configura um quadro em que os perdedores de todas as crises tendem a perder ainda mais. No Brasil, já imerso num quadro de desigualdade social acentuado, o imperativo do enfrentamento da pandemia logo ganharia uma circunstância agravante: a deflagração de uma operação com características absolutamente demagógicas e disputas no núcleo das cúpulas poderosas do Planalto e das planícies para marcar quem mais vai ganhar eleitoralmente com a desgraça.

Incrível: alguém ganhar em meio à mortandade no país inteiro? Mas isso é o que está abertamente configurado ante os olhos de quem sabe e quer ver. Algumas pistas que ajudam entender essa aparente contradição.  

Tudo começa com o fato de que o agente ocupado da presidência da República (a) não dispõe de capacidade cognitiva para compreender a complexidade do que está acontecendo no mundo, mas (b) tem a obsessão reiterada de que o Brasil deve ser mero satélite do imperialismo estrangeiro do Sistema do Capital, com cabeça estadunidense e (c) abomina a democracia, enquanto (d) manobra para aprofundar a ruptura institucional tendente à ditadura que sua própria chegada ao poder sinaliza e (e) ter n cabeça a condução fascista: prender! torturar! eliminar!  

Nas urgências do momento, ante o pavor da doença que pode aumentar sem controle, o agente está excitado como que antevendo e querendo que a crise descambe numa rebelião de desesperançados-despossuídos contra a desordem viral-sanitária e tendente a solapar a “ordem”. E que, em estado de revolta, ele, agente, desponte como salvador do povo, impondo um estado de ditadura para prender e... Não pensa ele outra coisa não seja se perpetuar na chefia do Planalto. É muito problemática a situação dos negócios e da economia como um todo, evidenciando-se que o “deus-mercado” neoliberal não salva ninguém – ao contrário – do ataque viral e somente pelo Estado pode-se lançar uma tábua salvadora de vidas.

Essas constatações é que levam à antecipação da corrida eleitoral? Também. E os patifes do esquema golpista de 2016 e do arremedo eleitoral de 2018, com receitas para barrar a crise, estranham-se, ante o que têm por erros e “loucuras” e até fracasso do seu “chefe” e buscam se posicionar, já, no tabuleiro presidencial de 2022. É claro que os segmentos oponentes logo fazem disso também a sua pauta.

Neste início de semana ficou mais explícito o domínio coturneiro da máquina de poder planaltina, com generais assumindo o controle central, caracterizado que a “loucura metódica” de seu Inominável pupilo nem sempre ganha pontos.

Surfando na crise em busca de notoriedade útil para o futuro eleitoral em face da desgraça geral, o próprio elemento fascistoso, e figuras chegadas ao esquema maior que açambarcou a máquina em 16 e 18 e que hoje estão nos lugares do Congresso, ministérios, governadorias de estado.

Um desses chefes político-partidários da confiança da extrema direita que mais faturam em divulgação de sua imagem eleitoral neste instante do processo é o titular do Ministério da Saúde, por óbvio. Ironicamente um conhecido amigo do “mercado” da saúde”, cuja visibilidade irrita o chefe dele, mais preocupado em se conservar na cadeira planaltina.   

Também no interior do esquema golpista, o deputado Maia joga o tempo todo para consolidar posição eleitoral. Quer a todo custo mostrar sua condição de sabujo do patronato, sobretudo do grosso do capital financeiro e dos principais avalistas da revogação de leis trabalhistas, agora com o pretexto da “quebra” de empresas no rastro viral.

A vida social-política é assim. Inaceitável é o oportunismo criminoso de barganhar vidas por cargo.

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Sobre a coluna

Fonseca Neto

Fonseca Neto

FONSECA NETO, professor, articulista, advogado. Maranhense por natural e piauiense por querer de legítima lei. Formação acadêmica em História, Direito e Ciências Sociais. Doutorado em Políticas Públicas. Da Academia Piauiense de Letras, na Cadeira 1. Das Academias de Passagem Franca e Pastos Bons. Do Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

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